Eu sei que esta resenha está deveras atrasada e está saindo hora de época, mas levam em conta de que eu se quer vou ao cinema e menos ainda tenho acesso a pouco mais que um ou dois serviços de streaming oficiais, então com relação a lançamentos eu preciso me virar nos trinta e que por isso eu já não consigo mais trazer os filmes recentes assim que saem do forno.
Mas deixando as desculpas de lado, eu trago desta vez um remake (aliás mais um se levarmos em conta o filme canadense de 2012) do clássico de 1981 que trás elementos novos e uma narrativa totalmente diferente mas trazendo o mesmo assassino trajado de Papai Noel.
Mais uma vez trazemos de essencial o trauma da noite de natal que transformou o jovem Billy Chapman num assassino em série porém aqui a motivação é totalmente diferente e totalmente surreal e vocês vã tirar suas próprias conclusões a seguir.
O filme começa numa noite de natal com o pequeno Billy Chapman e seus pais Tara e Geoffrey indo ao asilo para visitar o avô como é de costume.
Billy vai sozinho até o quarto doa vô que vê um especial natalino pela tevê e pergunta ao menino se ele se comportou bem durante o ano para que possa ganhar um presente do Papai Noel e do nada, o velho começa a engasgar e expele uma gosma escura ao tossir insistentemente.
Depois da intro, Billy e os pais fazem o caminho de volta para casa no meio da noite até que um outro carro bate no de Geoff fazendo parar.
O dono do outro veículo desce armado e atira sobre Geoff e depois sobre Tara que consegue feri-lo com a ponta do salto antes de morrer.
O assassino agoniza e Billy sai do carro assustado tocando na mão do estranho.
Anos depois, Billy já é um jovem homem e acorda de um pesadelo do dia do assassinato dos pais ainda traumatizado pelo ocorrido e estamos há cinco dias do natal.
Depois de se recompor, Billy ouve uma voz em sua cabeça a quem ele chama de Charlie e deixa o hotel de beira de estrada onde está hospedado depois de ter matado uma pessoa. Ao deixar o local, Billy percebe que uma dupla de policiais está cercando o local e foge pelo telhado até o ponto de ônibus.
Billy adormece no ônibus sem destino tendo outro pesadelo com a morte dos pais e acorda quando o coletivo já fez sua parada final em outra cidade.
Sem saber o que fazer, Billy para numa lanchonete para tomar café até pôr os olhos numa bela jovem a quem a garçonete diz se chamar Pamela Sims.
Billy segue a jovem até uma loja de presentes onde ela trabalha e que pertence ao pai dela. O jovem tenta simular estar olhando algo para dar de presente para o pai e não consegue se expressar como queria.
Logo depois, Billy leva seu currículo até o senhor Sims, pai de Pam para conseguir um emprego na loja e não só consegue como ainda aluga um quarto onde ele desfaz suas malas revelando em uma delas um machado e um traje de papai Noel.
No dia seguinte, Billy inicia seu primeiro dia de trabalho repondo o estoque de enfeites de natal e acaba ferindo o dedo com uma miniatura de Papai Noel que o faz entrar num transe psicótico tendo outro papo com Charlie até que Pam aparece e o faz voltar a si.
Billy ajuda Pam a enfeitar uma árvore para a loja e se apresenta oficialmente e um descuido com uma bola faz a garota ter um breve surto nervoso.
Quando Billy volta do depósito com uma vassoura para varrer a bagunça, ele vê Pam conversando agradavelmente com um homem apresentado como George e entra novamente num transe psicótico tendo visões com maldades que o recém chegado fez deixando o rapaz desconfortável.
A cena corta e Pam introduz Billy à George.
A cena corta novamente desta vez a noite quando Billy fora do expediente se veste de Papai Noel, agarra seu machado e vai até a casa de George às escondidas e sorrateiramente ele pega o homem por traz plantando o machado no meio da face o matando na hora.
Na manhã seguinte, Billy acorda de um novo pesadelo de seu trauma de infância e recebe uma caixa com novos trajes de Papai Noel. Horas depois, ele vai até o trabalho onde fita Pam o dia todo e depois do expediente ele vai com a amada a um jogo de hóquei infantil onde joga o sobrinho da garota, Liam.
Não bastasse isso, Billy ainda se incomoda com uma cinquentona falando alto e porcamente ao telefone e se descobre que a tiazona é uma conhecida de Pam chamada Delphine e instantaneamente, Billy tem outro surto com as visões de coisas ruins que a senhora fez ou ainda faz.
No meio da partida, Pam surta com o time adversário de Liam e espanca geral com um bastão e é levada detida tendo que prestar depoimento para o jovem policial Max Benedict que deixa claro suas segundas intenções com Pam e que por isso a libera enquanto Billy espera e vê um mural com muitas fotos de crianças desaparecidas.
Depois do mal estar, Billy deixa Pam em casa e se dirige à uma festa natalina com seu traje no meio da noite e descobre que o local é um clube nazista e que Delphine que aparece vestida de militar é a líder.
A mulher inicia um discurso supremacista que enoja Billy e ele vai até o carro pegar seu machado e depois mata o porteiro do salão trancando a porta principal. Por fim, ele inicia uma chacina e quando Delphine se dá conta, ela saca uma metralhadora e na tentativa de acertar Billy ela mata praticamente todos os convidados.
Billy foge do salão e corre até a floresta se escondendo no breu. Delphine pilota um quadriciclo e segue Billy, porém ela é pega numa tocaia sendo decapitada.
Logo depois, Billy volta ao salão de festa e incendeia o local inteiro.
De volta a casa, Billy trata seus ferimentos na força do ódio enquanto discute com Charlie.
Na manhã seguinte, Billy sai para trabalhar e descobre através de Pam que George que deveria ser o Papai Noel da loja para receber as crianças naquela noite não apareceu e o rapaz acaba ficando com cargo.
Chegada a hora, Billy se veste de Papai Noel e recebe as crianças sem conseguir esconder sua tensão e desconforto. No meio da recepção da primeira criança, Billy tem uma discussão telepática com Charlie.
Neste momento, chega o policial Max para vigiar o evento e ele aproveita para examinar às escondidas o currículo de Billy no escritório.
Depois de atender todas as crianças, Billy descansa e ouve Charlie novamente agora sozinho e acaba percebendo que há alguém na loja.
Ao sair para verificar, é surpreendido por Pam que o beija apaixonadamente dando início a um amasso que culmina numa transa. Depois do ato, Billy surpreende a amada com uma árvore ornamentada com anjos que ele mesmo decorou.
A cena corta para a mulher e o filho de George chegando na casa dele e a mulher encontra o corpo entrando em pânico.
A polícia vai até a loja de Sims e pega o depoimento de Sims e de Billy sobre o ocorrido.
Mais tarde, enquanto vê o noticiário com Pam pela televisão, Billy tem uma discussão com Charlie.
Ao final do expediente, Sims fecha a loja e acaba ouvindo um ruído vindo de um carro e ao sair para verificar, encontra uma pessoa amarrada e amordaçada dentro do veículo. Repentinamente, uma figura usando uma máscara de Papai Noel aparece e executa o dono da loja com um tiro.
No dia seguinte, é véspera de natal e amigos e familiares prestam as homenagens à Sims na loja enquanto que no depósito, Billy consola Pam em seus braços.
Numa breve cena de flashback, descobrimos que Billy viu as imagens de circuito interno que flagraram o momento do assassinato de Sims.
Horas depois de colocar Pam para dormir, Billy sonha acordado com a sua infância traumática e quando a amada acorda, ele revela seu passado e a morte de seus pais. Agora descobrimos que o assassino era um homem de idade vestido de Papai Noel e que ele era o zelador do asilo que se chamava... Charlie!
Chegamos na cena em que Charlie mortalmente ferido toca a mão do pequeno Billy e neste momento, uma energia vermelha saindo do corpo do assassino toma Billy fazendo sua alma ser transferida para o menino e por isso ele ouve sua voz na cabeça.
Billy explica que aquilo é uma maldição natalina e que desde então, ele tem precisado matar vinte e quatro pessoas que se comportaram mal até a véspera de natal e que ele deve fazer isso vestido de Papai Noel. E é justamente por conta desse poder que Billy pode ver quem foi mal.
Quando Billy ficou desamparado, ele foi adotado por uma loura platinada que explorava ele e outros órfãos apenas para ficar com o benefício da previdência. Quando ele completou dezessete anos, acabou se dando conta que a mãe adotiva não só abusou dos irmãos como até chegou a matar algum e isso graças as visões de Charlie.
Um certo da, Billy confrontou a mãe e os dois entraram num embate. Billy acabou encurralando a exploradora e a matou empalada entre os chifres de uma cabeça de cervo empalhado.
Depois disso, ele precisou vagar cidade após cidade, trocando de emprego como quem troca de roupa chegando a trabalhar de chapeiro e conforme ia matando ia fugindo para manter sua sina.
Por fim, Billy revela ter matado George e Delphine e que só não fez o mesmo com a namorada por que ela é boa.
Billy ainda diz que teve uma visão com Max descobrindo que ele é um dos maus e que está por trás do desaparecimento das crianças do mural e que sabe onde podem estar os corpos.
O casal vai até um velho depósito onde Billy seguindo suas visões, encontra uma tampa que dá para um compartimento escondido embaixo do piso que contém várias bolinhas coloridas de borracha e escondidos sobre elas algumas crianças desacordadas que Pam diz estarem vivas ainda.
Pam acaba sendo abduzida por alguém misterioso no meio da escuridão e Billy se arma com um estilete. Ao comando de Charlie que vê quem se aproxima, Billy ataca o stalker dando brecha para Pam se safar e sair de seu cárcere, porém não encontra Billy que surge de dentro das bolinhas.
Depois de salvar Billy, Pam fica com as crianças. O rapaz sai para caçar o stalker e é alvejado por Max que se revela.
Pam toca a mão do amado em agonia e a maldição de natal é transferida para ela tão logo Billy morre e ela tem sua primeira visão descobrindo que foi Max que sequestrou as crianças e que matou seu pai.
Em fúria, Pam desfere vários golpes de machado em Max que morre sem poder reagir.
Com o nascer do sol, Pam se levanta e passa a ouvir a voz de Billy em sai cabeça e agora a sina de serial killer de natal é dela...
Eu vou ser curto e grosso, o filme é ruim demais, não que o original seja bom, até por que sua fama de cult se deve pela falta de qualidade, mas esta adaptação conseguiu ser infinitamente inferior.
A trama é rápida demais e os assassinatos acontecem num piscar de olhos não dando tempo para um aprofundamento, fora que essa inversão de valores do Billy comparado ao de 1981 foi ridícula.
Em suma, o Billy original era complexado pelo trauma e matava quem ele achava que era mal, já este novo Billy sabe quem é mal por conta do argumento forçado da maldição e a influência de Charlie que se torna um personagem deveras secundário.
Nesta versão, tirando a introdução tudo e difere do original: Billy não tem irmão caçula, não tem o orfanato de freiras, nem os maltratos da madre superiora que deram um background mais plausível ao protagonista. Aqui o Billy inicialmente aparenta ser esquizofrênico mas no fim das contas ele só está possuído por um espírito amaldiçoado.
Até acontece um ou outro momento de fan service para não deixar os fãs da versão de 1981 na mão como por exemplo a morte de Delphine que é uma clara referência à morte do adolescente do trenó motorizado. Também tem uma cena em flashback quando Billy se lembra da época em que ele foi chapeiro quando seu chefe pede para ele levar o lixo para fora por que era o "Dia do lixo", uma clara referência ao meme do segundo filme em que o assassino, irmão de Billy, Ricky Caldwell simplesmente surta no meio da rua e grita "Garbage day", no bom português "Dia do lixo" atirando num figurante aleatoriamente e soltando uma gargalhada muito mal atuada.
Talvez com uma direção e um roteiro arrumadinho o filme conseguisse ser minimamente aceitável, mas este do jeito que está foi apenas uma perda de tempo apesar de ter uma violência gráfica bacana, em alguns momentos exagerados. Este é o meu julgamento, vocês que decidem se vale a pena dar uma assistida.
Trailer:
