Seguindo com mais um daqueles filmes perturbadores dos anos 1980, eu trago a resenha de uma trama visceral e deveras simples porém efetiva na narrativa.
A história segue um psicopata recém liberto da prisão que tenta voltar à sociedade, mas seu instinto assassino o segue fazendo da vida de uma família que vive numa mansão isolada um verdadeiro inferno por horas a fio.
De forma crua e violenta, vamos seguir por uma noite interminável de terror e muito surto.
Tudo começa com um assassino sem nome (aliás ninguém no filme tem nome então é suave de seguir a trama sem se perder) se barbeando em sua cela de prisão e narrando um pouco de seu passado e sobre sua pessoa.
A narração segue enquanto o homem se troca perante a uma junta policial para receber sua liberdade.
Sem família, amigos e pouco dinheiro, o ex presidiário caminha até chegar a uma lanchonete junto a um posto de gasolina onde ele consome uma salsicha com maionese enquanto fita duas belas jovens que observam seu semblante de animal selvagem com desdém.
Depois da refeição, o ex presidiário segue seu rumo e toma um táxi dirigido por uma bela loura que o faz lembrar sua mãe com quem ele nunca teve uma relação muito boa.
No meio do caminho, o rapaz tenta matar a taxista enforcada com os cadarços de seus sapatos mas é pego no ato e pula do veículo em movimento e foge pela floresta apenas com a roupa do corpo.
Depois de caminhar por um tempo, o psicopata chega a uma mansão isolada junto a um lago e a circula procurando um acesso rápido e fácil para invadir.
Sem conseguir uma porta, o invasor arrebenta o vidro de uma janela com o cotovelo e adentra a residência por um dos quartos.
Ao chegar à cozinha, ele consegue uma faca e começa a fazer o reconhecimento dos outros cômodos até encontrar um senhor cadeirante e com problemas mentais que só sabe dizer "papai" e como ele não representa risco algum, o invasor o ignora.
Chegando ao piso superior, o invasor segue fazendo o reconhecimento do resto da mansão até que a família do cadeirante formada pela mulher de idade e sua filha aparentando aproximadamente trinta anos chegam à residência.
Enquanto a filha coloca o carro na garagem, a mãe vai até a cozinha para se refrescar com um drink enquanto do outro lado, o cachorro salsicha da família encontra o invasor, mas como é dócil não o delata.
Depois, a mulher reencontra o cadeirante que é seu marido e ao ir ao quarto do piso principal, ela percebe que a janela fora arrombada.
Rapidamente, o bandido rende a mãe e a tranca com o pai no quarto. Depois, ele embosca a filha e a arrasta prendendo uma de suas pernas na maçaneta da porta do quarto com Durex e depois seus pulsos.
A mãe tenta lutar contra o bandido mas ele é mais forte a derrubando, a amordaça com meias e a amarra por fim.
Exausto e coberto de suor, o bandido se recompõe enquanto o pai que caiu da cadeira de rodas se arrasta pelas escadas rumo ao andar superior.
A filha alcança a faca do maníaco e tenta usa-la para se soltar ao mesmo tempo que ouve-se o telefone do andar de cima tocar. O bandido alcança a jovem e a amordaça frustrando seus planos de fuga.
O pai consegue chegar ao telefone, mas acaba mudando sua rota de fuga até o banheiro da suíte onde é pego pelo bandido que o esgana e o afoga na banheira.
O bandido volta ao quarto com as reféns e desarma a filha tomando-lhe a faca para soltar a mãe que a essas alturas já está morta pela asfixia e a arrasta até a cadeira de rodas.
Ao se dirigir de volta à filha, esta implora pelo pai que está doente e o bandido pensa em manter sua única refém viva para que o ajude e a arrasta até a cozinha.
Lá, o bandido pega um frasco de remédios e leva até o cadáver da mãe a fazendo engolir todos os comprimidos enquanto a filha aproveita para se esconder.
O bandido em fúria, chuta a cadeira de rodas fazendo a velha morta cair e nisso, a luz é cortada obrigando o assassino a se arrastar com um fósforo aceso à procura da filha fujona.
No meio do breu, o bandido encontra a jovem que se joga contra uma porta de vidro e corre pela varanda mas é alcançada e esfaqueada várias vezes. Não satisfeito, ele ainda morde o pescoço da morta arrancando suas cordas vocais e dorme depois de estupra-la acordando de manhã por cima dela.
O bandido evade a casa e vai até a garagem para fugir com o carro mas percebe que as chaves não estão no contato e dá meia volta indo até a mansão para procura-las.
Lá dentro, ele primeiramente remove os corpos do pai e da mãe e os arrastam até a varanda junto ao corpo da filha.
Com as chaves do carro em mãos, o bandido manobra o carro até o portão e o abre seguindo até um outro que dá na piscina o abrindo também.
O bandido estaciona na entrada de serviço e leva os três corpos até o porta-malas do carro e depois vai até a pia da cozinha para se lavar.
Na sequencia, o bandido troca de roupa enquanto narra que se sente aliviado e feliz agora que a parte difícil já passou e ele pode ser livre de verdade. Por fim, ele toma o carro sendo seguido pelo cachorro da família que vai com o bandido.
Mal chega a via pública e o bandido bate o carro em um outro e é encurralado pelos pedestres tendo um surto.
Sem escrúpulos, o bandido acelera e começa a sentir frio nos pegando um par de luvas e ao pô-las, encontra fotos da família que o faz refletir sobre sua política de não ter compaixão por suas vítimas e almeja cometer mais mortes.
Logo, o bandido para na lanchonete do início do filme com os mesmos clientes da outra vez e ele consome o mesmo salsichão com maionese.
O cachorro começa a latir dentro do carro chamando a atenção do bandido que se levanta e leva um pouco da comida para o animal no carro.
A garçonete e os clientes curiosos o seguem para fora do estabelecimento até que uma viatura aparece e os policiais pedem ao bandido que mostre os documentos do veículo.
Com a evasiva do bandido, a polícia acaba revistando o porta-malas descobrindo os corpos que choca geral.
O filme fecha com a narração de um juiz da suprema corte lendo um relatório da psiquiatria local que alega que o bandido está em pleno uso de suas faculdades mentais e que mata por prazer, para se sentir satisfeito sem ter qualquer sentimento de remorso pelas vítimas e que por isso a condenação aplicada à ele será a de prisão perpétua...
O filme é bem breve, direto, frenético, mal tem falas e o máximo de dialogo que se passa durante toda a obra é a narração do bandido que em tela mal troca duas ou três palavras.
A violência é muito bem gravada, os efeitos práticos são perfeitos até hoje e a atuação de Erwin Leder no papel do psicopata é simplesmente perfeito, ele passa a vibe perfeita de loucura, maldade, e de falta de empatia.
O filme é tão extremo que ele entrou para a lista dos banidos em dezenas de países e não é marketing, a obra é pesada mesmo ainda mais para a época em que filmes como do subgênero slasher ainda estavam engatinhando e não são nem a sombra do que Angst foi e continua sendo.
No mais, a obra envelheceu muito bem e ainda surpreende pelo seu grafismo cru e sem pudor agradando em cheio aos fãs de filmes em que o sangue escorre com gosto.
Trailer:
