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sábado, 10 de outubro de 2026

Todas as noites às Nove / Our Mother's House (1967)

 

Voltando bem ao tempo, eu trago hoje a resenha de um filme bem obscuro que trás um thriller cheio de drama familiar que apesar de leve não deixa de ser perturbador e que tem um desfecho de partir a alma, pois os algozes e ao mesmo tempo vítima das circunstância são simples crianças.

A trama se passa num bairro simples e tranquilo onde após a morte da mãe doente por conta de seu fundamentalismo que a fez negligenciar cuidados médicos, seus sete filhos temendo a separação imediata e outros infortúnios acabam ocultando o cadáver no quintal e a esconder o ocorrido como podem.

Tudo ia bem até que o pai das crianças retorna ao saber do capital que a ex mulher deixou aos filhos e inicialmente é conivente com o golpe dos pequenos, mas aos poucos vai revelando seu caráter esbanjador, pavio curto e mulherengo que fez com que ele abandonasse a família e a partir daí a situação começa a ficar descontrolada tornando o dia a dia um verdadeiro inferno.

O filme abre na casa dos protagonista, sete crianças filhos de uma mãe doente terminal em seu dia a dia penoso entre os estudos e os cuidados da mãe. São eles: Elsa, a menina mais velha, Hubert o menino mais velho e racional, Dunstan o cabeça quente, Gerty a menina mais nova e mais liberal, Jiminee que apesar de ter dificuldades na fala possui uma genialidade ímpar, Diana a segunda mais velha porém imatura e religiosa e o caçula Willy que o que tem de inocente tem de inconsequente.

As crianças contam com os cuidados constantes de uma vizinha e amiga da mãe chamada senhorita Quayle que está sempre por perto para manter a disciplina.

A doença da mãe acaba a levando para à morte tendo Elsa como sua última luz e Hubert é o primeiro a saber do ocorrido mas é a irmã mais velha quem acaba dando a notícia aos demais e a mais afetada é Diana que tem uma crise de nervos e de negacionismo e só se acalma quando Elsa lê uma passagem de um livro de poesia da mãe.

Com os ânimos frios, as crianças tomam chocolate quente enquanto os mais velhos planejam o que fazer com o corpo da mãe que era uma religiosa fundamentalista que se negava a receber todo e qualquer cuidado médico.

Horas depois, ao colocar os caçulas na cama, Elsa anuncia aos demais que a mãe deixou um testamento e ao lerem se descobre que a falecida deixou aos pequenos a casa e algum dinheiro de uma conta no banco.

As crianças se dão conta de que se a morte da mãe for exposta eles perderão tudo o que lhes restou e ainda por cima serão levados para orfanatos diversos e então eles resolvem manter segredo.

Na manhã seguinte, os filhos mais novos não encontram a mãe sobre a cama e isso por que os mais velhos a sepultaram secretamente no jardim e Elsa e Hubert instruem os irmãos a manterem a farsa da morte da mãe até mesmo para a senhorita Quayle.

Elsa leva os irmãos para a escola e os encorajam a se manterem firme mesmo com a dor do luto.

Ao anoitecer, as crianças oram e passam os dias seguintes reprimindo sua dor em público.

Certo dia, Elsa vai ao banco com o último cheque de um benefício que a mãe recebia com uma carta falsificada por Jiminee supostamente em nome da mãe para conseguirem sacar o dinheiro sem a presença de um responsável e o plano dá super certo.

A senhorita Quayle encontra Elsa casualmente e pergunta sobre a mãe da menina que mente dizendo que a falecida viajou para o litoral para se tratar por ordens médicas, mas sabendo das crenças da mulher, a tutora das crianças contradiz Elsa que a insulta e a dispensa de suas atividades como guardiã.

Pouco depois, as crianças recebem uma carta de um homem chamado Charlie Hook que Elsa diz ser o pai que os abandonou ao Deus dará e que ela odeia mortalmente e ela pede à Hubert que não conte nada aos irmãos.

Perto dali na vizinhança, um estranho de moto de muito bom coração dá uma breve carona para Gerty até o portão da casa e Dunstan vê tudo da janela fazendo o ocorrido vazar para os irmãos mais velhos que fazem uma assembleia para julgar a irmã e dadas as circunstâncias ela é tomada como uma vadia vulgar e sentenciada a ter seus lindos cabelos cortados o que acaba deixando Gerty deprimida.

Hubert tocado, consola e nina a irmã e resolve tomar partido dos mais novos como tutor e tenta apelar para Elsa para que ela chame um médico para Gerty alegando que ela está muito doente (por conta da depressão que se aprofundou), mas a mais velha é firme em manter as crenças da mãe na anti medicina.

Na manhã seguinte, Hubert falta à aula para tomar conta de Gerty que piorou a ponto de se pôr em estado catatônico e se quer consegue comer o pouco que a família tem.

Anoitecendo, Jiminee leva para casa um amigo deveras tímido chamado Louis dizendo que ele fugiu de cada e por isso irá morar com eles.

Os irmãos entram numa reunião para decidir o que fazer e a democracia vence decidindo pela maioria acolher Louis.

Na manhã seguinte, as crianças brincam pela casa para animar Louis até Willy chegar gritando para anunciar que Gerty melhorou milagrosamente e com fome de pãozinho.

A professora dos mais novos, a senhorita Bailey aparece na casa das crianças querendo falar com a mãe acerca do desaparecimento de Louis sabendo que ele foi visto pela última vez com Jiminee.

Bailey apela e vai até o quarto da falecida não a encontrando e insiste em obter respostas ameaçando levar o caso às autoridades e nisso, chega de surpresa o tal Charlie, o pai das crianças que pede explicações e Elsa insiste na história da viagem para o litoral e o homem contorna a situação permitindo que Louis vá para a casa com a docente.

Elsa recusa a ajuda e a presença do pai, mas os irmãos fazem resistência como maioria favorável para que Charlie fique e se responsabilize por eles já que ele está sendo conivente com suas mentiras.

As crianças fazem uma reunião e Elsa faz que está recebendo o espírito da mãe e supostamente fala por ela. Ao final, Elsa diz que a mãe permitiu que ele fique na casa, mas o recrimina pelo abandono pois ela é a única que se lembra do passado sujo do homem entre farras e bebedeiras.

Charlie acaba se iterando da morte da ex mulher e do golpe das crianças pelo medo da separação e resolve fazer vista grossa uma vez que ele sabe do conteúdo do testamento.

O pai das crianças mantém o papel de responsável contando histórias sobre suas andanças pelo mundo e passa o tempo brincando com os caçulas.

Numa dessas brincadeiras no quintal Willy acaba se machucando e para acalmá-lo, Charlie o nomeia "rei do castelo" e o coloca sobre um barraco onde as crianças montaram um tabernáculo para guardas os pertences da mãe que eles tem como sangrado. Quando Charlie percebe a face de ofendidos pela profanação dos outros filhos, o homem põe o caçula no chão e contorna a situação.

Mais tarde, Charlie vai ao hipódromo com Dunstan e Jiminee para apostar nos cavalos e mais tarde toma conta dos filhos enquanto Diana recita uma oração.

Em outro momento, Charlie e Dunstan encontram a senhorita Quayle no bonde e o homem acaba se contradizendo ao falar sobre a falecida mulher dizendo que ela está internada num sanatório e não no litoral.

Na hora de dormir, Elsa encontra Dunstan, Jiminee e Willy acordados dançando com música alta e deduz que os meninos foram mal influenciados pelo pai.

No dia seguinte, Quayle faz uma visita de inspeção insatisfeita com a história mal contada da mãe das crianças.

Elsa reúne os irmãos para falar sobre as gastanças e bebedeiras de Charlie e leva um tapa em Diana que acredita no pai resistindo às acusações de negligência.

Charlie muda da água para o vinho com a confusão causada pelas crianças e usa dos dotes de Jiminee o manipulando para falsificar a letra da mãe em uma procuração que o torna proprietário da escritura da casa.

Em poucas horas, Charlie aparece com um carro novo na frente de casa e com exceção de Elsa, os demais saem para estrear a caranga nova do pai.

Noutro momento, Charlie leva as crianças para passear de barco no lago do parque seguindo por uma caminhada até o anoitecer quando o homem sai para farrear com vagabundas.

Na manhã seguinte, Elsa recebe um vizinho chamado Halbert enquanto Diana leva o café na cama para o pai e o encontra dormindo com duas vagabundas se decepcionando.

Halbert recrimina Charlie pela farra barulhenta que ele fez na noite anterior e acaba sendo maltratado e posto para correr. Depois disso, Charlie consola Diana e a faz beija-lo na boca deixando-a ainda mais confusa.

Na cena seguinte, Charlie tem uma discussão acalorada com Quayle sobre a tal farra o fazendo se enfurecer.

Perto do anoitecer, Willy mostra aos irmãos que as coisas do tabernáculo foram levadas e que o pai gastou toda a poupança do último cheque da mãe. Como se não bastasse, Charlie ainda conseguiu tornar Quayle sua amante e ainda a leva junto para a farra.

Horas depois, um agente imobiliário chamado Moley e dois clientes aparecem na casa das crianças interessados em comprar o imóvel revelando que Charlie vendeu a escritura.

À noite, Elsa revela aos irmãos uma carta de despedida que Charlie deixou antes de abandona-los quando eles eram muito pequenos para se lembrarem expondo o verdadeiro caráter do homem.

Charlie chega horas depois e Elsa em conluio com os irmãos confronta o pai à respeito da venda da casa e ele os enrola dizendo que na verdade apenas hipotecou o imóvel por que ficou endividado.

Enfurecido, Charlie diz que legalmente, tudo o que pertence aos filhos é dele, pois ele tem uma procuração que os representa uma vez que eles são menores de idade e que irá mandar todos os sete para um orfanato por vingança à ex mulher pois no ponto alto de sua relação ela se converteu e a partir de então a vida ao lado dela tem sido um inferno com tanto fanatismo. O estopim acontece quando Charlie grita que seus filhos são todos bastardos pois a ex era uma pecadora.

Farta, Diana o acerta com um espeto de lareira o matando instantaneamente.

Pouco tempo depois, Quayle chega na porta da casa das crianças pedindo para entrar e geral faz silêncio. Acreditando que Charlie a enrolou para ficar com as putas, ela o pragueja deixando claro de uma vez para todos os resistentes que tipo de homem covarde, interesseiro e volúvel que ele era e vai embora enquanto as crianças vertem em lágrimas de decepção e dor.

As crianças entram numa rápida assembleia sobre como proceder com o corpo e se resolve deixa-lo ao Deus dará como ele fez e ir embora da casa pois legalmente geral vai ficar sem nada mesmo.

Elsa e os irmãos saem com o pouco que podem levar e caminham pelo breu da noite sem destino mas felizes por que eles tem uns aos outros mas por outro lado, jamais poderão voltar a confiar em qualquer adulto novamente...

Sim, o filme é isso, um único momento realmente assustador que é o castigo final que ocorre de forma crua e rápida mesmo se tratando de um filme do final dos anos 1960 onde a violência ainda era um tabu e mal se podia mostrar qualquer vestígio de sangue.

E o fato de que uma criança manchou suas próprias mãos e a consciência com sangue por certo deve ter deixado o público da época em choque, fora os constantes conflitos entre pai e filhos e as cenas em que Elsa supostamente era possuída pelo espírito da mãe.

Se você espera algo mais violento e frenético nem perca o seu tempo, pois como dito lá em cima o filme é um thriller e tem boas doses de drama e filmes assim se valem mais de palavras do que de ação propriamente dito. 

Eu por minha vez gostei bastante, achei as crianças carismáticas e cheias de personalidade o que me fez conseguir distinguir bem quem era quem e mesmo sabendo que os pequenos cometeram um crime atrás do outro a gente acaba se apegando e torcendo para que eles acabem encontrando um fim satisfatório, o que acontece de fato.

Apesar de obscuro hoje, o filme já teve alguma relevância por estas terras já que ele recebeu dublagem lá da década de 1970, 1980 com vozes marcantes da velha guarda, o que se supõe que em algum canal aberto o filme por certo passou mas infelizmente batido apesar da dublagem clássica ter sobrevivido com o tempo.       

 

Trailer: