Bem-vindos!

Aqui no nosso point você encontra resenhas, curiosidades, trailers e críticas dos mais variados subgêneros de filmes de terror de todos os tempos. Tudo muito bem explicado para poder atender á vocês da melhor forma possível. Antes de mais nada, estejam cientes que todas as nossas resenhas CONTÉM SPOILER! Por isso, desfrute do nosso conteúdo em sua totalidade por conta e risco. Minhas críticas não são especializadas, eu sou apenas um cinéfilo entusiasta e tudo que eu relato nos parágrafos referentes as resenhas é puramente minha opinião pessoal, por isso sintam-se a vontade para concordar ou discordar mas mantendo a compostura no campo dos comentários ao final da postagem da semana. O cronograma deste blog segue as postagens de sábado sem hora definida e este ciclo só é quebrado tendo mais de uma postagem na semana em caso muito especial como por exemplo lançamentos. Preparados? então, apaguem as luzes, preparem um balde enorme de pipoca, garanta seu refrigerante e bom divertimento!

sábado, 4 de abril de 2026

Terror na Ópera / Terror at the Opera / Opera (1987)

 

Depois de muito adiar eu finalmente trago um dos melhores e mais viscerais giallo da carreira de Dario Argento que é tido como um cult entre os entusiastas de slasher dos anos 1980.

Se passando grande parte dentro de um grande teatro onde se realizam apresentações de influentes nomes da ópera, o filme nos trás um assassino misterioso que desenvolve uma obsessão em uma das principais sopranos da casa que disputa o papel principal em Macbeth de Shakespeare a ponto de tirar do páreo a prima dona do local.

A partir dai, uma série de atentados e assassinatos permeiam a vida da protagonista que já não consegue se sentir segura em lugar algum e nem confiar em mais ninguém, pois qualquer um próximo a ela pode ser o maníaco.

Tudo começa durante o ensaio da notável prima dona, a soprano Mara Cecova pelo ponto de vista de um dos corvos que estão em um viveiro junto ao palco e fazem parte da peça que ela irá apresentar futuramente: Macbeth, porém o grasnado do pássaro acaba desconcentrando a profissional a ponto de faze-la encerrar sua apresentação enfurecida.

Saindo do teatro, Mara acaba tendo que lidar com o comum assédio dos paparazzi até ser misteriosamente atropelada e como uma fagulha na lenha o ocorrido corre o teatro e o destino da peça se torna algo incerto.

Pouco tempo depois, Betty, uma jovem soprano que atua no mesmo teatro recebe um telefonema anônimo de um homem que lhe garante o papel principal em Macbeth agora é dela.

Confusa por pouco tempo, Betty rapidamente descobre através de sua amiga Mira sobre o atropelamento de Mara que lhe tirou da peça definitivamente e a direção do teatro a encoraja a abraçar a personagem principal para que não haja um cancelamento.

A cena corta para outro dia com o teatro cheio onde a orquestra abre a peça enquanto Betty se prepara para sua entrada triunfal em cena.

Enquanto isso nos bastidores, uma pessoa misteriosa usando luva de couro negra se encaminha até um camarote com visão privilegiada da peça onde vislumbra a bela voz de Betty que desponta junto aos corvos adestrados.

Uma cena em segundo pano como se fosse uma lembrança, nos mostra uma bela jovem sendo perseguida enquanto outra está amarrada pelos pulsos com os braços erguidos observando tudo.

Um segurança do teatro descobre a pessoa misteriosa no camarote revelando que ela não tem permissão de estar lá. Inesperadamente, o rapaz é jogado do alto do camarote enquanto um segundo segurança é esganado e perfurado pelas costas por um gancho de cabide de casacos.

O corpo do segurança no meio do palco no entanto não interrompe a peça e os espectadores creem que aquilo é parte do espetáculo enquanto Betty segue cantando.

Ao final da apresentação, Betty é parabenizada e ela menciona ter ouvido gritos estranhos durante a peça e a morte misteriosa do segurança fica em sigilo para evitar alarde e publicidade negativa.

Saindo do camarim para voltar para casa, Betty recebe uma rosa de um fã chamado Alan Santini que se identifica como inspetor da polícia americana.

Pouco depois, Betty recebe um perfume de odor desagradável de um mensageiro de Mara Cecova como forma de deboche e ela o joga todo na pia.

A cena corta e vemos pela ótica do assassino do teatro ele descendo um jogo de escadas em espiral até chegar ao quarto de uma jovem que dorme semi nua. Com muito cuidado, ele amarra seus pulsos e a faz acordar a ameaçando com uma adaga.

Um tempo depois, rola uma apresentação de Betty na televisão que é vista pelo assassino e na sequencia, ele vai até o depósito de cenografia e figurinos do teatro onde também está o viveiro com os corvos da peça.

O assassino rasga o vestido que Betty usou na peça enquanto os corvos ficam livres pelo local e alguns deles acabam sendo cruelmente mortos.

O barulho chama a atenção do zelador que encontra o depósito uma verdadeira zona.

Enquanto isso, Betty amanhece no luxuoso quarto de seu namorado Stefano depois de um coito mal sucedido e o rapaz oferece um chá à companheira deixando-a sozinha.

Tão logo Stefano se retira e o assassino entra no ressinto amarrando e amordaçando Betty sobre uma pilastra e como se não bastasse ele cola sobre as pálpebras da artista um Durex com agulhas apontadas para o globo ocular e ele adverte que se Betty fechar os olhos ou se quer dar uma única piscada as agulhas irão perfura-la a cegando permanentemente.

Stefano aparece logo em seguida e o assassino o mata com várias facadas terminando por degola-lo.

Depois que o assassino mete marcha, Betty consegue se soltar e foge no meio de um toró e entra numa cabine telefônica para fazer uma denúncia anônima.

Inesperadamente, Betty acaba encontrando seu amigo e grande apoiador Marco que a leva em seu carro para sua casa sem descobrir o que houve, pois ela só fala em seu ritual erótico de boa sorte que ela pratica sempre antes de subir ao palco.

Na casa de Marco, Betty resolve contar o que acabara de presenciar e ela é consolada e levada para casa.

Chegando lá, Betty sente que há alguém do lado de fora e repentinamente o telefone toca mas ninguém se pronuncia fazendo a artista ter uma crise.

Na manhã seguinte, Marco recebe as críticas da peça pelo jornal e poucas horas depois, recebe a polícia liderada por Alan Santini no teatro acerca dos corvos encontrados mortos no depósito.

Iterada do ocorrido, Betty liga para sua amiga Mira para falar do maníaco que a está perseguindo enquanto Giulia, a costureira do teatro tenta restaurar o vestido rasgado da jovem soprano.

Giulia sente que há alguém mais em seu ateliê, mas acaba que é Betty que voltou do telefonema e a costureira mostra uma corrente de ouro branco legítimo que ela encontrou preso ao vestido e que tem uma inscrição parcialmente apagada talhada na placa.

Betty fica um momento à sós enquanto Giulia procura por uma lupa e o assassino brota agarrando a jovem pela boca proferindo ameaças.

Depois de verificar a inscrição da corrente, Giulia dá meia volta e encontra Betty amarrada em uma pilastra outra vez com os Durex nas pálpebras cheios de agulhas com as pontas para cima.

O assassino surpreende Giulia e agarra a corrente, mas a costureira toma a joia de volta e tenta correr, porém é golpeada nas costas caindo. Giulia joga a corrente longe e convence o assassino a ir pega-la, tudo como pretexto para ela ter tempo de agarrar um ferro de passar e o usar como peso para nocautear o bandido.

Giulia tira o capuz do assassino mas antes de revelar a identidade do mesmo, o mesmo acorda e a esgana e a golpeia com uma tesoura fazendo com que a corrente pule da mão da costureira e caia na boca até dentro da garganta dela.

O assassino tenta recuperar a joia a içando com a tesoura, porém como Giulia a engoliu o mascarado resolve fazer uma incisão na garganta da falecida aos olhos apreensivos de Betty até finalmente recuperar a corrente. Insano, o assassino exibe sua recompensa e diz que pode pegar a soprano quando ele quiser.

Por fim, antes de ir embora, o assassino corta parte da corda que prende Betty. A jovem se solta completamente e foge pela rua encontrando Alan no caminho e o inspetor percebe as marcas da corda nos pulsos de Betty.

A jovem conta ao inspetor sobre o assassino e a morte recente de Giulia e Alan a aconselha ficar em casa enquanto ele vai até ao ateliê e a instrui a receber um agente chamado Daniele Soave que é seu parceiro e que este fará a sua segurança além de tomar o depoimento completo.

Horas depois, Betty cuida de seus ferimentos e pinga colírio nos olhos irritados pela picada das agulhas ficando com a visão embaçada e neste momento ela recebe o tal Daniele e depois de acomoda-lo, vai até seu quarto para descansar.

Do nada, a campainha toca e é Mira que iterada que a jovem está sob proteção policial diz ter cruzado na entrada com um tal Daniele Soave, mas se o mesmo está na casa significa que temos um impostor em casa.

Se dando conta que o falso Daniele é o assassino, Betty e Mira procuram pelo mesmo até que do nada as luzes da casa são apagadas forçando a dupla a se esconder momentaneamente na cozinha onde Mira pega uma faca para se proteger.

De volta ao hall da casa, a campainha toca novamente e Mira vigia pelo buraco da fechadura se dando conta de que o falso Daniele deu uma saidinha.

Betty por sua vez, vai até a sala para tentar pegar o telefone e nisso, aquele que se diz o verdadeiro Daniele bate a porta da entrada principal e diz que irá mostrar seu distintivo da polícia, porém o que ele faz se revelando o assassino é efetuar um disparo na fechadura acertando o olho de Mira que morre na hora.

Com o susto, Betty que estava de regresso acaba derrubando o aparelho telefônico que se estatela pelo chão. Não se deixando intimidar, Betty pega a faca de Mira e ameaça o assassino. Ela caminha sorrateiramente pela casa até que o verdadeiro Daniele brota e é acidentalmente esfaqueado na barriga morrendo.

Betty pega o revólver do morto e descobre pelo distintivo que ele é o verdadeiro Daniele. Nisso, o assassino aparece e Betty atira nele que recua.

Do nada, uma linda menininha chamada Alma que é vizinha de Betty aparece por um duto de ventilação e se revelando fã da artista lhe dá fuga a levando para seu apartamento.

Lá, a menina apresenta Betty para sua mãe azeda que expulsa a artista de sua residência seguido de uma bronca e um tapa certeiro na filha.

Betty anda pela cidade agitada à noite enquanto temos uma visão com uma bela loura amarrada pelos pulsos erguidos.

Pouco depois, Betty chega ao teatro onde encontra Marco que diz ter um plano para pegar o assassino, mas precisa que a amiga se apresente na noite seguinte.

Betty vai até o depósito de cenografia na sequencia onde tem uma lembrança de sua infância onde sua mãe mantém a loura da visão amarrada.

Finalmente na noite seguinte, ocorre a apresentação e entre o público estão a pequena Alma e sua mãe. Mesmo apreensiva, Betty se prepara para cantar e Marco pede para que ela faça sua parte do plano e garante que desta vez eles vão conseguir pegar o assassino.

No meio da apresentação, o viveiro com os corvos surge de trás de uma parede falsa do cenário e o tratador libera um dos pássaros que sobrevoa o teatro assustando o público.

Os demais corvos alçam voo causando pânico e atacando Alan Santini, o grande assassino do teatro que tem um dos olhos arrancados na bicada. Mesmo ferido, Alan atira à esmo fazendo geral correr.

Betty corre até seu camarim seguido por Marco que é golpeado por Alan. O assassino retira Betty à força e revela ser um grande fã da mãe da jovem que era uma grande soprano quando viva e alega que ambas cantam maravilhosamente igual.

Alan leva Betty até uma sala de arquivos de roteiros velhos onde amarra e venda a jovem para que ela não veja seu rosto deformado pelo ferimento e que assim ela não poderá ama-lo, por isso o melhor é que ele morra.

Insano, Alan despeja gasolina sobre os roteiros e diz que irá queimar com a amada. Depois, ele coloca um revólver carregado sobre a mão de Betty e pede que ela atire nele enquanto ele revela que não só fã, mas ele era apaixonado pela mãe da jovem, mas que ao ser rejeitado ele a matou.

Irada, Betty dispara assim que o maluco ateia fogo em tudo o matando. Betty se solta rapidamente e vê o algoz virar churrasco. Sem tempo a perder, ela usa um pedestal para alcançar a chave da porta que está com o cadáver mas ao usa-la não consegue destrancar a fechadura.

Marco que havia voltado a si e com reforço, aparece e arromba a porta salvando Betty de uma morte certa.

Pouco tempo depois, Betty vai para uma cabana no alto das montanhas com Marco para tirar umas boas férias e sai para respirar ar puro do campo.

Marco por sua vez, assiste ao noticiário pela tevê e descobre que a perícia identificou os restos mortais de Alan constatando que o que foi encontrado na verdade era um manequim cenográfico do teatro, portanto o assassino está vivo e à solta.

Um barulho é ouvido na cozinha e Marco verifica encontrando o corpo da criada com uma faca no peito entre pratos quebrados. Em pânico, Marco vai até uma das janelas e grita para Betty fugir para longe pois Alan está vivo e está na casa e o assassino aparece correndo no campo.

Marco alcança Alan e luta com ele, porém é assassinado à facadas.

Betty astuta, usa o fanatismo de Alan para controla-lo fazendo-o acreditar que ela é má como sua mãe era e o convence e fugir com ela para longe.

Os dois se embrenham pela entrada da floresta onde Betty vê ao longe um par de cães farejadores e a jovem acerta Alan com uma pedra. No mesmo momento, guiados pelos cães uma equipe numerosa da polícia e um helicóptero cercam Alan o prendendo de uma vez.

Betty grita para Alan que não se parece com sua mãe e quando o assassino é levado, a soprano fica sozinha no campo refletindo sobre a solidão necessária, viver junto a natureza, os insetos, as plantas, livre sem preocupações...

De longe uma das maiores obras do giallo levando ao limite toda violência possível, muito mistério e um frenesi como poucos conseguiam, não deixando a trama ficar chata em nenhum momento.

As cenas de morte são criativas e fortes sem poupar xarope de milho e muito efeito prático para deixar momentos inesquecíveis e desta vez o que marcou de verdade e se tornou a marca registrada do filme foi a famosa cena dos Durex nos olhos com as agulhas, um verdadeiro teste de resistência.

Como é de praxe nas obras de Dario Argento, temos a participação de Daria Nicolodi, mulher de Argento na época e presença marcante em clássicos absolutos como Preludio para matar, Suspiria, Phenomena, Tenebre e vários outros.

Tivemos também os talentos de Cristina Marsillach de Divina obsessão como Betty, Barbara Cupisti de Catedral, O pássaro sangrento (ou Deliria para os mais íntimos) e O estripador de Nova York, numa rápida passagem e por fim, o grande ator e diretor Michele Soave de Demons - Filhos das trevas, Absurd, Pavor na cidade dos zumbis e alguns já mencionados acima. Em Ópera ele fez o papel do policial Daniele Soave numa passagem muito rápida.

De fraco o filme só tem mesmo o último ato onde perderam uma grande chance de finalizar o vilão com um ataque memorável dos cães farejadores ou simplesmente alvejado para ele apenas ser preso depois de ter feito tanta merda. Decepcionante para não falar coisa pior.

Mas isso não tira o brilho da obra que segue sendo top 10 giallo movies para muitos e também um dos slashers dos anos 1980 mais querido passando por cima de muito enlatado Hollywoodiano.  


Trailer: