Bem-vindos!

Aqui no nosso point você encontra resenhas, curiosidades, trailers e críticas dos mais variados subgêneros de filmes de terror de todos os tempos. Tudo muito bem explicado para poder atender á vocês da melhor forma possível. Antes de mais nada, estejam cientes que todas as nossas resenhas CONTÉM SPOILER! Por isso, desfrute do nosso conteúdo em sua totalidade por conta e risco. Minhas críticas não são especializadas, eu sou apenas um cinéfilo entusiasta e tudo que eu relato nos parágrafos referentes as resenhas é puramente minha opinião pessoal, por isso sintam-se a vontade para concordar ou discordar mas mantendo a compostura no campo dos comentários ao final da postagem da semana. O cronograma deste blog segue as postagens de sábado sem hora definida e este ciclo só é quebrado tendo mais de uma postagem na semana em caso muito especial como por exemplo lançamentos. Preparados? então, apaguem as luzes, preparem um balde enorme de pipoca, garanta seu refrigerante e bom divertimento!

sábado, 24 de outubro de 2026

A Noite das brincadeiras Mortais / April fool's Day (1986)

 

Desta vez eu trago um verdadeiro clássico do slasher dos anos 1980 que chutou o balde das regras básicas do subgênero para trazer algo novo sem deixar a essência de lado.

A história se desdobra quando um grupo de amigos é convidado por uma amiga rica para passar o final de semana em sua mansão m uma ilha para uma festa na semana da comemoração do dia primeiro de abril.

A coisa começa a fica tensa depois que dois do grupo acabam causando um acidente grave com o ajudante do balseiro que leva o grupo para a ilha e ao chegar na mansão, um por um começa a desaparecer e reaparecem mortos em questão de poucas horas deixando o resto em alerta.

O filme abre com a jovem Kit Grahan gravando um vídeo no cais com seu namorado Rob Ferris e um grupo de amigos enquanto esperam por uma balsa que os levarão até uma ilha próxima onde fica a mansão de uma amiga rica chamada Muffy St. John do qual foram convidados para uma festa no início da semana de abril que marca o dia da mentira e das pegadinhas.

Na tal mansão, Muffy e sua governanta Clara arrumam algumas coisas velhas no porão e a jovem acaba encontrando uma caixa surpresa que a faz se lembrar de uma festa de aniversário de sua infância onde ganhou o brinquedo de seus pais que atualmente são falecidos.

Ao girar a manivela da caixa, sai de dentro um palhaço medonho diferente do que se espera de um brinquedo infantil.

Passada a intro, a balsa finalmente chega ao cais pilotada por dois homens, o capitão e seu ajudante Buck e antes de partirem chegam mais alguns convidados, amigos íntimos de Muffy e assim completa a turma: Skip St. John que é primo de Muffy, Nikki Brashares, Nan Youngblood, Arch Cummings, Chaz Vyshinski e Harvey "Hal" Edison.

Com todos à bordo e à caminho da mansão, os que ainda não fazem parte da turma puxam conversa para irem e conhecendo até que no meio do caminho, Skip e Arch acabam pregando uma peça nos demais com um canivete e uma falsa briga onde um deles falsamente termina perfurado, mas tudo acaba em risada dando início ao longo dia primeiro de abril.

Quando o grupo finalmente está para apartar na ilha, Buck encarregado de amarrar a balsa no ancoradouro acaba sofrendo um acidente quase morrendo esmagado por conta de uma outra pegadinha infeliz de Skip e Arch que deixa o ajudante com o rosto parcialmente desfigurado.

Passado o mal estar, o grupo chega à mansão de Muffy onde há uma elegante mesa preparada cada lugar marcado com um boneco representando cada um dos convidados.

Poucas horas depois, Kit e as amigas se enfiam na cozinha para preparar o rango enquanto os rapazes se divertem no jardim pelo resto do dia que rapidamente se torna noite.

O jantar é posto à mesa em meio á pegadinhas clássicas de primeiro de abril como a almofada de peido e uma cadeira com pernas falsas que saem do lugar e se reagrupam. Logo depois, os jovens batem um papo sobre os planos para depois da formatura.

Por fim, Muffy serve bebida aos amigos e faz um discurso de boas vindas  e assim que geral ergue as taças para mandar para dentro, percebem que o utensílio foi estrategicamente esburacado para uma pegadinha impedindo geral de beber e mais uma vez tudo acaba em risada.

Chegada a hora dos jovens irem dormir, cada um encontra em seu dormitório objetos que remetem a algum delito ou trauma ocorrido no passado sujo de cada, como por exemplo recortes de jornais que falam sobre um acidente, drogas, um objeto sadomasoquista, uma gravação em K-7 com choro de bebê e um quadro como daqueles de filmes de terror das antigas que retrata uma pessoa falecida cujos olhos estão recortados para que alguém vivo observe por trás e neste caso o que tinha por trás do quadro era um relógio de pendulo em forma de gato.

Do lado de fora da mansão, Skip sai para conseguir alguma verdinha para queimar no cais e depois vai até a casa de barcos onde leva um susto com um gato e na sequencia é misteriosamente abduzido por alguém misterioso.

Na manhã seguinte, os jovens batem uma bolinha no jardim depois do café da manhã até que Nan vê alguém passar na frente da casa de barco o seguindo.

Um tempo depois, Kit e Rob se isolam dos demais em um depósito para transar até que Kit vê o corpo de Skip passar boiando numa canoa por baixo da fresta do assoalho armando a maior gritaria.

Mesmo achando se tratar de uma pegadinha infeliz de Skip, o casal alerta os demais dando início as buscas pelo rapaz por todos os lados.

Os rapazes encontram o canivete de Skip no chão e desconfiam que se trata de uma vingança pelo que aconteceu na entrada da ilha com o assistente Buck.

Arch se separa dos demais e se embrenha na floresta sem notar que uma cobra o espreita. Do nada, o rapaz é pego pelo pé por uma corda armadilha e puxado para cima ficando a mercê da cobra.

Passado um tempo sem pistas, Rob resolve ligar para a polícia assim que Arch é dado como desaparecido, porém o telefone não consegue completar a ligação.

Do outro lado, Hal e Nikki vão ao poço buscar água e como a corda do balde está partida, a jovem resolve descer para buscar a água manualmente mas acaba caindo e para sua surpresa encontra os corpos de Skip, Arch e Nan.

Hal desce para resgatar a crush e tira ela de lá em pânico.

Passado o susto, os jovens reiteram suas suspeitas de vingança de Buck até conseguirem uma ligação do comissário Potter que diz estar à caminho.

Em alerta, os jovens reforçam as travas das janelas e se espalham pela mansão para vigiar. Kit acaba encontrando no escritório uma foto antiga com duas menininhas gêmeas até que Muffy encontra a amiga e diz aleatoriamente que em noite de maré baixa ninguém consegue chegar na ilha.

Depois de reunidos, a turma discute com o Muffy está agindo de forma estranha e cada um fala sobre os objetos contundentes que encontraram em seus dormitórios.

Muffy aparece no momento em que geral aponta o dedo para ela e se retira sem graça para ir dormir.

Passado o mal estar, Hal vai até a frente da porta principal da mansão para esperar o comissário enquanto que do outro lado, Nikki tem uma discussão com Chaz por conta do pânico pelos corpos que ela encontrou no poço. 

Horas depois, Chaz tenta trazer um pouco de humor para Nikki fazendo graça com uma máscara de sadomasoquista e a jovem sai momentaneamente para pegar roupas secas e quando volta para o quarto encontra o rapaz imóvel com a mão sobre sua genital.

Quando Nikki retira as mãos do rapaz da frente da calça, descobre que as intimidades de Chez foram esfaqueadas.

Enquanto isso, Kit e Rob vão até o sótão da mansão para refletir sobre tudo que está acontecendo e o rapaz diz à namorada que Hal o alertou para que todos desconfiem de Muffy e para que sempre fiquem todos juntos.

Ao olhar pela janela, o casal vê o barco da polícia do comissário Potter parado no cais.

Ainda no sótão, Kit e Rob encontram os bonecos que representam a turma sendo que os de Skip, Arch e Nan estão cobertos de sangue dando a entender que a morte deles estava esquematizada o tempo todo, mas por quem?

Ouve-se um ruído e o casal percebe estarem sendo vigiados dando início a uma separação para que cada um alerte os amigos que encontrarem pelo caminho mais rápido.

Kit passar por todos os quartos chamando pelos amigos e ao chegar no de Chaz encontra Rob que mostra o corpo da amiga que acabara de entrar para a lista dos mortos encontrada sem vida em cima da cama.

Ao tentar evadir pela porta principal Kit e Rob encontram Hal enforcado os forçando a fugirem pelos fundos e vão até o cais procurar pelo comissário Potter que estranhamente não está no barco.

Rob encontra uma lancha sem chaves e com um bilhete vindo de uma instituição psiquiátrica alertando para a condição de instabilidade psiquiátrica de Muffy da qual esteve internada por três anos no local.

Depois, o casal vai até a casa de barcos onde encontram um rastro de sangue, as roupas de Muffy e uma escrita na parede talhado com o nome Buffy.

Kit se lembra da foto das gêmeas que ela encontrou no escritório e junta as pistas descobrindo que Muffy tem uma irmão gêmea, a tal Buffy que é quem na verdade fugiu da instituição psiquiátrica e está matando geral.

Depois, o casal encontra o quadro assustador que estava em eu quarto e ao retira-lo, encontram a cabeça de Muffy por trás!

Buffy, a gêmea louca aparece e encurrala Kit enquanto Rob tenta procurar as chaves da lancha e acaba ficando trancado no cômodo adjunto.

Kit fica cara a cara com Buffy que está armada com uma faca totalmente fora de si. Kit sai correndo e volta para dentro da mansão onde encontra todos seus amigos vivos e agindo normalmente na sala de estar.

Tudo acaba se revelando uma grandiosa e deveras infeliz pegadinha de primeiro de abril.

Rob ainda trancado e em pânico gritando para Kit que a ama acaba encontrando Buck que revela que sua ferida no rosto é falsa a colando no rosto do rapaz que está fora de si revelando que tanto ele quanto o comissário Potter fazem parte da pegadinha que começou desde a partida da balsa.

Buck libera Rob que sai correndo e encontra Kit e os outros na sala de estar sem entender nada.

Buffy que na verdade é Muffy, aparece e revela ser a mente por trás do roteiro da pegadinha, que Buck é um ator e técnico de efeitos práticos, o capitão da balsa é na verdade Carl, um figurante, o comissário é na verdade seu tio Frank, Skip não é seu primo mas sim seu único irmão e que Buffy não existe. 

A finalidade de toda a peça era um teste que Muffy se impôs para provar que é digna da herança dos pais, provando que ela seria capaz de cuidar da mansão sozinha.

Passado o mal estar, todo mundo ri e se inicia uma festa de arromba para descontrair.

Um tempo depois, Muffy vai paras eu quarto levemente bêbada com uma garrafa de champanhe e retira do alto da batente da porta uma corda de forca e ao se virar, a jovem percebe um presente embrulhado.

Ao abri-lo, Muffy descobre a caixinha surpresa de sua infância. Ao girar a manivela, estranhamente o palhacinho não sai e ao tentar força-lo a sair, a jovem é surpreendida por Kit trajada como serial killer que surge por trás a degolando, desejando um feliz primeiro de abril e dando-lhe um beijo no rosto enquanto sorri malignamente...

Não deu outra, o filme se tornou um cult dentro do subgênero slasher e é lembrado até os dias de hoje. Inúmeras reprises permearam a tevê aberta em mais de um canal mostrando a força da obra que felizmente nunca se tornou uma franquia, já que não havia motivo.

Não tivemos lá muitos rostos conhecidos na obra, sendo que o único digno de  nota é Amy Steel que anos antes foi a protagonista Ginny de Sexta-Feira 13 Parte 2 e aqui ela viveu discretamente a personagem Kit.

Mas um remake sim acabou acontecendo em 2008 que segue a mesma essência mas tem um desenvolvimento de trama bem diferente e não agradou fazendo o filme ficar esquecido e até mesmo o tornando underground dentro da fanbase.

Agora voltando ao original, a trama e bem escrita, as cenas de morte são todas off screen decepcionando no início quem esperava violência gráfica típica de obras semelhantes mas que com o plot twist acabou ficando justificado e elevou o patamar de uma produção que parecia ser genérica e sem novidades para um dos slasher oitentistas mais queridos dentre os fãs do subgênero.

Mas não achem que o filme só tem mérito pelo plot twist, como eu disse a história é boa, coesa, tem cenas tensas com bons efeitos práticos e o melhor de tudo: enganou geral lindamente, se tornou um sucesso por fugir das amarras das regras estabelecidas pelos primeiros slasher mas mantendo a identidade do subgênero.     

   

Trailer:


 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Re(Nascer) / Birth/Rebirth (2023)

 

Seguindo pelos filmes mais recentes, eu trago hoje a resenha de um grande filme de 2023 que eu simplesmente dropei na época do lançamento por estar mais ficados em outros projetos e que eu sempre vou me arrepender, ainda mais se tratando de uma distribuição da Shudder.

Deste vez, temos um terror psicológico que nos apresenta à uma técnica de necrotério e uma enfermeira que tem seus caminhos cruzados quando a filha pequena de uma delas acaba morrendo de uma doença, ou será que não?

O que acontece, é que a técnica de necrotério está desenvolvendo secretamente há anos um fluído de reviver que é compatível com o sangue da pequena falecida e para dar prosseguimento aos seus experimentos, a mulher rouba o corpo da menina do necrotério e o leva até as casa onde tem um leito improvisado com um aparato bem básico e testa nela o tal fluído que lhe devolve a vida, mas não como o esperado.

Começa então uma aliança para manter a farsa ao mesmo tempo que um dilema pela ética é posto em jogo no decorrer da trama: brincar de ser Deus não importando com as vidas que estão em jogo em prol de descobrir a fórmula definitiva que poderá acabar com a morte ou superar as dores do luto e deixar o ciclo da vida seguir normalmente.

O filme abre no Bronx, com o resgate de uma mulher grávida que teve uma convulsão, tudo isso visto subjetivamente em câmera fechada, poucos detalhes claros.

A grávida é levada à sala de parto e acaba tendo uma outra convulsão repentina que lhe tira a vida, mas salva seu bebê que nasceu prematuro.

O corpo da mulher é levado ao necrotério onde uma técnica aparentemente faz uma autópsia e retira seus órgãos os levando consigo sorrateiramente.

Depois da intro, conhecemos Rose Casper, a técnica de necrotério que atuou no caso da gestante morta e ela incumbida a cobrir o turno de seu colega Scott enquanto ele precisa pegar o filho na escola. 

Na cena seguinte, conhecemos Celle Morales que é enfermeira neonatal e sua filha pequena Lila pegando o ônibus no final do dia para voltar para casa.

Com o final do expediente, Rose vai até um bar decadente para beber e acaba convencendo um homem aleatório a ir com ela até o banheiro para ganhar uma punheta grátis e é lá que conhecemos as intenções da médica: estocar o esperma do estranho em um aparato médico.

Na cena seguinte, Rose vai para casa onde descobrimos que ela tem uma porquinha de estimação chamada Muriel, sua única companhia.

Depois de alimentar sua pet, Rose vai até o banheiro com o aparato onde se auto insemina com o esperma do cara do bar.

Na manhã seguinte, Celle acorda Lila para leva-la para a escolinha mas percebe que a menina acordou doente e acaba tendo que deixa-la mesmo que a contragosto na casa de sua vizinha Pauline.

Horas depois, Celle comanda um parto complicado mas que acaba bem sucedido e ao final recebe uma ligação de Pauline em pânico.

Ao final do expediente, Celle volta para casa e a encontra vazia além de um rastro de sangue pelo chão e um bilhete de Pauline dizendo que Lila piorou e ela precisou leva-la para o hospital. 

Celle corre para o hospital onde há essas horas, Lila já havia morrido por conta de uma meningite e o corpo da menina fica aos cuidados de Rose enquanto a mãe espera por respostas por horas enquanto está puta com Pauline como se ela tivesse alguma culpa.

Sem aguentar esperar, Celle invade uma área restrita à funcionários mas é enxotada por uma médica que ainda não conseguiu fazer a liberação do corpo de Lila.

Celle recorre à sua colega que trabalha naquele setor para que a ajude com Lila e acaba sendo levada de volta para casa. De manhã, Celle ouve as mensagens deixadas no celular e se emociona com a última que Lila deixou.

Mais tarde, Celle vai até o hospital para dar início a burocracia da liberação do corpo de Lila até descobrir que estranhamente o hospital não está com a menina e sim com a responsável do necrotério, Rose.

Celle invade o consultório à procura de Rose, mas a médica foge do local com uma mala enorme até o estacionamento dando partida em seu carro deixando Celle desolada.

Assim mesmo, Celle consegue o endereço de Rose e a segue até seu apartamento onde a encontra e exige respostas invadindo o imóvel no processo. Lá dentro, ela encontra Lila entubada num leito simples e com sinais vitais.

Rose revela que Lila é candidata à um experimento secreto que ela usou há dois anos na porquinha Muriel que assim como a menina estava morta e voltou a vida.

Mesmo e negando a fazer de Lila uma cobaia, Celle vai até sua casa, faz uma mala e volta para o apartamento de Rose disposta a se mudar para lá para acompanhar o processo de reanimação da filha.

Tempos depois, Rose passa por um ultrassom descobrindo estar grávida enquanto Celle toma conta de Lila ao mesmo tempo que segue trabalhando normalmente.

Certo dia, Celle volta para o apartamento de Rose onde ambas passam Lila por uma transfusão de sangue e a menina reage conseguindo respirar sem aparelhos.

Rose revela que estuda o processo e reanimação desde os seis ou sete anos graças a mãe que era bióloga e sua fonte de inspiração.

No dia seguinte, Rose recebe os resultados de uma analise de microscópio com o sangue de Lila ao mesmo tempo que tem um sangramento entre as pernas, um aborto espontâneo.

Enquanto isso, Celle vê um álbum de fotos de Rose e numa delas uma foto da mãe doente de Rose em estágio terminal e resolve ligar para a médica que está internada ao mesmo tempo que a enfermeira flagra Lila acordar porém estranha.

Rose descobre que após o aborto ela precisou ter seu útero removido por conta de complicações e por isso não poderá mais engravidar.

Inconsequente, Rose se dá alta e vai para casa e encontra Lila consciente embora segundo ela não fosse o momento ainda e ela acaba desmaiando.

Celle aplica os primeiros socorros e pergunta à médica por que Lila está emitindo sons estranhos.

Rose revela que não poderá manter o progresso de Lila, pois ela dependia de uma transfusão de um soro feito de sangue com células tronco de fetos produzidos e abortados por ela (por isso ela se auto engravida) por que ela já não pode mais engravidar e é imprescindível que o sangue seja justamente o dela por que é o único compatível no momento por que o sangue de Lila é raro.

Lila segue sendo suprida com o que resta do estoque e tem uma estranha reação quando Rose desliga e volta a ligar a televisão por onde a menina vê um programa educativo com passarinhos coloridos.

Ao voltarem a discutir sobre o sangue para a produção do soro reanimador e Celle revela ter uma paciente grávida chamada Emily Parker que tem o sangue compatível.

Na cena seguinte, Rose passa a tal Emily e seu futuro bebê por um checkup e retira um pouco de sangue da gravida secretamente.

Ao voltar para o apartamento, Celle descobre Lila reagindo positivamente aos estímulos de uma lâmpada mas a mesma rejeita a mãe como se tivesse medo dela.

Mais tarde, Celle tenta alimentar Lila que não é nada responsiva e discute com Rose sobre elas terem que jogar com a vida de um bebê inocente por conta do soro.

Repentinamente, a porquinha Muriel começa a ter uma convulsão e Rose a ceda.

Depois, Celle banha Lila e nota que ela reage com palmas à uma música que ela cantarola além de responder com pequenos gestos à perguntas básicas de conhecimento e auto reconhecimento o que só indica que a menina está progredindo à passos largos.

Dias depois, Rose tenta fazer Lila caminhar e a filma para o relatório diário de seu experimento.

A fita é assistida tempos depois por Celle que em seguida vê uma fita com a gravação de um experimento que Rose fez com a mãe dela já morta que também e chamava Muriel e respondia com eletro estímulos à pequenos movimentos da mão.

Neste meio tempo, a gravidez de Emily progrediu e Celle descobre que sua paciente optou por se transferir de hospital para um melhor equipado e que por isso aquela será a última consulta entre as duas.

A notícia chega rápido à Rose que tem uma discussão que só piora quando Celle revela ter descoberto que a mãe de sua colega foi sua cobaia. Nisso, ouvimos ao longe Lila dizer "mamãe".

Mais tarde, ambas as médicas estão ocupadas e Lila engatinha pela casa e instintivamente perfura Muriel com uma barra de suporte de cateter até matar a porquinha.

Rose sai do banho às pressas e encontra a menina ensanguentada a amparando.

Quando volta para casa, Celle amarra a filha na cama enquanto Rose analisa o cadáver de Muriel e passa o dia todo no laboratório do hospital amanhecendo lá quando seu colega Scott e seu filho pequeno Bradley chegam estranhando a exaustão da médica.

Rose volta para casa mais tarde e sugere para Celle usar sua medula como combustível alternativo para o soro e pede à enfermeira que lhe faça uma sucção.

Após o processo, ambas descansam até a manhã seguinte e Rose grava mais um relatório diário notando que o experimento não teve nenhum progresso após o soro alternativo.

Enquanto isso, Celle secretamente extrai amostras de células troncos compatíveis de órgãos do banco de doação.

Na cena seguinte, Rose conversa com sua superior, a doutora Colleen sobre a obsessão dela em ser mãe e tenta incentiva-la a direcionar suas forças em outras atividades para poder superar o desejo que não se concretizará.

Com a falta de material bruto para o soro, a situação de Lila regride à estaca zero e a menina volta a morrer.

Rose volta para a casa horas depois e não encontra nem Celle e nem Lila, mas após perceber um vazamento vindo de seu freezer, ela encontra o corpo de Lila lá dentro e a menina está com os olhos abertos indicando que ainda há tempo de salva-la.

Enquanto isso, Celle vai até a casa de Emily metendo uma conversa de entregar o último exame e acaba sendo convidada para tomar um chá. Na surdina, Celle coloca um pozinho no chá de Emily que ao toma-lo acaba tendo uma convulsão.

Celle liga para o resgate e se apresenta como obstetra particular de Emily a acompanhando até o centro médico onde a gestante passa por um parto prematuro. (Esta é a cena inicial do filme agora em takes abertos e claros).

Assim que o bebê é levado por Celle, Emily percebe que há algo errado acontecendo e volta a convulsionar seguido de uma parada cardíaca morrendo no processo.

Rose liga para Celle e esta ordena à colega que vá à ala de patologia e esta corre até o local retirando os órgãos de Emily para a produção do soro.

Com tudo encaminhado, as médicas entram num novo processo de reanimação de Lila cujo despertar vemos em primeira pessoa e ela recebe da mãe às boas vindas...

O filme pegou geral de surpresa trazendo uma discussão ética sobre brincar com vidas passando por cima de tudo que é legal e divino e tudo isso muito bem conduzido com um roteiro bem escrito e personagens muito bem desenvolvidas.

O que poderia ter sido um filmes simples e genérico de morto-vivo com uma pegada notória de Frankenstein acabou se tornando algo ainda mais fantástico e imprevisível.

A tensão é continua e entrega uma surpresa a cada instante fazendo a narrativa ganhar força e não ficar lenta em nenhum momento, muito pelo contrario, você fica preso sem poder prever o que vai acontecer e muito menos sem saber para quem torcer ou se há como torcer para alguém por que os fins das protagonistas são abominantes e os meios são ainda mais.

No mais, o filme é todo bem construído, facilmente um dos melhores de 2023 mas acabou ficando meio esquecido com o tempo merecendo ser revisitado com toda a certeza.   

   

Trailer: 


 

sábado, 17 de outubro de 2026

O Pássaro das Plumas de Cristal / As Plumas de Cristal / L'uccello dalle Piume di Cristallo (1970)

 

Trazendo o giallo mensal, hoje eu chego com mais uma obra do mestre Dario Argento, dos primórdios de sua carreira trazendo aquilo que ele sempre soube fazer de melhor: uma trama cheia de mistério, assassinatos e investigação no maior pique dos filmes detetivescos da era de prata do cinema.

Nesta história, somos apresentados à um escritor norte americano em passagem pela Itália que acaba testemunhando uma tentativa de assassinato ligado à outros atentados ocorridos recentemente.

Com pouco suporte das autoridades, o protagonista resolve investigar por conta própria e acaba ficando na mira do misterioso assassino em série tendo pouco tempo para decifrar a identidade do mesmo e sua motivação antes que ele acabe se tornando estatística.

O filme abre com um homem misterioso datilografando um bilhete para uma tal Sandra enquanto em segundo plano, a mesma jovem é seguida secretamente e fotografada.

No covil, a pessoa misteriosa que usa luvas de couro pretas abre um estojo com uma coleção de punhais e escolhe um deles à dedo. Depois, o mesmo folheia a foto da jovem e a marca com o número 3 até que se ouve ao fundo um grito de mulher em pânico.

Passada a intro, os jornais noticiam a morte de uma jovem como sendo a terceira vítima fatal de um serial killer num curto espaço de tempo entre as demais.

Uma das pessoas a comprar um dos jornais é o professor especializado em ornitologia Carlos Dover que está acompanhado do escritor norte americano Sam Dalmas, seu amigo de longa data e que está atualmente escrevendo um manual de preservação de pássaros.

À noite, Sam passeia pelo centro solitariamente até que ao se deparar com uma galeria de arte acaba flagrando através da vitrine um homem misterioso usando sobretudo preto tentando atacar uma jovem com uma punhalada.

Percebendo as dores excruciantes da mulher, Sam aproveita que o assassino meteu marcha e tenta a todo custo entrar na galeria e logo depois, resolve ligar para a polícia que chega horas depois com a ambulância que remove a vítima por sorte ainda viva.

O caso acaba ficando nas mãos do inspetor Morosini que toma o depoimento de Sam até que o dono da galeria e marido da vítima, Alberto Ranieri chega desesperado ao local do crime e identifica a vítima como Mônica, como eu já disse, mulher do mesmo e ele alega que a jovem estava examinando alguns livros enquanto esperava que ele a visse buscar.

Sam acaba sendo levado para a delegacia onde presta um novo depoimento e tem seu passaporte retido por ser testemunha ocular de um crime o que faz o escritor ameaçar apelar para o consulado já que ele tem os dias contados para viajar de volta para casa.

Depois de liberado, Sam caminha pela cidade enevoada até que o assassino misterioso aparece e tenta ataca-lo mas alguém consegue evitar um atentado gritando de longe para alertar o escritor enquanto o maníaco foge.

Pouco tempo depois, Sam volta para o apartamento decadente onde está hospedado com sua mulher, Julia com quem entra num coito, mas o escritor fica o tempo todo pensando no atentado na galeria.

No dia seguinte, Sam é convocado pelo inspetor Morosini para um reconhecimento de suspeitos e para itera-lo sobre pistas encontradas pela pericia no local do crime que através de um scanner tecnológico poderá ajudar a descobrir a identidade do assassino através de resquícios de DNA.

Depois da acareação, Sam é enviado ao apartamento dos Ranieri para visitar Mônica que já recebeu alta, mas o marido diz que a jovem está sedada e não poderá recebe-lo.

Em paralelo, o assassino stalkeia e fotografa sua próxima vítima em um hipódromo.

Mais tarde, Sam e Julia analisam fotos da primeira vítima do serial killer cedidas pela polícia que era uma garota de programa cujo cafetão que se chama Garullo, chegou a ser investigado como suspeito mas como ele tinha um álibi incontestável acabou sendo liberado. A segunda vítima foi uma estudante de cinema assassinada quando voltava para casa e nenhuma das duas mortes tem ligação entre si no final das contas.

Sam vai mais tarde até um antiquário onde a terceira vítima trabalhava para saber mais sobre a mesma e o patrão dela diz que no dia do atentado havia vendido apenas um quadro macabro e ele dá ao jovem escritor uma cópia fotografada do tal quadro para analise.

O quadro em questão, retrata um homem misterioso usando sobretudo e chapéu preto assassinando uma jovem em um ambiente de inverno nevado, o que provoca calafrios em Julia. Enquanto isso, o quadro original está em posse do assassino em série.

No meio da noite, uma jovem faz o caminho para casa sem suspeitar que o assassino a segue até que ela entra em sua residência onde em seu quarto dá uma tragada no cigarro para poder dormir.

O assassino invade o quarto e despe a jovem com a ajuda de um punhal a matando depois com um único golpe.

Neste mesmo momento, Morosini visita Sam para relatar um quarto assassinato que assim como os demais não tem um elo em comum entre si e pede ao escritor que o acompanhe para depor.

Sam por sua vez, está obcecado com o atentado da galeria cujas memórias permeiam sua mente incessantemente. O rapaz no entanto menciona para o inspetor o caso da prostituta e o tal do Garullo que ele pretende conhecer.

No mesmo momento, o assassino telefona para Morosini dizendo estar planejando um quinto assassinato até o final de semana.

Na manhã seguinte, Sam vai até a galeria onde encontra Mônica revigorada e esta lhe agradece por ter salvo sua vida. Logo depois, Sam vai até a prisão para visitar Garullo que foi detido recentemente por algum crime envolvendo sua rede de prostituição.

O homem que não bate bem, alega não ser cafetão e que foi preso graças a um esquema armado pela polícia.

À noite, Sam caminha com Julia pelas ruas da cidade e acaba testemunhando o atropelamento de um homem no qual ele quase é arrastado com a mulher e ao ver o responsável, um homem usando um casado amarelo e um chapéu escuro saltar do veículo armado, bate marcha rapidamente.

Sam esconde Julia numa construção junto ao beco e se lança de isca para despistar o atropelador quase sendo baleado enquanto foge chegando a um estacionamento de uma companhia de ônibus onde a perseguição segue.

Felizmente, Sam consegue pegar caminho por um armazém e chega até uma área movimentada no centro da cidade onde se mistura aos populares e vê ao longe, o atirador entrar num edifício e resolve segui-lo.

Sam pega informação com um mensageiro que o leva até uma convenção de motoristas de ônibus onde todos usam o mesmo outfit do atirador.

No dia seguinte, Sam vai até a delegacia junto de Julia para reconhecer o corpo do homem que foi atropelado.

À noite, conhecemos uma jovem chamada Gina voltando para o apartamento onde vive pegando caminho pelas escadas uma vez que o elevador está ocupado e acaba chegando à uma parte do bloco que está completamente no breu onde é atacada pelo maníaco que a mata com uma navalha.

Na manhã seguinte, Sam volta a visitar Garullo que pede ao escritor para procurar um cara chamado Faina que é um informante influente na área barra pesada da cidade e que pode conseguir informações acerca da investigação paralela sobre o assassino em série.

O tal Faina aparece no apartamento de Sam e exige um bom dinheiro e zero envolvimento da polícia em seus trabalhos alegando que até o próximo encontro deles ele conseguirá alguma informação.

Neste mesmo instante, o assassino liga para Sam ameaçando matar Julia se ele não parar de investiga-lo e o escritor grava toda a conversa e manda os rolos de fita para Morosini.

Na cena seguinte, Sam e Julia voltam a analisar o quadro do assassino do sobretudo quando Faina liga dizendo ter conseguido o contato de um ex pugilista chamado Needles que tem informações sobre o atirador e passa o contato do mesmo.

Sam vai até a periferia atrás de Needles chegando a um barraco decadente, mas a principio não encontra o homem, apenas uma seringa fresca pela metade e só depois, quando se vira para trás encontra o corpo do tal pugilista pendurado.

No dia seguinte, Sam vai com Morosini até um forense que analisou as gravações das ligações feitas pelo assassino e define que entre um rolo e outro pôde se identificar duas vozes distintas além de uma onda sonora peculiar que significa que há mais de uma pessoa fazendo as ameaças.

Horas depois, Sam leva as gravações para ouvir em casa com seu amigo, o professor Carlo que diz ter algo familiar em um som mesclado ao fundo do ambiente e promete que irá ligar se ele se lembrar de algo.

Com pouco tempo sobrando para deixar a Itália, Sam tem a ideia de pedir ao antiquário o nome do artista que pintou o quadro do assassino e ao faze-lo descobre que se trata de um tal Berto Consalvi e consegue o endereço dele.

Sem perda de tempo, Sam pega carona até os confins da cidade até um casebre humilde onde vive o mal humorado artista e para ter acesso ao mesmo, o escritor se faz passar por um comprador de arte. Consalvi desce uma escada pela janela do piso superior e ordena que Sam suba dizendo que não confia nas pessoas e por isso não o deixou entrar pela porta.

Finalmente, Sam pergunta para ao artista qual foi a influência que o fez pintar o quadro do assassino e Consalvi revela ter se baseado no caso real de um maníaco que há dez anos tentou matar uma amiga dele.

Consalvi ainda diz que ele conseguiu impedir à tempo o atentado e que graças a sua ação rápida, o maníaco foi pego e sentenciado a ficar internado num sanatório.

Em pânico, Sam vai até um telefone e liga para Julia pedindo que ela faça as malas imediatamente para que eles peguem o avião o mais rápido possível.

Na cena seguinte, o assassino vaga pela área miserável da cidade em busca de sua próxima vítima: Julia!

Julia vê pela porta, o assassino misterioso subir, se tranca e tenta telefonar mas o maníaco bate a porta a ameaçando de morte.

Em pânico, Julia tenta estourar o vidro de uma janela, mas como ela tem grades firmes ela acaba montando uma barricada na porta da frente.

O assassino rompe a porta podre com uma faca enquanto Julia procura algo para se defender e encontra uma faca que ela usa para tentar acertar o buraco da porta, mas pelo medo acaba fraquejando.

De um momento para o outro, o assassino foge assim que Sam chega e acalma a mulher que apaga por um dia inteiro.

Carlo visita o casal no dia seguinte dizendo ter identificado o ruído que eles ouviram numa das ligações do assassino e se trata do canto de um pássaro raro cujas penas brancas tem um brilho similar a um cristal e que a espécie vive no norte da Sibéria.

No entanto, o professor diz que há um exemplar do pássaro na Itália mantido sobre condições extremas no zoológico da cidade. Assim que o trio visita o zoológico, descobre-se que Ranieri, o marido de Mônica tem um loft localizado junto ao local perto da jaula do pássaro de onde dá para se ouvir o estridente canto matinal.

Matando a charada, Sam leva o inspetor Morosini até o tal loft e eles tentam entrar na marra para falar com Ranieri e o encontram agredindo Mônica.

Morosini dá voz de prisão ao galerista mas Ranieri resiste, ataca o policial com uma faca, mas na confusão ele acaba caindo da janela da cobertura.

Geral vai até a área externa do loft e encontram Ranieri agonizando revelando antes de morrer que ele é o assassino e que na noite do atentado na galeria, Mônica tentou impedi-lo.

Na confusão, Julia acaba desaparecendo e Sam sem perda de tempo a procura por toda a cidade enquanto longe dali, numa construção decadente, vemos um outro assassino colocar as luvas negras de couro.

Sam consegue uma pista que o leva até um apartamento simples onde ao subir, misteriosamente ele fica no breu ao entrar no quarto indicado e lá, ele encontra o quadro original de Consalvi na parede.

Logo à frente, ele encontra Julia amarrada e inconsciente e ao lado, Carlo com um punhal na mão. Ao tocar o professor exigindo satisfações, Sam percebe que o homem está morto com um punhal cravado nas costas e este cai sobre ele.

Ouve-se uma risada na escuridão e detrás sai não o assassino, mas a assassina verdadeira: Mônica!

Sam junta as peças e entende a charada: na verdade foi Mônica que tentou matar Ranieri na galeria e que ele é quem tentava impedi-la.

Mônica foge e atrai Sam até a vitrine da galeria onde acerta uma placa de escultura pesada com várias pontas de espinhos esculpidos o fazendo ficar preso.

A maníaca corta a palma da mão de Sam e sobe sobre a placa para fazer ainda mais peso e o tortura com o punhal o ameaçando de morte.

Do nada, Morosini aparece acertando Mônica por trás e seus homens a prendem. Morosini salva Sam e diz que Julia o contactou assim que conseguiu se desamarrar.

Na cena seguinte, dias depois, um repórter do noticiário informa a descoberta de que Mônica era a assassina em série e sua captura feita pela polícia que a transferiu para um sanatório.

Um psiquiatra chamado Rinaldi revela segundo sua analise, que há dez anos, Mônica que já tinha uma inclinação para a paranoia sofreu uma agressão que a deixou traumatizada.

No entanto, ela conseguiu se reabilitar e passou a viver normalmente pelos anos seguintes até que dez anos depois, ela descobriu o quadro de Consalvi que sim amigos, retratou o que aconteceu com ela e que ela era a amiga dele e por conta do choque com a ousadia do pintor de usar sua tragédia para lucrar, ela acabou surtando, mas ao invés de se ver como a vítima que ela era, Mônica passou a se ver como o agressor adquirindo uma dupla personalidade e então ela passou a assassinar jovens à esmo sem qualquer ligação uma com a outra.

Não bastasse isso, Mônica ainda foi hábil o suficiente para manipular Ranieri o fazendo assumir a autoria dos crimes antes de morrer além de distorcer os fatos ocorridos no atentado da galeria para protege-la.

Em paralelo com a explicação, vemos o avião com Sam e Julia decolar deixando as lembranças ruins da Itália para trás para sempre...

É visível que Dario Argento ainda estava cru quando começou a fazer cinema de terror mas ainda sim esta obra mostrou um potencial para os primórdios do subgênero slasher claramente inspirado em alguns aspectos nas obras de cineastas da época como Alfred Hitchcock.

A violência para a época está de parabéns, mostrou com crueza e leveza equilibrada como trazer o medo e a incerteza para as telas, além de momentos inesquecíveis numa trama que simplesmente não para e a todo momento reserva alguma surpresa ou reviravolta.

O filme abriu a porteira para uma trilogia que ficou conhecida como "a trilogia dos animais de Dario Argento" seguindo já no ano posterior com O gato de nove caudas e Quatro moscas sobre veludo cinza no mesmo ano.

Depois desta trilogia bem sucedida, Argento disparou com um clássico atrás do outro o consagrando como um dos mestres do terror italiano ao lado de outras lendas como Mario Bava e Lucio Fulci.

No mais, o filme é um ótimo entretenimento para quem curte um terror das antigas com muito mistério, investigação e um assassino clichê daqueles de sobretudo e luvas de couro cuja identidade é sempre imprevisível de se decifrar.     

 

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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Dolly - A Boneca Maldita / Dolly (2025)

 

Correndo atrás de resenhas de filmes recentes que atrasaram, hoje eu resolvi trazer uma das crias, senão a pior que a Shudder já distribuiu e que deu uma dividida entre críticos e fãs de terror de verdade.

Com o visual claramente chupinhado do Baby Face, antagonista de Colinas de sangue de 2009 (que já tem resenha há tempos no blog), a antagonista deste filme em questão é uma mulher enorme de força descomunal que vive numa cabana isolada na floresta escondendo segredos mortais por trás de uma máscara de porcelana no formato de um bebê.

Os protagonistas, um casal que tem a imbecil ideia de fazer trilha numa floresta afastada, os mesmos domínios de Dolly, entidade silenciosa que dá título ao filme, acabam caindo nas mãos da mascarada que abduz a jovem namorada com o intuito de fazer dela sua bebê à força.

Eu não vou falar muito para não estragar ainda mais o que já está estragado, então continuem por conta e risco.

O filme abre com um close de câmera focando embaixo de uma cômoda de um quarto onde se vê caminhar, uma pessoa de pernas tortas trajando vestido de boneca (que mais parece a Vovó Mafalda).

Depois, vemos um close de frente da tal figura que usa uma máscara de porcelana com face de bebê e uma peruca loira de boneca e esta toma conta de um corpo decapitado sob uma cama coberta de moscas.

O filme é dividido sabe-se lá por que por atos em capítulos com títulos breves que deveriam representar cada momento especifico ou seja lá o que for, então, aí vai...

Capítulo 1 - Mãe: Após a intro, conhecemos uma linda menina aparentando não mais do que oito anos chamada Evy que brinca dentro de um carro com sua madrasta Macy até seu pai, Chase busca-la para deixa-la na casa de sua tia avó Sadie para que os adultos possam ter uma pequena viagem de final de semana.

Macy e Chase estão de viagem para uma trilha na floresta que eles chegam em questão de minutos (roteiro apressado?).

A cena corta para a casa da entidade mascarada, creditada como Dolly cortando os dedos do cadáver que ela tomara conta até então e depois nina o corpo como se fosse seu bebê.

De volta ao casal, eles fazem o início da trilha à pé enquanto Dolly carrega o cadáver até uma espécie de santuário à céu aberto onde há inúmeras bonecas espalhadas pela floresta.

Perto de lá, Macy e Chase entram no território de Dolly onde as bonecas começam a aparecer penduradas em árvores onde a mulher pensa ser algum tipo de arte incompreendida.

Depois de caminhar um bom pedaço, o casal chega a um penhasco onde tiram fotos sem saber que Dolly está por perto e secretamente, Chase prepara-se para a aliança de noivado dentro de uma caixinha para fazer o pedido e casamento até que ele ouve um barulho estranho ressoando nas proximidades e resolve verificar sozinho.

Se embrenhando mais a frente, Chase encontra mais bonecas e a própria Dolly que mostra sua horrível face demonstrando estar mentalmente perturbada num surto silencioso. A entidade suspende Chase pelo pescoço com suas próprias mãos, o solta logo depois agarra uma pá iniciando uma intimidação e sem cerimônia planta o gume nas partes íntimas do rapaz e depois o planta na mandíbula de Chase a forçando até abri-la como à uma tampa de garrafa o fazendo gritar.

Capítulo 2 - Mãe: Cansada de esperar por Chase, Macy deixa o penhasco e se embrenha pelo mato à procura do namorado e encontra um radinho de brinquedo jogado e que não estava lá antes o que a faz perceber que há algo muito errado por perto.

Um pouco mais a frente, Macy encontra o cadáver sem cabeça desovado numa cova aberta e de quebra o do próprio Chase a fazendo correr de volta ao penhasco.

Lá, procurando pela chave do carro, Macy encontra a caixa com a aliança se emocionando e isso dá tempo para Dolly a encontrar dando início a outra fuga até que a jovem acaba caindo e bate a cabeça apagando na hora.

Quando volta a si, Macy é encontrada por Dolly que a agride e agarra pelos cabelos enquanto a jovem a perfura com um canivete nas costas o que faz a bonecona a suspender pelo pescoço até Macy ficar inconsciente. Dolly a leva em suas costas.

Capítulo 3 - Casa: Macy acorda num quarto de bonecas deitada em um berço de balanço e trajando uma camisolinha de menina em idade pré escolar.

Ao tentar fugir, Macy descobre que a porta está trancada e ao gritar por ajuda ela ouve a voz de um homem vindo do quarto ao lado que diz para a jovem entrar no jogo de Dolly para se manter viva e encontrar a chave da casa que sabe-se lá onde está.

Repentinamente, a porta do quarto se abre e brota um carrinho de bebê com uma bonequinha dentro empurrado por alguém do outro lado e Macy entendendo que se trata de uma brincadeira de Dolly faz o que a voz misteriosa disse e concorda em brincar devolvendo o carrinho.

O carrinho volta para dentro do quarto, mas desta vez com a face da bonequinha parcialmente destruída e Dolly entra no quarto levando Macy à força para a cozinha a deitando sobre a mesa onde a jovem percebe que as janelas estão todas pregadas por dentro.

Dolly dá uma chupeta para Macy e troca sua fralda e nisso anoitece em pouco tempo.

Na floresta, Chase que está vivo porém fodido, acorda mas ao se levantar cai ao perceber que seus tornozelos se quebraram.

Na casa de Dolly, a bonecona cuida dos ferimentos de Macy e lhe toma a aliança a estapeando assim que a jovem tenta recupera-la. Só agora Dolly retira o canivete que Macy havia lhe cravado a fazendo sangrar tardiamente enquanto a jovem e joga do cadeirão em que está para tentar fugir.

No entanto, Dolly a alcança e lhe castiga com palmadas tão fortes que só faltou arrancar a alma.

Na floresta, Chase acorda novamente e tenta se arrastar.

De volta à casa de Dolly, Macy é alimentada com uma sopinha à força e depois, a bonecona retira uma mamadeira da geladeira que a jovem toma numa golada a fazendo vomitar.

Dolly surta e tenta fazer lamber o vômito. Depois, a bonecona põe o peito de orangotanga velha para fora e força uma amamentação que culmina com Macy mordendo e arrancando o bico da teta da psicopata que se contorce numa dor silenciosa.

Macy aproveita e vai até o andar superior para tentar falar com o prisioneiro misterioso para perguntar onde está a chave e o homem sugere o porão. Sem perda de tempo, Macy vai até o porão enquanto Dolly sobe para procurar a bebê levadinha que se esconde ao perceber a ameaça se aproximar.

Pelas costas, Macy surpreende Dolly a golpeando e dá o pinote até o porão onde encontra muitas bonecas cercadas de velas acesas e numa das bonecas, a cabeça do corpo decapitado costurado com a chave num cordão em volta do pescoço que ela retira vencendo o medo e o nojo.

Dolly alcança e agarra Macy mordendo sua orelha até deixa-la pendurada levando a jovem de volta para o quarto de bonecas onde tem a chave confiscada.

Macy tenta enganar Dolly e engatinha até ela e a bonecona a pega no colo e a nina numa cadeira de balanço enquanto costura a orelha da jovem no lugar.

Amanhece na floresta e Chase segue se arrastando e grita por Macy.

Capítulo 4 - O pai: Macy amanhece no colo de Dolly que dormiu de exaustão e tenta sair de cima na ponta dos dedos. Lentamente, Macy se aproxima da chave e consegue recupera-la se afastando de ré.

Ao chegar no corredor, Macy ouve o prisioneiro do quarto ao lado e destranca a porta encontrando o quarto no breu absoluto. O homem está acorrentado e de pijama caipira clássico e este diz que a chave do quarto também serve para abrir o cadeado da corrente.

O homem diz estar preso há meses e que assim que eles fugirem irá explicar tudo o que aconteceu.

Macy percebe respingos de sangue pela parede e na outra extremidade, o corpo de um homem mais jovem que o prisioneiro diz que era seu irmão que o estava procurando depois que ele desapareceu, mas que Dolly acabou o abduzindo antes e o matou em sua frente como retaliação.

O homem muda de postura, agarra Macy por trás e pede que ela o tire do quarto fazendo-a como refém.

Os dois descem cautelosamente e o homem chama por Dolly se referindo à ela como "Docinho" e ameaça degolar Macy. O homem risca o rosto de Macy para atrair Dolly e volta a chamar pela boneca que aparece munida da pá e ao ver seu bebê sob ameaça, a bonecona destranca a porta dos fundos.

O homem toma a pá de Dolly e a espanca. Macy aproveita e esfaqueia o homem por trás e ao se virar para encarar a jovem, o homem tem sua barriga atravessada pelo punho da bonecona sangue nos olhos que termina por mata-lo com vários golpes de pá na cabeça até estoura-la por completo.

Depois, Dolly leva Macy para o quarto de boneca silenciosamente de onde a jovem tenta fugir mas é agarrada e esganada. Nisso, Dolly estranhamente vê a pequena Evy, a enteada de Macy pela mente da jovem e a solta ao mesmo tempo que a jovem a chama de mamãe.

Macy tenta dissuadir Dolly dizendo que a ama mas as duas acaba entrando num conflito ao mesmo tempo que Chase chega finalmente na frente da casa da raptora mascarada. Ao ouvir Chase gritar por seu nome, Macy se joga pela janela sem pensar duas vezes.

Capítulo 5 - Reunião: Macy aterrissa deveras ferida e encontra Chase o abraçando emocionada e comovida pelo estado da mandíbula do namorado. Em prantos, Macy faz juras de amor eterno e ao tentar iniciar uma fuga, dá e cara com Dolly puta da vida que castiga sua bebê terminando de arrancar a mandíbula solta de Chase o matando de vez.

Desconsolada, Macy foge e durante a perseguição, ela tem uma alucinação com Evy sozinha na floresta entre as bonecas e entra em surto.

Dolly encontra Macy que tenta contra-atacar com um pau e consegue uma brecha para fugir ao quebrar um pedaço da máscara da maluca. A fuga no entanto é curta pois Macy cai novamente e desta vez dentro da cova do corpo sem cabeça.

Capítulo 6 - A luta: Macy se recompõe rapidamente e Dolly a alcança e tenta acertá-la com a pá, mas a jovem abraça o cadáver descabeçado fazendo a bonecona recuar com medo e joga o corpo em cima da doidona conseguindo uma brecha para pegar a pá e acertar a algoz dentro da cova.

Depois de praguejar, Macy entra na cova  e é agarrada por Dolly e é aí que vemos uma parcela do rosto da boneca completamente queimado. Macy consegue acerta-la e corre floresta adentro.

Capítulo 7 - O adeus: Um policial creditado como Billy surge na floresta e Macy acaba o encontrando e denuncia Dolly ordenando uma evacuação imediata.

Billy contacta a central pelo rádio e descobrimos que ele já havia recebido outros chamados acerca da bonecona que surge no mesmo instante.

Macy grita para o policial entrar na viatura mas Dolly o acerta com a pá por trás e o decapita.

Depois, Dolly provoca Macy que pragueja contra a bonecona que desaparece. Em fúria, Dolly reaparece e começa a demolir a viatura mas a jovem segura a pá e a acerta.

Macy liga o carro e Dolly fica na frente do veículo sendo atropelada. A jovem desce do veículo para se certificar que terminou o trabalho, pega a aliança de volta e retorna ao carro.

Seguindo a fuga, Macy entra em prantos e do nada começa a gargalhar insanamente ao maior estilo Sally Hardesty do original O massacre da serra elétrica em seu final icônico no capô da caminhonete. 

A tela fica escura aos poucos e entra a música dos créditos finais que é uma canção caipira cujo final prenuncia uma suposta sequencia do filme.

Abre uma cena pós créditos onde vemos uma dupla de policiais e um caipira local falando com uma pessoa misteriosa que um tal de Tobe Wilkerson foi pego e que eles encontraram uma mulher vestida de boneca...

Espero eu que esta sequencia nunca chegue, pois o meu temor é que ela sofra da síndrome de Terrifier, ou seja, que não explique nada das dúvidas que o filme atual deixou e que ainda por cima plante mais dúvidas para uma possível outra sequencia que fará o mesmo.

E para mim o maior problema do filme é este: nada é explicado, a gente não sabe quem é Dolly, por que ela vive daquela forma, por que ela não fala, quem era o prisioneiro e sobretudo quem era o tal Tobe e a pessoa misteriosa da cena pós créditos.

A única teoria plausível é que Tobe é o prisioneiro, afinal o ator que lhe deu vida está creditado com este nome e que ele era pai de Dolly. Porém aquele papo de que ele estava desaparecido e o suposto irmão o estava procurando caga com esta teoria a menos que Tobe tenha mentido e na verdade o morto era um prisioneiro aleatório que Dolly queria inicialmente como bebê e por conta do pai ter tentado impedi-la ele ficou preso.

Agora outra teoria que eu bolei é que Tobe abusava de Dolly e que ele a queimou. Além do mais o fato dela não falar não é por ser muda por se fosse ela emitiria gritos de dor, então o provável é que num de seus abusos, Tobe arrancou ou a língua dela ou as cordas vocais.

O mais provável é que o corpo decapitado era da mãe de Dolly, mas que Tobe foi que a matou senão ela não teria a preservado até onde deu e muito menos feito um altar para a cabeça dela. O que eu acho é que a mãe era a única que defendia Dolly e talvez numa tentativa de violência sexual é que o assassinato tenha ocorrido e por isso Dolly se voltou contra o pai e o trancou para não mata-lo.

Teria sido tudo mais simples com uma cena em flashback para explicar tudo mas parece que o roteirista ou se esqueceu ou achou que o filme venderia apenas se valendo de violência extrema com efeitos práticos muito bons, uma personagem mascarada com a promessa de revitalizar o subgênero slasher com algo clássico.

O único rosto conhecido, pelo menos para a maioria e que se quer teve um script bem desenvolvido foi Seann William Scott, o grandioso Stifler da franquia American Pie, aqui vivendo até demais como Chase. É sério, o cara viveu tanto na pele de Stifler a vida toda que quando vai fazer algo diferente é um filme B distribuído por uma plataforma grande, mas que só serve de saco de pancada e ainda desafia as leia da física falando normalmente e coordenadamente mesmo tendo a mandíbula completamente quebrada.

O filme tenta referenciar, ou eu diria copiar na cara dura uma coisa ou outra de algum clássico como o final enfadonho de Macy que como eu mencionei, é um copia e cola mal feito do final da mocinha de O massacre da serra elétrica. O roteirista jurou que ninguém ia perceber?

No mais, o filme é todo genérico, fica muito preso a uma só personagem, se desenvolve muito lentamente e é mal escrito, mal dirigido, mal produzido e merece ficar no limbo do esquecimento.   

 

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sábado, 10 de outubro de 2026

Todas as noites às Nove / Our Mother's House (1967)

 

Voltando bem ao tempo, eu trago hoje a resenha de um filme bem obscuro que trás um thriller cheio de drama familiar que apesar de leve não deixa de ser perturbador e que tem um desfecho de partir a alma, pois os algozes e ao mesmo tempo vítima das circunstância são simples crianças.

A trama se passa num bairro simples e tranquilo onde após a morte da mãe doente por conta de seu fundamentalismo que a fez negligenciar cuidados médicos, seus sete filhos temendo a separação imediata e outros infortúnios acabam ocultando o cadáver no quintal e a esconder o ocorrido como podem.

Tudo ia bem até que o pai das crianças retorna ao saber do capital que a ex mulher deixou aos filhos e inicialmente é conivente com o golpe dos pequenos, mas aos poucos vai revelando seu caráter esbanjador, pavio curto e mulherengo que fez com que ele abandonasse a família e a partir daí a situação começa a ficar descontrolada tornando o dia a dia um verdadeiro inferno.

O filme abre na casa dos protagonista, sete crianças filhos de uma mãe doente terminal em seu dia a dia penoso entre os estudos e os cuidados da mãe. São eles: Elsa, a menina mais velha, Hubert o menino mais velho e racional, Dunstan o cabeça quente, Gerty a menina mais nova e mais liberal, Jiminee que apesar de ter dificuldades na fala possui uma genialidade ímpar, Diana a segunda mais velha porém imatura e religiosa e o caçula Willy que o que tem de inocente tem de inconsequente.

As crianças contam com os cuidados constantes de uma vizinha e amiga da mãe chamada senhorita Quayle que está sempre por perto para manter a disciplina.

A doença da mãe acaba a levando para à morte tendo Elsa como sua última luz e Hubert é o primeiro a saber do ocorrido mas é a irmã mais velha quem acaba dando a notícia aos demais e a mais afetada é Diana que tem uma crise de nervos e de negacionismo e só se acalma quando Elsa lê uma passagem de um livro de poesia da mãe.

Com os ânimos frios, as crianças tomam chocolate quente enquanto os mais velhos planejam o que fazer com o corpo da mãe que era uma religiosa fundamentalista que se negava a receber todo e qualquer cuidado médico.

Horas depois, ao colocar os caçulas na cama, Elsa anuncia aos demais que a mãe deixou um testamento e ao lerem se descobre que a falecida deixou aos pequenos a casa e algum dinheiro de uma conta no banco.

As crianças se dão conta de que se a morte da mãe for exposta eles perderão tudo o que lhes restou e ainda por cima serão levados para orfanatos diversos e então eles resolvem manter segredo.

Na manhã seguinte, os filhos mais novos não encontram a mãe sobre a cama e isso por que os mais velhos a sepultaram secretamente no jardim e Elsa e Hubert instruem os irmãos a manterem a farsa da morte da mãe até mesmo para a senhorita Quayle.

Elsa leva os irmãos para a escola e os encorajam a se manterem firme mesmo com a dor do luto.

Ao anoitecer, as crianças oram e passam os dias seguintes reprimindo sua dor em público.

Certo dia, Elsa vai ao banco com o último cheque de um benefício que a mãe recebia com uma carta falsificada por Jiminee supostamente em nome da mãe para conseguirem sacar o dinheiro sem a presença de um responsável e o plano dá super certo.

A senhorita Quayle encontra Elsa casualmente e pergunta sobre a mãe da menina que mente dizendo que a falecida viajou para o litoral para se tratar por ordens médicas, mas sabendo das crenças da mulher, a tutora das crianças contradiz Elsa que a insulta e a dispensa de suas atividades como guardiã.

Pouco depois, as crianças recebem uma carta de um homem chamado Charlie Hook que Elsa diz ser o pai que os abandonou ao Deus dará e que ela odeia mortalmente e ela pede à Hubert que não conte nada aos irmãos.

Perto dali na vizinhança, um estranho de moto de muito bom coração dá uma breve carona para Gerty até o portão da casa e Dunstan vê tudo da janela fazendo o ocorrido vazar para os irmãos mais velhos que fazem uma assembleia para julgar a irmã e dadas as circunstâncias ela é tomada como uma vadia vulgar e sentenciada a ter seus lindos cabelos cortados o que acaba deixando Gerty deprimida.

Hubert tocado, consola e nina a irmã e resolve tomar partido dos mais novos como tutor e tenta apelar para Elsa para que ela chame um médico para Gerty alegando que ela está muito doente (por conta da depressão que se aprofundou), mas a mais velha é firme em manter as crenças da mãe na anti medicina.

Na manhã seguinte, Hubert falta à aula para tomar conta de Gerty que piorou a ponto de se pôr em estado catatônico e se quer consegue comer o pouco que a família tem.

Anoitecendo, Jiminee leva para casa um amigo deveras tímido chamado Louis dizendo que ele fugiu de cada e por isso irá morar com eles.

Os irmãos entram numa reunião para decidir o que fazer e a democracia vence decidindo pela maioria acolher Louis.

Na manhã seguinte, as crianças brincam pela casa para animar Louis até Willy chegar gritando para anunciar que Gerty melhorou milagrosamente e com fome de pãozinho.

A professora dos mais novos, a senhorita Bailey aparece na casa das crianças querendo falar com a mãe acerca do desaparecimento de Louis sabendo que ele foi visto pela última vez com Jiminee.

Bailey apela e vai até o quarto da falecida não a encontrando e insiste em obter respostas ameaçando levar o caso às autoridades e nisso, chega de surpresa o tal Charlie, o pai das crianças que pede explicações e Elsa insiste na história da viagem para o litoral e o homem contorna a situação permitindo que Louis vá para a casa com a docente.

Elsa recusa a ajuda e a presença do pai, mas os irmãos fazem resistência como maioria favorável para que Charlie fique e se responsabilize por eles já que ele está sendo conivente com suas mentiras.

As crianças fazem uma reunião e Elsa faz que está recebendo o espírito da mãe e supostamente fala por ela. Ao final, Elsa diz que a mãe permitiu que ele fique na casa, mas o recrimina pelo abandono pois ela é a única que se lembra do passado sujo do homem entre farras e bebedeiras.

Charlie acaba se iterando da morte da ex mulher e do golpe das crianças pelo medo da separação e resolve fazer vista grossa uma vez que ele sabe do conteúdo do testamento.

O pai das crianças mantém o papel de responsável contando histórias sobre suas andanças pelo mundo e passa o tempo brincando com os caçulas.

Numa dessas brincadeiras no quintal Willy acaba se machucando e para acalmá-lo, Charlie o nomeia "rei do castelo" e o coloca sobre um barraco onde as crianças montaram um tabernáculo para guardas os pertences da mãe que eles tem como sangrado. Quando Charlie percebe a face de ofendidos pela profanação dos outros filhos, o homem põe o caçula no chão e contorna a situação.

Mais tarde, Charlie vai ao hipódromo com Dunstan e Jiminee para apostar nos cavalos e mais tarde toma conta dos filhos enquanto Diana recita uma oração.

Em outro momento, Charlie e Dunstan encontram a senhorita Quayle no bonde e o homem acaba se contradizendo ao falar sobre a falecida mulher dizendo que ela está internada num sanatório e não no litoral.

Na hora de dormir, Elsa encontra Dunstan, Jiminee e Willy acordados dançando com música alta e deduz que os meninos foram mal influenciados pelo pai.

No dia seguinte, Quayle faz uma visita de inspeção insatisfeita com a história mal contada da mãe das crianças.

Elsa reúne os irmãos para falar sobre as gastanças e bebedeiras de Charlie e leva um tapa em Diana que acredita no pai resistindo às acusações de negligência.

Charlie muda da água para o vinho com a confusão causada pelas crianças e usa dos dotes de Jiminee o manipulando para falsificar a letra da mãe em uma procuração que o torna proprietário da escritura da casa.

Em poucas horas, Charlie aparece com um carro novo na frente de casa e com exceção de Elsa, os demais saem para estrear a caranga nova do pai.

Noutro momento, Charlie leva as crianças para passear de barco no lago do parque seguindo por uma caminhada até o anoitecer quando o homem sai para farrear com vagabundas.

Na manhã seguinte, Elsa recebe um vizinho chamado Halbert enquanto Diana leva o café na cama para o pai e o encontra dormindo com duas vagabundas se decepcionando.

Halbert recrimina Charlie pela farra barulhenta que ele fez na noite anterior e acaba sendo maltratado e posto para correr. Depois disso, Charlie consola Diana e a faz beija-lo na boca deixando-a ainda mais confusa.

Na cena seguinte, Charlie tem uma discussão acalorada com Quayle sobre a tal farra o fazendo se enfurecer.

Perto do anoitecer, Willy mostra aos irmãos que as coisas do tabernáculo foram levadas e que o pai gastou toda a poupança do último cheque da mãe. Como se não bastasse, Charlie ainda conseguiu tornar Quayle sua amante e ainda a leva junto para a farra.

Horas depois, um agente imobiliário chamado Moley e dois clientes aparecem na casa das crianças interessados em comprar o imóvel revelando que Charlie vendeu a escritura.

À noite, Elsa revela aos irmãos uma carta de despedida que Charlie deixou antes de abandona-los quando eles eram muito pequenos para se lembrarem expondo o verdadeiro caráter do homem.

Charlie chega horas depois e Elsa em conluio com os irmãos confronta o pai à respeito da venda da casa e ele os enrola dizendo que na verdade apenas hipotecou o imóvel por que ficou endividado.

Enfurecido, Charlie diz que legalmente, tudo o que pertence aos filhos é dele, pois ele tem uma procuração que os representa uma vez que eles são menores de idade e que irá mandar todos os sete para um orfanato por vingança à ex mulher pois no ponto alto de sua relação ela se converteu e a partir de então a vida ao lado dela tem sido um inferno com tanto fanatismo. O estopim acontece quando Charlie grita que seus filhos são todos bastardos pois a ex era uma pecadora.

Farta, Diana o acerta com um espeto de lareira o matando instantaneamente.

Pouco tempo depois, Quayle chega na porta da casa das crianças pedindo para entrar e geral faz silêncio. Acreditando que Charlie a enrolou para ficar com as putas, ela o pragueja deixando claro de uma vez para todos os resistentes que tipo de homem covarde, interesseiro e volúvel que ele era e vai embora enquanto as crianças vertem em lágrimas de decepção e dor.

As crianças entram numa rápida assembleia sobre como proceder com o corpo e se resolve deixa-lo ao Deus dará como ele fez e ir embora da casa pois legalmente geral vai ficar sem nada mesmo.

Elsa e os irmãos saem com o pouco que podem levar e caminham pelo breu da noite sem destino mas felizes por que eles tem uns aos outros mas por outro lado, jamais poderão voltar a confiar em qualquer adulto novamente...

Sim, o filme é isso, um único momento realmente assustador que é o castigo final que ocorre de forma crua e rápida mesmo se tratando de um filme do final dos anos 1960 onde a violência ainda era um tabu e mal se podia mostrar qualquer vestígio de sangue.

E o fato de que uma criança manchou suas próprias mãos e a consciência com sangue por certo deve ter deixado o público da época em choque, fora os constantes conflitos entre pai e filhos e as cenas em que Elsa supostamente era possuída pelo espírito da mãe.

Se você espera algo mais violento e frenético nem perca o seu tempo, pois como dito lá em cima o filme é um thriller e tem boas doses de drama e filmes assim se valem mais de palavras do que de ação propriamente dito. 

Eu por minha vez gostei bastante, achei as crianças carismáticas e cheias de personalidade o que me fez conseguir distinguir bem quem era quem e mesmo sabendo que os pequenos cometeram um crime atrás do outro a gente acaba se apegando e torcendo para que eles acabem encontrando um fim satisfatório, o que acontece de fato.

Apesar de obscuro hoje, o filme já teve alguma relevância por estas terras já que ele recebeu dublagem lá da década de 1970, 1980 com vozes marcantes da velha guarda, o que se supõe que em algum canal aberto o filme por certo passou mas infelizmente batido apesar da dublagem clássica ter sobrevivido com o tempo.       

 

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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O que Outubro construiu / The houses October built (2014)

 

Desta vez eu trago a resenha de um filme bem underground que chamou a atenção na época em que foi lançado pois mesmo sendo um filme independente ele tem muita qualidade e trouxe um respiro para o subgênero found footage que já estava saturado com tanta Atividade paranormal saindo ano após ano.

O filme em questão nos leva a um grupo de amigos que resolvem rodar pelos Estados Unidos durante a semana do Halloween em busca de eventos de melhores casas mal assombradas até encontrarem informações sobre um grupo de atores de dia das bruxas que empregam meios realistas de entretenimentos que dão desde simples sustos até tortura física extrema.

O que o grupo não esperava era cair nas mãos deste grupo e serem perseguidos de cidade em cidade até caírem em seu domínio e sofrerem a pior noite de suas vidas, aliás a última.

O filme abre com uma reportagem sobre um evento de Halloween entrevistando atores e turistas que viajam de cidade em cidade em busca de casas assombradas artísticas como meio de entretenimento.

Uma outra reportagem fala sobre o índice de jovens que desaparecem nessas brincadeiras pelas casas assombradas e nunca mais são vistos sendo dados oficialmente como mortos pela polícia.

A cena corta para uma gravação feita em uma câmera amadora onde vemos uma jovem desacordada no porta-malas de um veículo em movimento até parar e ela acordar e ser levada para a algum lugar.

Voltamos seis dias no tempo para entender cronologicamente como a trama do filme aconteceu até os dias atuais e somos levados à um bar country em Ohio onde conhecemos um grupo de amigos formados pelo casal Zack e Brandy e seus amigos Jeff, Bobby e Mikey e eles estão organizando uma viagem de motor home pelo Texas durante a semana de Halloween para visitar e documentar as casas assombradas mais assustadoras sendo o principal destino uma casa onde um grupo de atores nômades conhecidos como Blue Skeleton oferecem um susto realista.

A cena transita para um depoimento real de um popular em um evento de Halloween no presente e depois voltamos ao primeiro dia de viagem do grupo de Zack e Brandy onde Bobby e Mikey se preparam para receber os amigos.

Com tudo pronto, a equipe parte filmando ruas enfeitadas para o Halloween e depois eles param em um supermercado para comprar suprimentos até voltarem a pegar a estrada.

Um tempo depois, a equipe chega ao primeiro evento de Halloween no centro de uma cidade e os festejos começam com o cair da noite atraindo muita gente fantasiada e atores fantasiados para assustar nas casas assombradas locais.

A equipe se divide e parte vai até uma das casas assombradas cujo interior parece mais uma rave e uma das figuras mais pitorescas e misteriosas que os jovens encontram pelo caminho é uma atriz fantasiada e mascarada como uma boneca de porcelana muito creepy além de um palhaço igualmente assustador.

Neste momento, Zack tenta filmar a tal equipe de atores mas são hostilizados depois de provocarem arruaça com os mesmos e acabam expulsos tendo que encerrar a primeira noite acampando no meio da relva.

No meio da noite, Jeff acorda de seu sono e ouve um barulho vindo de fora e sai para verificar e dá de cara com uma figura usando uma máscara de Halloween mas é só Bobby que lhe dá um susto.

Na manhã seguinte, a equipe pega estrada com muito bom humor até anoitecer e eles pararem na cidade próxima para montar acampamento, acender uma fogueira e tomar uma boa cerveja gelada e discutir sobre a próxima festividade.

Depois, geral se diverte num jogo e paintball onde os alvos sã atores vestidos como mortos-vivos.

Passada a diversão a equipe dá segmento à viagem até que no meio do caminho eles dão de cara com aquela atriz vestida de boneca com máscara de porcelana que os observa do lado de fora do trailer.

A misteriosa figura sobe no veículo e encara geral emitindo logo depois um grito muito estranho e tão rápido quanto chegou ela se vai sumindo na escuridão.

A cena corta para outra reportagem de turistas se divertindo às vésperas de Halloween e volta a cortar para a equipe de Zack pegando estrada na manhã seguinte.

Chegando na próxima cidade, os preparativos para um festival de Halloween vão de vento em polpa e o dia logo vira noite com a equipe se divide sendo que Jeff sai para filmar no meio do mato e encontra um maluco vestido de coelho do capiroto com o traje sujo de sangue e um machado em mãos. O maluco corre atrás de Jeff que tropeça mas consegue fugir do susto chegando até Bobby.

De volta à cidade, o festival segue com muita gente e Brandy e os rapazes entram numa casa assombrada deveras realistas onde pessoas parecem estar de fato sendo abduzidas e uma outra pessoa é presa dentro de uma geladeira.

A equipe corre no meio da escuridão até entrarem dentro de uma cela que treme por um instante e depois de serem soltos, geral sai do local e seguem por um quarto de criança onde se ouve um choro de bebê e outros atores perseguem a equipe até a saída da casa.

A cena corta para outra reportagem em outro festival de Halloween e corta novamente para o dia seguinte da viagem da equipe de Brandy que leva o dia quase todo e eles param na próxima cidade no final do entardecer montando acampamento.

Ao anoitecer, os rapazes vão à uma boate de strip e enquanto Mikey curte as primas enquanto Jeff e Bobby tentam descolar com alguns populares informações sobre onde eles podem encontrar a trupe do Blue Skeleton e um dos clientes menciona que numa cidade próxima eles encontrarão um tal cara em um tal bar que pode dizer onde eles podem encontrar os atores.

Na saída, a equipe já reunida encontra um ator fantasiado de palhaço que tem uma forte discussão com eles mas tudo termina em pizza.

Mais tarde, todo mundo dorme exceto alguém que filma a equipe dormir silenciosamente.

A cena corta para outra reportagem de festival de Halloween e volta a cortar e a noite se torna dia num piscar de olhos e a equipe acorda descobrindo que alguém os filmou à noite e postou em algum fórum sem avisar e a culpa acaba recaindo sobre Bobby que nega.

Mikey tem um ataque de náusea ao encontrar um coração fresco de vaca na geladeira e depois do mal estar, a viagem segue pelo dia inteiro até a equipe entrar na próxima cidade onde entram num bar barra pesada onde procuram pelo tal cara que sabe onde a Blue Skeleton pode ser encontrada.

Geral fica desconcertado com a reação dos clientes enquanto tentam beber uma cerveja e do nada, um cliente fantasiado de zumbi hostiliza os rapazes enquanto Brandy é assediada por alguns homens que a filmam na saída do banheiro.

A equipe acaba sendo enxotada do bar e seguem viagem e no meio do caminho, ouve-se um ruído de batida no capô do trailer seguido da luz sendo cortada fazendo geral se mobilizar no meio da escuridão para verificar.

Ao saírem, a equipe encontra um monte de gente fantasiada parada em volta do veículo os encarando até que a luz é restabelecida e os malucos desaparecem do nada.

Segue outra reportagem perto da noite do Halloween e chegamos ao dia seguinte que já é finalmente Halloween e a equipe toma o café dentro do trailer que é alvo de uma chacoalhada do lado de fora.

Jeff sai para verificar e encontra uma abóbora com um bilhete escrito para a equipe cortar a fruta. Ao faze-lo geral encontra um convite para casa assombrada dos Blue Skeleton que deixaram como assinatura crânios de caveiras azuis de decoração na frente do para-brisa.

Chegando à próxima cidade, o festival de Halloween junta pessoas vindas de várias partes do mundo numa avenida intensamente iluminada e com muita música rolando.

No decorrer dos festejos, Jeff acaba se perdendo de Brandy e dos outros e segue quem parece ser Bobby até um beco onde ele é pego pela boneca de porcelana e os outros Blue Skeleton da qual ela faz parte sendo abduzido depois de atacado brutalmente.

Na cidade, Zack e os outros dão por falta de Jeff e tentam ligar para o celular dele não obtendo retorno algum. Depois, eles encontram um bilhete da Blue Skeleton informado que eles tem Jeff em seu poder e se não seguirem suas instruções e forem para o local indicado o rapaz morre.

Zack vê um maluco vestido de caveira o encarando de longe e ao tentar sair para tirar satisfações o trailer sofre um grande chacoalho fazendo Mikey cair e ele tenta ligar para a polícia mas é impedido para manter a integridade de Jeff intacta.

Dois Blue Skeleton invadem o trailer e abduz geral os amarrando e encapuzando-os e os levam para dentro de um ônibus que durante o trajeto faz rápidas paradas para que cada um dos rapazes desça em um ponto específico sobrando apenas Brandy que é desamarrada e deixada na frente da casa assombrada da trupe.

Lá, Brandy é obrigada a filmar seus amigos sendo torturados e durante o trajeto se ouve ruído de motosserra e gritos de dor, uma menininha assustadora encarando a jovem na porta principal, há uma perseguição em outro cômodo que culmina com o ruído da motosserra novamente e desta vez se nota que um doa rapazes da equipe foi morto aos pedaços.

Depois, a câmera flagra o maluco vestido de coelho com o machado e tudo fica escuro indicando que alguém foi assassinado lá mesmo.

Seguindo pelos corredores, Brandy encontra Mikey preso numa cabine de vidro pedindo socorro até que alguns Blue Skeletons surgem detrás da porta da cabine a arrombando dando a entender que depois daquilo será o fim de Mikey.

Por fim, Brandy é agredida por um Blue Skeleton até derrubar a câmera e cair inconsciente.

A cena que segue é Brandy sendo jogada no porta-malas de um veículo, e sim era ela na cena inicial do filme e ela acorda sendo levada para algum lugar.

A cena corta novamente e abre com Brandy dentro de um caixão que é fechado por um dos Blue Skeleton igualmente aos seus amigos que são gradativamente enterrados vivos.

Brandy acorda e começa a gritar para os amigos em prantos que acordam e se veem presos tentando sair inutilmente.

No fim, o líder da trupe que usa máscara de caveira chorando sangue quebra a quarta parede nos encarando.

O filme fecha com uma entrevista de um ator de casa assombrada no final do festival com a maquiagem parcialmente retirada dizendo que os sustos que ele e sua trupe causam são meramente seu trabalho e que quando ele está fantasiado ele é outra pessoa totalmente oposta e que ele precisa desta transformação para extravasar...

O filme consegue causar um belo mal estar com seu clima frio e escuro mas demora um pouco à engrenar sendo que muito possivelmente daria para ter se enxugado cerca de umas meia hora para a trama não ficar embarrigada.

No entanto, a espera é compensada por ótimas atuações sobretudo dos principais Blue Skeleton como por exemplo é claro, a boneca de porcelana que é a marca registrada do filme e uma figura marcante que dá muito medo pelo seu semblante silencioso e ameaçador além da sua indumentária ser deveras bem produzida.

Os atores em sua maioria atuam como eles mesmos utilizando seus nomes reais, talvez um artifício inspirado em A bruxa de Blair de 1999 que se utilizou deste mesmo com o trio de protagonistas, o que alias corroborou para que o medo da obra fosse ainda maior por conta do marketing agressivo do suposto desaparecimento dos protagonistas.

Alias, Bobby Roe, que dá vida à Bobby é o diretor e idealizador da porra toda e Mikey, seu irmão na vida real foi o produtor e juntos eles ainda voltaram a trabalhar em 2017 na sequencia de O que outubro construiu ignorando que os personagens teriam sido enterrados vivos para morrer apenas limitando aquilo à um susto e que os protagonistas além de sobreviver com sequelas pelo trauma ainda resolvem voltar à casa assombrada da Blue Skeleton para juntos superarem o medo deixado pela experiência.

A cena final onde geral é enterrado vivo poderia ter sido mais brutal se o diretor tivesse assumido uma postura mais parecida com Megan is missing e só tivesse mostrado a equipe sendo enterrada pela ótica do algoz e não tivesse mostrado através de câmeras de visão noturna a reação de Brandy e dos outros, o que para mim soou artificial e até mesmo um pouco hilário, talvez pelo péssimo enquadramento e as atuações amadoras; enfim.         


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sábado, 3 de outubro de 2026

A Cura / Cure / キュア (1997)

 

Seguindo a cota de filmes asiáticos de todo mês, hoje eu trago um clássico que há tempos eu venho tentando trazer mas que sempre acaba não dando certo, e agora sim o momento finalmente chegou.

Se trata de Cure de 1997, uma das crias mais viscerais de Kiyoshi Kurosawa (Pulse, Loft, Serpent's Path, entre outros) e também a mais complexa já que tem uma trama mais puxada para o lado psicológico.

Na história, temos um detetive a polícia que está investigando uma onda de assassinatos cujos executores não se lembram de tê-lo cometido e a única ligação entre eles é um homem misterioso com amnésia e muita astúcia para manipular o psicológico das pessoas.

A medida em que vítimas vão aparecendo, o misterioso amnésico vaga de hospital para delegacia, de delegacia para a casa de algum popular e daí para frente fomentando a dúvida sobre sua identidade e sua motivação.

O filme abre numa clínica psiquiátrica onde uma jovem paciente passa por uma consulta com seu terapeuta após ler um livro de contos intitulado "Barba azul" que termina com a morte do protagonista.

A cena corta para as entranhas de uma casa decadente onde um homem espanca uma mulher até a morte com um cano de ferro na cama dela.

O caso acaba caindo nas mãos de Kenichi Takabe, detetive da divisão de homicídios da policia que ao chegar ao local do crime encontra o corpo terrivelmente mutilado e um único cartão de identificação do assassino.

Na saída da residência, Takabe muito perspicaz encontra o assassino escondido dentro de um duto completamente nu e em estado de choque.

Na cena seguinte, Takabe analisa a gravação do interrogatório do assassino e descobrimos que outros assassinatos vem acontecendo naquela mesma cidade de forma misteriosa e sem conexão aparente entre cada caso.

A cena corta para a praia onde um andarilho é encontrado aparentando confusão que aborda um rapaz chamado Tôru Hanaoka lhe perguntando a direção da praia, se ele o conhece e volta e meia vive repetindo uma mesma pergunta e revela por fim estar sofrendo de perda de memória.

O misterioso andarilho desaba sobre Tôru que o leva para casa onde vive com sua esposa Tomoko.

Ao analisar as coisas do estranho, Tôru descobre que o andarilho se chama Mamiya por conta de seu sobrenome no casaco e depois tenta fazer o rapaz reagir e se esforçar para se lembrar de qualquer coisa que o ajude a encontrar o caminho de casa.

Mamiya no entanto pede para Tôru falar sobre ele e descobrimos que o bem feitor é professor de ensino fundamental. Depois, o andarilho pede que fale sobre Tomoko dizendo tê-la reconhecido por conta de um roupão cor-de-rosa.

Em paralelo, Takabe segue suas investigações até voltar para casa onde toma uma cerveja com sua mulher Fumie que é nada menos que a jovem da cena inicial e o motivo dela frequentar terapia é que ela não está nada bem da cabeça, o que faz com que a relação dos dois esteja esfriando aos poucos.

Mesmo com um notório afastamento, Takabe conta para Fumie como foi seu dia e menciona seus planos de tirar umas férias e viajar com a mulher assim que fechar o caso que está investigando.

Na casa de Tôru, estranhamente o professor tenta cometer suicídio se jogando da janela enquanto do lado de dentro da residência vemos rastro de sangue na cama do casal indicando que um crime hediondo acabara de acontecer.

Takabe é notificado sobre o assassinato de Tomoko pelas mãos de Tôru que sobreviveu mas está em choque e alega que o demônio o obrigou a matar sua mulher. O detetive vai até o hospital visitar Tôru e o professor apresenta confusão mental e depois tem uma crise de choro e histeria ao cair a ficha sobre o que ele fez e nisso ele tenta se agredir.

Cada vez mais aprofundado nos casos de homicídio, Takabe tenta buscar alguma resposta com seu amigo Sakuma que é psiquiatra à serviço da polícia e que está à cargo da internação de Tôru e outros assassinos e o profissional diz ao detetive para ele não se envolver demais com os casos pois está se sobrecarregando.

Neste momento, uma pessoa em choque em cima de um terraço silenciosamente se posiciona para se jogar e um policial aparece ordenando que ele fique parado para que ele possa chegar até o popular, mas o suicídio é imediato.

Anoitece e Mamiya é encontrado por uma dupla de policiais chamados Oita e Tamura e o amnésico segue o mesmo modus operandi fazendo perguntas na tentativa de se encontrar deixando claro que sua memória vive resetando e por isso ele se quer sabe como chegou à delegacia.

Mamiya acaba ficando à sós com Oita e pede que o policial fale um pouco de si para ele.

Na manhã seguinte, Mamiya passa por um checkup pelas mãos da doutora Akiko Miyajima enquanto Takabe procura Sakuma para falar sobre sua teoria dos assassinatos em massa terem sido motivados por algum tipo de hipnose, o que é negado categoricamente.

Em paralelo, na saída da delegacia, o policial Oita do nada executa seu parceiro Tamura com um tiro.

Fumie enquanto isso, volta ao consultório de seu terapeuta para mais uma sessão.

No consultório da doutora Akiko, Mamiya termina seu checkup e diz para a profissional que pode ver o que existe dentro das pessoas e que ele percebeu que a médica tem um vazio existencial. Ele pede para Akiko falar um pouco sobre ela e descobre que a médica tem complexo de inferioridade por ser uma mulher dentre vários profissionais super valorizados por serem homens, além do fato de que ela tem uma certa tendência à psicopatia e que suas boas médias na faculdade a afastaram de um mundo de crimes acabando por se tornar cirurgiã geral. Após a conversa, Mamiya foge do hospital.

Mais tarde, Takabe interroga o policial Oita, agora internado no hospital psiquiátrico de Sakuma, e o policial diz ter matado estimulado pela ira e menciona que esteve com outra pessoa antes do ocorrido mas que não se lembra quem era o tal.

Takabe insiste com Sakuma sobre sua teoria da hipnose em massa mas o psiquiatra acha prematuro cravar com certeza sem ter provas contundentes (homem da ciência, né?).

Neste momento, a doutora Akiko é encontrada no banheiro do hospital esfolando a face de alguém que ela acabara de assassinar friamente.

Rapidamente, Takabe recebe o chamado do hospital sobre um paciente com amnésia mas ao chegar lá, Mamiya já havia fugido.

O detetive faz um pente fino e encontra Mamiya no breu da lavanderia e o amnésico tenta fazer Takabe falar um pouco sobre si, mas não consegue qualquer informação sendo detido e levado para interrogatório.

Takabe mostra para Mamiya fotos dos homicidas que ele criou e uma foto dele mesmo para reconhecimento, mas o manipulador segue com sua tentativa de ganhar o detetive, mas é infrutífera e só faz Takabe ter um ataque precisando ser contido por Sakuma e é dispensado e aconselhado a ir para casa descansar.

Anoitecendo, Takabe busca Fumie na rua após ela se perder quando fazia compras e o casal repensa sobre a viagem de férias, pois definitivamente a mulher não está bem.

No dia seguinte, Mamiya é submetido a uma acareação onde se constata uma cicatriz de queimadura em suas costas.

Enquanto isso, Takabe sai para investigar um barraco decadente onde Mamiya estava vivendo e descobre uma vasta coleção de livros de psicologia e uma ficha da universidade de medicina onde se constata um quadro de depressão e mesmerismo.

Na sequencia, Takabe vai até o banheiro onde encontra um corpo de macaco retorcido e aparentemente drenado.

Takabe repassa para Sakuma a ficha de Mamiya com as informações que ele acareou com o que encontrou pela casa: Mamiya se chama Kunihiko e há três anos ele largou a universidade de psicologia e foi morar no galpão de um ferro velho onde ele também trabalhava e onde possivelmente ele adquiriu a queimadura. Mamiya está há exatamente seis meses dado como desaparecido.

O detetive pergunta ao amigo sobre o que seria Mesmer e Sakuma resume que se trata de uma prática terapêutica antiga através do magnetismo animal, ou através de um fluído animal. A pratica era para uma espécie de cura através do toque e da energia e que a teoria ajudou foi a porta de entrada para a prática da hipnose.

Takabe tem um estalo ao se lembrar do corpo do macaco e volta para casa às pressas onde encontra Fumie morta enforcada, mas depois de um surto ele percebe que só teve uma alucinação e que a mulher está viva.

Depois de se recompor, Takabe vai até a cela do hospital psiquiátrico onde Mamiya está detido e pergunta sobre o tal Mesmer mas o desmemoriado diz saber que o detetive alucinou com o suicídio de Fumie e que sabe também que a mulher está muito doente.

Takabe tenta obrigar Mamiya a reconhecer que ele hipnotizou suas vítimas, mas acaba caindo na manipulação revelando sua frustração na doença de Fumie e a sobrecarga de trabalho que ele é obrigado a se submeter para não ver a mulher se degradando além dele não saber como lidar com a condição de Fumie.

De repente, caem gotículas de um vazamento do teto e Mamiya diz que esta água acalmará Takabe, o fará se sentir leve e renascido. na saída da cela, Takabe agride um segurança deliberadamente e se vai.

Mais tarde, Takabe se encontra com Sakuma que pesquisou sobre o tal Mesmer e descobriu que se trata de um médico austríaco do século dezoito que foi pioneiro no estudo da hipnose numa época em que o ato era considerado pura charlatanice e até mesmo magia negra.

Tempos depois, Mamiya é levado por Takabe até uma junta médica para uma avaliação assistida e entre eles está o chefe da polícia, Fujiwara que tenta fazer o amnésico a falar qualquer coisa que ele possa se lembrar mas só o que faz é levar uma invertida.

Mamiya confidencia á Takabe que sente que o detetive é uma pessoa especial e o único que entende o que ele diz, Irado, Takabe dá um empurrão no desmemoriado.

Mais tardem Takabe volta para casa e não consegue ter se quer um segundo de diálogo com Fumie que demonstra estar piorando muito.

Quando a mulher pega no sono, Takabe pega uma faca visando mata-la, mas a cena corta na manhã seguinte com o detetive levando Fumie de trem até uma casa de repouso onde ficará nas mãos de seu terapeuta.

Takabe tenta levar seu dia normalmente mas está com a cabeça na lua, até receber uma ligação de Sakuma para que vá até sua casa com urgência. Lá, o psiquiatra mostra um VHS com uma gravação datada do sinal do século dezenove onde se promove uma sessão de terapia hipnótica de uma mulher trajando quimono típico.

A mulher em questão está sendo de uma crise de histeria e o hipnólogo misterioso a põe em transe fazendo um sinal de X com o dedo. O que se soube depois, é que a mulher foi presa em 1898 pelo assassinato do próprio filho no qual ela cravou um sinal de cruz na nuca.

Na cena seguinte, Sakuma examina o dormitório de Mamiya com um grupo de forenses e encontra um livro de heresias e depois adentra ao banheiro onde encontra o corpo do macaco drenado juntamente de Takabe.

Depois da investigação, Sakuma diz ao amigo detetive que Mamiya é um missionário que veio ao mundo para executar uma cerimônia. No entanto, depois o psiquiatra se recompõe e pede para Takabe não o levar a sério pelo que acabou de dizer.

Takabe percebe que o amigo está estranho e que ele riscou um X na parede de seu quarto ao qual ele tenta limpar insistentemente além de perguntar ao psicólogo se ele foi ver Mamiya, mas Sakuma nega e diz não se lembrar de nada.

Enquanto isso em sua cela, Mamiya tenta quebrar o aquecedor e horas depois, Takabe chega ao local onde o amnésico já havia fugido e matado um segurança no processo.

Em outro momento, Takabe é levado à casa de Sakuma onde descobre por um legista que o psiquiatra se suicidou com golpes de cano na cabeça.

Takabe procura por Mamiya no galpão do ferro velho mas ele é quem acaba sendo encontrado pelo desmemoriado que questiona por que o detetive o deixou fugir. Mamiya diz que o Takabe poderia saber todos os seus segredos, mas o detetive não dá tempo para mais diálogo e o alveja com um par de tiros.

O detetive pergunta se Mamiya se lembra de quem ele é recebendo uma confirmação e recebe a hipnose com a marca do X com o dedo, o que faz Takabe terminar de executar o algoz.

Depois, Takabe vai até um outro cômodo onde encontra um gramofone com uma gravação antiga de alguém que fala sobre a teoria da cura. Seria Mesmer?

A cena corta brevemente para a casa de repouso mostrando Fumie terrivelmente morta e volta para um café onde Takabe janta tranquilamente até receber uma ligação que ele atende como se estivesse anestesiado ou... como se tivesse alcançado um estado mental de plenitude e paz como Mamiya!

O que se dá a entender neste final é que Takabe se revelou como detentor de uma mente mais forte que a de Mamiya e que o suposto desmemoriado teria o hipnotizado antes de morrer passando seu dom para ele inconscientemente e que Takabe teria usado deste dom para matar Fumie, além do fato de que o detetive teria sim dado fuga para Mamiya de livre e espontânea vontade para terminar com tudo.

Enfim, o final é complexo e pede interpretações e esta é uma das mais aceitas no meio de quem assistiu o filme que como um todo é complicado e exige uma certa crença para que se possa entender minimamente o que está acontecendo.

O filme trás uma boa dose de violência mas o tempo todo é só aquele bom e velho terror psicológico que fica mais na mente fazendo o espectador pensar e ficar preso à trama esperando um desenvolvimento bacana. 

Os personagens principais são carismáticos e bem distintos ganhando a empatia do espectador e o mistério vai se desvendando gradativamente sem estragar a surpresa e nem entregar tudo de uma vez.

Em suma, o filme é bom para quem gosta de algo mais mental e principalmente para quem estuda ou quem é formado em psicologia, um prato cheio e um excelente instrumento para tese. Vai por mim.  

 

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