Trazendo o giallo mensal, hoje eu chego com mais uma obra do mestre Dario Argento, dos primórdios de sua carreira trazendo aquilo que ele sempre soube fazer de melhor: uma trama cheia de mistério, assassinatos e investigação no maior pique dos filmes detetivescos da era de prata do cinema.
Nesta história, somos apresentados à um escritor norte americano em passagem pela Itália que acaba testemunhando uma tentativa de assassinato ligado à outros atentados ocorridos recentemente.
Com pouco suporte das autoridades, o protagonista resolve investigar por conta própria e acaba ficando na mira do misterioso assassino em série tendo pouco tempo para decifrar a identidade do mesmo e sua motivação antes que ele acabe se tornando estatística.
O filme abre com um homem misterioso datilografando um bilhete para uma tal Sandra enquanto em segundo plano, a mesma jovem é seguida secretamente e fotografada.
No covil, a pessoa misteriosa que usa luvas de couro pretas abre um estojo com uma coleção de punhais e escolhe um deles à dedo. Depois, o mesmo folheia a foto da jovem e a marca com o número 3 até que se ouve ao fundo um grito de mulher em pânico.
Passada a intro, os jornais noticiam a morte de uma jovem como sendo a terceira vítima fatal de um serial killer num curto espaço de tempo entre as demais.
Uma das pessoas a comprar um dos jornais é o professor especializado em ornitologia Carlos Dover que está acompanhado do escritor norte americano Sam Dalmas, seu amigo de longa data e que está atualmente escrevendo um manual de preservação de pássaros.
À noite, Sam passeia pelo centro solitariamente até que ao se deparar com uma galeria de arte acaba flagrando através da vitrine um homem misterioso usando sobretudo preto tentando atacar uma jovem com uma punhalada.
Percebendo as dores excruciantes da mulher, Sam aproveita que o assassino meteu marcha e tenta a todo custo entrar na galeria e logo depois, resolve ligar para a polícia que chega horas depois com a ambulância que remove a vítima por sorte ainda viva.
O caso acaba ficando nas mãos do inspetor Morosini que toma o depoimento de Sam até que o dono da galeria e marido da vítima, Alberto Ranieri chega desesperado ao local do crime e identifica a vítima como Mônica, como eu já disse, mulher do mesmo e ele alega que a jovem estava examinando alguns livros enquanto esperava que ele a visse buscar.
Sam acaba sendo levado para a delegacia onde presta um novo depoimento e tem seu passaporte retido por ser testemunha ocular de um crime o que faz o escritor ameaçar apelar para o consulado já que ele tem os dias contados para viajar de volta para casa.
Depois de liberado, Sam caminha pela cidade enevoada até que o assassino misterioso aparece e tenta ataca-lo mas alguém consegue evitar um atentado gritando de longe para alertar o escritor enquanto o maníaco foge.
Pouco tempo depois, Sam volta para o apartamento decadente onde está hospedado com sua mulher, Julia com quem entra num coito, mas o escritor fica o tempo todo pensando no atentado na galeria.
No dia seguinte, Sam é convocado pelo inspetor Morosini para um reconhecimento de suspeitos e para itera-lo sobre pistas encontradas pela pericia no local do crime que através de um scanner tecnológico poderá ajudar a descobrir a identidade do assassino através de resquícios de DNA.
Depois da acareação, Sam é enviado ao apartamento dos Ranieri para visitar Mônica que já recebeu alta, mas o marido diz que a jovem está sedada e não poderá recebe-lo.
Em paralelo, o assassino stalkeia e fotografa sua próxima vítima em um hipódromo.
Mais tarde, Sam e Julia analisam fotos da primeira vítima do serial killer cedidas pela polícia que era uma garota de programa cujo cafetão que se chama Garullo, chegou a ser investigado como suspeito mas como ele tinha um álibi incontestável acabou sendo liberado. A segunda vítima foi uma estudante de cinema assassinada quando voltava para casa e nenhuma das duas mortes tem ligação entre si no final das contas.
Sam vai mais tarde até um antiquário onde a terceira vítima trabalhava para saber mais sobre a mesma e o patrão dela diz que no dia do atentado havia vendido apenas um quadro macabro e ele dá ao jovem escritor uma cópia fotografada do tal quadro para analise.
O quadro em questão, retrata um homem misterioso usando sobretudo e chapéu preto assassinando uma jovem em um ambiente de inverno nevado, o que provoca calafrios em Julia. Enquanto isso, o quadro original está em posse do assassino em série.
No meio da noite, uma jovem faz o caminho para casa sem suspeitar que o assassino a segue até que ela entra em sua residência onde em seu quarto dá uma tragada no cigarro para poder dormir.
O assassino invade o quarto e despe a jovem com a ajuda de um punhal a matando depois com um único golpe.
Neste mesmo momento, Morosini visita Sam para relatar um quarto assassinato que assim como os demais não tem um elo em comum entre si e pede ao escritor que o acompanhe para depor.
Sam por sua vez, está obcecado com o atentado da galeria cujas memórias permeiam sua mente incessantemente. O rapaz no entanto menciona para o inspetor o caso da prostituta e o tal do Garullo que ele pretende conhecer.
No mesmo momento, o assassino telefona para Morosini dizendo estar planejando um quinto assassinato até o final de semana.
Na manhã seguinte, Sam vai até a galeria onde encontra Mônica revigorada e esta lhe agradece por ter salvo sua vida. Logo depois, Sam vai até a prisão para visitar Garullo que foi detido recentemente por algum crime envolvendo sua rede de prostituição.
O homem que não bate bem, alega não ser cafetão e que foi preso graças a um esquema armado pela polícia.
À noite, Sam caminha com Julia pelas ruas da cidade e acaba testemunhando o atropelamento de um homem no qual ele quase é arrastado com a mulher e ao ver o responsável, um homem usando um casado amarelo e um chapéu escuro saltar do veículo armado, bate marcha rapidamente.
Sam esconde Julia numa construção junto ao beco e se lança de isca para despistar o atropelador quase sendo baleado enquanto foge chegando a um estacionamento de uma companhia de ônibus onde a perseguição segue.
Felizmente, Sam consegue pegar caminho por um armazém e chega até uma área movimentada no centro da cidade onde se mistura aos populares e vê ao longe, o atirador entrar num edifício e resolve segui-lo.
Sam pega informação com um mensageiro que o leva até uma convenção de motoristas de ônibus onde todos usam o mesmo outfit do atirador.
No dia seguinte, Sam vai até a delegacia junto de Julia para reconhecer o corpo do homem que foi atropelado.
À noite, conhecemos uma jovem chamada Gina voltando para o apartamento onde vive pegando caminho pelas escadas uma vez que o elevador está ocupado e acaba chegando à uma parte do bloco que está completamente no breu onde é atacada pelo maníaco que a mata com uma navalha.
Na manhã seguinte, Sam volta a visitar Garullo que pede ao escritor para procurar um cara chamado Faina que é um informante influente na área barra pesada da cidade e que pode conseguir informações acerca da investigação paralela sobre o assassino em série.
O tal Faina aparece no apartamento de Sam e exige um bom dinheiro e zero envolvimento da polícia em seus trabalhos alegando que até o próximo encontro deles ele conseguirá alguma informação.
Neste mesmo instante, o assassino liga para Sam ameaçando matar Julia se ele não parar de investiga-lo e o escritor grava toda a conversa e manda os rolos de fita para Morosini.
Na cena seguinte, Sam e Julia voltam a analisar o quadro do assassino do sobretudo quando Faina liga dizendo ter conseguido o contato de um ex pugilista chamado Needles que tem informações sobre o atirador e passa o contato do mesmo.
Sam vai até a periferia atrás de Needles chegando a um barraco decadente, mas a principio não encontra o homem, apenas uma seringa fresca pela metade e só depois, quando se vira para trás encontra o corpo do tal pugilista pendurado.
No dia seguinte, Sam vai com Morosini até um forense que analisou as gravações das ligações feitas pelo assassino e define que entre um rolo e outro pôde se identificar duas vozes distintas além de uma onda sonora peculiar que significa que há mais de uma pessoa fazendo as ameaças.
Horas depois, Sam leva as gravações para ouvir em casa com seu amigo, o professor Carlo que diz ter algo familiar em um som mesclado ao fundo do ambiente e promete que irá ligar se ele se lembrar de algo.
Com pouco tempo sobrando para deixar a Itália, Sam tem a ideia de pedir ao antiquário o nome do artista que pintou o quadro do assassino e ao faze-lo descobre que se trata de um tal Berto Consalvi e consegue o endereço dele.
Sem perda de tempo, Sam pega carona até os confins da cidade até um casebre humilde onde vive o mal humorado artista e para ter acesso ao mesmo, o escritor se faz passar por um comprador de arte. Consalvi desce uma escada pela janela do piso superior e ordena que Sam suba dizendo que não confia nas pessoas e por isso não o deixou entrar pela porta.
Finalmente, Sam pergunta para ao artista qual foi a influência que o fez pintar o quadro do assassino e Consalvi revela ter se baseado no caso real de um maníaco que há dez anos tentou matar uma amiga dele.
Consalvi ainda diz que ele conseguiu impedir à tempo o atentado e que graças a sua ação rápida, o maníaco foi pego e sentenciado a ficar internado num sanatório.
Em pânico, Sam vai até um telefone e liga para Julia pedindo que ela faça as malas imediatamente para que eles peguem o avião o mais rápido possível.
Na cena seguinte, o assassino vaga pela área miserável da cidade em busca de sua próxima vítima: Julia!
Julia vê pela porta, o assassino misterioso subir, se tranca e tenta telefonar mas o maníaco bate a porta a ameaçando de morte.
Em pânico, Julia tenta estourar o vidro de uma janela, mas como ela tem grades firmes ela acaba montando uma barricada na porta da frente.
O assassino rompe a porta podre com uma faca enquanto Julia procura algo para se defender e encontra uma faca que ela usa para tentar acertar o buraco da porta, mas pelo medo acaba fraquejando.
De um momento para o outro, o assassino foge assim que Sam chega e acalma a mulher que apaga por um dia inteiro.
Carlo visita o casal no dia seguinte dizendo ter identificado o ruído que eles ouviram numa das ligações do assassino e se trata do canto de um pássaro raro cujas penas brancas tem um brilho similar a um cristal e que a espécie vive no norte da Sibéria.
No entanto, o professor diz que há um exemplar do pássaro na Itália mantido sobre condições extremas no zoológico da cidade. Assim que o trio visita o zoológico, descobre-se que Ranieri, o marido de Mônica tem um loft localizado junto ao local perto da jaula do pássaro de onde dá para se ouvir o estridente canto matinal.
Matando a charada, Sam leva o inspetor Morosini até o tal loft e eles tentam entrar na marra para falar com Ranieri e o encontram agredindo Mônica.
Morosini dá voz de prisão ao galerista mas Ranieri resiste, ataca o policial com uma faca, mas na confusão ele acaba caindo da janela da cobertura.
Geral vai até a área externa do loft e encontram Ranieri agonizando revelando antes de morrer que ele é o assassino e que na noite do atentado na galeria, Mônica tentou impedi-lo.
Na confusão, Julia acaba desaparecendo e Sam sem perda de tempo a procura por toda a cidade enquanto longe dali, numa construção decadente, vemos um outro assassino colocar as luvas negras de couro.
Sam consegue uma pista que o leva até um apartamento simples onde ao subir, misteriosamente ele fica no breu ao entrar no quarto indicado e lá, ele encontra o quadro original de Consalvi na parede.
Logo à frente, ele encontra Julia amarrada e inconsciente e ao lado, Carlo com um punhal na mão. Ao tocar o professor exigindo satisfações, Sam percebe que o homem está morto com um punhal cravado nas costas e este cai sobre ele.
Ouve-se uma risada na escuridão e detrás sai não o assassino, mas a assassina verdadeira: Mônica!
Sam junta as peças e entende a charada: na verdade foi Mônica que tentou matar Ranieri na galeria e que ele é quem tentava impedi-la.
Mônica foge e atrai Sam até a vitrine da galeria onde acerta uma placa de escultura pesada com várias pontas de espinhos esculpidos o fazendo ficar preso.
A maníaca corta a palma da mão de Sam e sobe sobre a placa para fazer ainda mais peso e o tortura com o punhal o ameaçando de morte.
Do nada, Morosini aparece acertando Mônica por trás e seus homens a prendem. Morosini salva Sam e diz que Julia o contactou assim que conseguiu se desamarrar.
Na cena seguinte, dias depois, um repórter do noticiário informa a descoberta de que Mônica era a assassina em série e sua captura feita pela polícia que a transferiu para um sanatório.
Um psiquiatra chamado Rinaldi revela segundo sua analise, que há dez anos, Mônica que já tinha uma inclinação para a paranoia sofreu uma agressão que a deixou traumatizada.
No entanto, ela conseguiu se reabilitar e passou a viver normalmente pelos anos seguintes até que dez anos depois, ela descobriu o quadro de Consalvi que sim amigos, retratou o que aconteceu com ela e que ela era a amiga dele e por conta do choque com a ousadia do pintor de usar sua tragédia para lucrar, ela acabou surtando, mas ao invés de se ver como a vítima que ela era, Mônica passou a se ver como o agressor adquirindo uma dupla personalidade e então ela passou a assassinar jovens à esmo sem qualquer ligação uma com a outra.
Não bastasse isso, Mônica ainda foi hábil o suficiente para manipular Ranieri o fazendo assumir a autoria dos crimes antes de morrer além de distorcer os fatos ocorridos no atentado da galeria para protege-la.
Em paralelo com a explicação, vemos o avião com Sam e Julia decolar deixando as lembranças ruins da Itália para trás para sempre...
É visível que Dario Argento ainda estava cru quando começou a fazer cinema de terror mas ainda sim esta obra mostrou um potencial para os primórdios do subgênero slasher claramente inspirado em alguns aspectos nas obras de cineastas da época como Alfred Hitchcock.
A violência para a época está de parabéns, mostrou com crueza e leveza equilibrada como trazer o medo e a incerteza para as telas, além de momentos inesquecíveis numa trama que simplesmente não para e a todo momento reserva alguma surpresa ou reviravolta.
O filme abriu a porteira para uma trilogia que ficou conhecida como "a trilogia dos animais de Dario Argento" seguindo já no ano posterior com O gato de nove caudas e Quatro moscas sobre veludo cinza no mesmo ano.
Depois desta trilogia bem sucedida, Argento disparou com um clássico atrás do outro o consagrando como um dos mestres do terror italiano ao lado de outras lendas como Mario Bava e Lucio Fulci.
No mais, o filme é um ótimo entretenimento para quem curte um terror das antigas com muito mistério, investigação e um assassino clichê daqueles de sobretudo e luvas de couro cuja identidade é sempre imprevisível de se decifrar.
Trailer:
