Garimpando como de costume os filmes pouco ou nunca lembrados, eu encontrei um com uma temática que eu amo de paixão e que já andava escasso por aqui: o de crianças do mal, visto que eu já resenhei de tudo e ainda continuo encontrando pérolas e desta vez eu trago um filme com o selo da Blumhouse, mas que infelizmente é muito baixo orçamento e nunca teve um marketing expressivo na época do lançamento para promover ainda que minimamente.
O filme é de 2017 e narra inicialmente o dia a dia de uma menina pequena que foi abandonada em casa pelos pais durante uma pandemia causada por um mal misterioso instruída a se proteger de um monstro e quando estes voltam, descobre-se que a pequena protagonista tem algum tipo de poder sobrenatural que desperta trazendo um perigo muito grande.
Para evitar entregar demais, eu começo a partir de agora o resumo do filme, então lá vai.
O filme abre com a protagonista, Stephanie aparentando ter sete ou oito anos tocando piano horrivelmente e sozinha em sua casa tendo como única companhia uma tartaruga de pelúcia chamada Francis para quem ela sugere fazer uma vitamina.
Ao chegar à cozinha e tentar alcançar um frasco com frutas em conserva, Stephanie acaba derrubando o compartimento mas usa o conteúdo assim mesmo e sem se preocupar em cortar os lábios com os fragmentos de vidro, sendo que um deles acaba caindo dentro do copo do liquidificador e a menina o retira tranquilamente sem se preocupar com a possibilidade de cortar os dedos com as lâminas e nem mesmo sente dor ao caminhar pelos cacos de vidro espalhados pelo chão.
Repentinamente, algo deixa cair uma bola pelas escadas vindo do andar superior mas não vemos quem é, mas ouvimos Stephanie caminhar até ele ou ela para dar-lhe uma breve brinca de depois voltar para a cozinha só que desta vez ela pisa em uma lasca de vidro e sente chorando de dor.
Passado o infortúnio, Stephanie prepara um rango com o que tem em mãos e com o que sua pouca idade permite e serve quatro pratos à mesa mas faz a refeição solitariamente.
Após o jantar, Stephanie escova os dentes até que a luz do banheiro oscila e na cena seguinte, a menina já está na cama lendo um conto medieval para Francis e pela primeira vez demonstra com muita tristeza sentir falta dos pais.
Na manhã seguinte, Stephanie brinca de pique esconde com Francis e observa algumas fotos da família até ouvir um ronco bestial que a assusta mas desaparece assim que ela se concentra.
Depois, a menina sai de seu esconderijo e observa o lado de fora da casa dizendo para sua tartaruga que tem um monstro em algum lugar lá fora além da floresta onde eles vivem isolados e que ela irá proteger a pelúcia.
Um tempo se passa e Stephanie sai para brincar no quintal onde encontra um coelhinho e decide ir buscar algo para o animalzinho comer e ao derramar um pote de molho sobre sua camisa, ela fala um palavrão e feliz pela sensação de liberdade repete o palavrão várias vezes certa da impunidade.
Ao sair, Stephanie alimenta o coelhinho que depois de um instante corre para dentro da floresta onde a menina tensa se nega a se quer se aproximar por medo.
À noite, a luz do banheiro volta a oscilar e Stephanie acorda no meio do sono ouvindo o ronco do monstro que a faz se levantar e ir correndo até o quarto dos pais onde ela pisa acidentalmente numa abóbora podre e é aí que descobrimos que a menina mantém o cadáver do pai sobre a cama sabe-se lá há quanto tempo.
Na manhã seguinte, Stephanie vê televisão e zapeando pelos canais é exibido um boletim do noticiário falando sobre uma epidemia á nível global, mas a menina ignora e acaba dormindo o dia todo que num piscar de olhos vira noite e a cena corta para Stephanie brincando de festa até ouvir uma das janelas se abrir.
Depois de fechá-la, Stephanie percebe que sua tartaruga Francis sumiu e ao procurar, encontra um animal sobre a mesa.
Irada, Stephanie vai até o quarto do pai e o repreende por não tê-la cuidado e por tê-la abandonado e acaba tendo um surto batendo no cadáver com um bastão até que o lençol que o cobria se mexe sozinho revelando seu rosto decomposto fazendo a pequena gritar de medo.
Assustada, Stephanie corre até sua cama e fica escondida embaixo dos lençóis até amanhecer quando ela resolve tomar o café da manhã e depois de horas em claro a menina consegue enfim dormir desregulando todo seu reloginho interno.
No principio da noite, Stephanie acorda e caminha pela casa até a lavanderia no meio do breu e do nada a máquina de lavar se liga sozinha assustando a pequena.
Passado o susto, horas depois começa a cair o maior toró e isso tira Stephanie da cama a fazendo ir até o andar principal onde encontra a porta da frente aberta.
Ao ouvir o ronco do monstro, Stephanie volta correndo e se esconde na banheira onde ouve alguém entrar e são seus pais... vivos?
A menina é acolhida, consolada e mata a saudade dormindo com os pais até de manhã quando Stephanie acorda vendo sua mãe trocar de roupa e acaba percebendo que a mulher tem pequenos furos nas costas.
Depois, Stephanie vê o pai do lado de fora descarregando várias tábuas no quintal e sai da casa resolvendo criar coragem para explorar além do quintal, na entrada da floresta que é uma plantação de abóboras na verdade e ao atingir um certo ponto, ela encontra um singelo túmulo de alguém chamado Paul ao qual ela resolve cavar.
Pouco tempo depois, a menina volta para o quintal e sua mãe a repreende por ter desobedecido as ordens dela e do marido de não sair de forma alguma de casa, mas o pai apazigua as coisas.
Na manhã seguinte, Stephanie tem uma conversa pendente com os pais acerca do abandono mas acaba ficando elas por elas no final.
Mais tarde, Stephanie vai até o quintal onde o pai está construindo uma enorme cerca em volta dizendo que é para conter o monstro e depois o homem pergunta sobre o coelhinho que a menina encontrou mas é interrompido pela esposa.
Em um outro momento, Stephanie encontra a mãe falando pela internet com uma amiga que serve ao exército acerca da epidemia que se alastrou e o isolamento de emergência imposto pelo presidente.
À noite, a família assiste à um filme até a hora de dormir e Stephanie, andando pela casa encontra às escondidas o pai amparando a mãe aos prantos depois de encontrar a janela de um dos quartos destruída.
Na manhã seguinte, Stephanie discute com os pais sobre o monstro se dando conta de que eles não podem fugir de casa pois a criatura irá segui-los onde quer que estejam.
Mais tarde, Stephanie vai até o quarto da mãe e descobre alguns relatórios sobre um massacre numa vila da França e algumas ilustrações instruindo a execução de uma cirurgia num ponto específico de um cérebro humano, em outras palavras, lobotomia.
A mãe chega na mesma hora fazendo a menina se esconder e vê a mulher ter um ataque ao checar seus estudos revirados.
Mais tarde, é a vez do pai ter uma conversa com Stephanie sobre o motivo que fez ele e sua mulher a abandonarem enquanto a menina toma banho. A menina submerge na banheira à mando do pai e percebe que o homem tenta afoga-la e emerge assustada logo depois e confusa se o que ela viu foi real ou coisa da sua mente.
Em um outro momento, Stephanie acorda de uma soneca com o rugindo do monstro vindo próximo ao seu quarto o que a faz correr até o andar de baixo procurar seus pais.
De repente, uma das portas se abre revelando o pai da menina de costas com uma pá na mão e este vira a cabeça de trás para frente encarando Stephanie com uma face cadavérica e a pequena grita percebendo que aquilo tudo foi apenas um sonho.
Agora sim acordada, Stephanie desce até o andar principal da casa e ouve o ronco do monstro e agora sim encontra os pais e diz em pânico que há algo no porão.
De repente, uma força invisível puxa o pai para trás o fazendo ir de encontro ao porão enquanto a mãe leva a menina para o quarto e se tranca com ela no armário.
O rugido da criatura permeia o quarto e a mãe resolve sair para verificar acreditando que o silêncio é um indicativo de que o monstro se foi, mas a força invisível a puxa para trás fazendo Stephanie fugir pulando a janela.
Stephanie tenta fugir pulando a cerca, mas a mãe agora livre a alcança e a impede ao mesmo tempo que o gramado do quintal racha em vários pontos até parar.
A mãe faz Stephanie cheirar clorofórmio e revela à menina que ela é o monstro na verdade, ou seja, todos os eventos sobrenaturais ocorridos na casa são provenientes de um poder emanado inconscientemente da menina.
Na manhã seguinte, Stephanie acorda sem se lembra de nada do que aconteceu no dia anterior e horas mais tarde tem uma conversa decisiva com os pais que revelam que o monstro está na mente dela e que suas memórias reprimidas são a chave para derrotá-lo, ou seja, se a menina se lembrar de tudo que está nebuloso em seu subconsciente, eles poderão encontrar a fonte de seus poderes e anular o monstro.
O pai então, resolve hipnotizar a filha usando o Pêndulo de Newton (aquelas bolinhas de metal suspensas em uma haste por barbantes que batem uma na outra causado uma reação em cadeia) e consegue colocá-la em transe a levando até uma memória oculta acerca do tal Paul que era nada menos que o irmão mais velho de Stephanie.
A cena em flashback começa com Paul e Stephanie esculpindo abóboras (creio que devia ser Halloween na época) até que o menino como todo irmão mais velho a provoca por pura diversão e é aí que a menina irada desperta seu poder oculto fazendo sua faca se mover para cima e ficar presa ao teto.
Stephanie acaba despertando seus poderes na realidade e se descontrolando fazendo com que a mãe tente suspender a hipnose mas a menina já recuperou a memória e diz ainda em transe se lembrar que foi seus poderes que mataram Paul como vemos num flashback onde a menina faz pressão no cérebro do irmão o estourando juntamente com as órbitas dos olhos.
Guiada pela voz do pai, Stephanie sai do transe mas é tomada pela força maligna que faz seus olhos ficarem completamente enegrecidos por dentro e nisso, a mãe a faz desabar com uma dose cavalar de anestesia.
Sem perda de tempo, os pais preparam uma neurocirurgia de emergência seguindo as anotações que induziriam a menina a um estado de lobotomia, mas no momento de perfurar o ponto crucial no cérebro, Stephanie acorda provocando uma pressão na broca.
Anoitece e o pai bebe vendo o noticiário na televisão falando sobre a epidemia e a âncora diz que devido as falhas contínua das equipes de cientistas ao redor do mundo no desenvolvimento de uma cura, a única saída agora para frear o surto da misteriosa doença é expor os infectados à eutanásia forçada.
A mãe põe Stephanie para dormir e tenta seguir a vida com o marido consternados e sem esperança na manhã seguinte tentando sua última cartada: preparar uma solução letal misturada ao leite com chocolate da filha em segredo.
Com tudo devidamente planejado, o pai resolve convidar Stephanie para uma caminhada pela floresta e no meio do caminho, a menina se sente culpada pelos eventos que andaram acontecendo mas o homem tenta acalma-la a convencendo de que ela é inocente daquilo ela pensa que fez.
O pai para no meio da floresta e oferece chocolate quente para a filha, mas ao levar a garrafinha térmica até a boca, Stephanie tem um estalo despertando o monstro e derruba o recipiente ao detectar a substância mortal.
Stephanie tomada pelos seus poderes faz pressão na cabeça do pai que tenta usar seu revólver como última alternativa mas a menina se contém e diz amar o homem. Depois, ela volta a ser o monstro e torce os braços do pai que se concentra e atira na menina monstro várias vezes a derrubando.
O pai volta para casa nauseado e chora nos braços da mulher enquanto o corpo de Stephanie permanece inerte. Um tempo depois, o pai pega uma pá para enterrar a filha, mas a menina surge viva pela porta do quintal. Em pânico, o pai ordena á mulher que suba e se esconda enquanto Stephanie entra na casa à força e usa seus poderes para arremessar o pai contra uma porta.
Depois, Stephanie sobe e procura pela mãe que se esconde dentro do armário mas acaba sendo encontrada e puxada pela telecinesia da filha até o andar de baixo e jogada contra a parede.
Com os pais reunidos, Stephanie os repreende por terem tentado mata-la e ela apunhala o pai pelas costas com seus poderes totalmente tomada pelo monstro. Seguindo, a menina monstro torce braços e pernas da mãe e a joga no chão.
Stephanie faz a faca passear pela coluna do pai a rasgando de cima para baixo ao mesmo tempo que a casa começa a desmoronar. A menina deixa o local ilesa levando Francis consigo e arrasta os corpos dos pais até o túmulo de Paul.
Ela segue sozinha abandonando até mesmo Francis agora em plenamente tomada pelo monstro e caminha pelo bairro pela primeira vez em tempos espalhando as sombras do mal por todo lado e trazendo destruição e queimada por todas as casas pelas quais ela passa.
A câmera vai abrindo um close desde a rua até todo o planeta Terra que é tomado pelas chamas da destruição se tornando uma bola negra sem vida a medida que a tela se fecha e entram os créditos...
Um final apocalíptico para um filme que poderia ter sido mais se tivesse sido amplamente divulgado e tivesse muito mais orçamento para torrar, visto os efeitos especiais que são bem amadores para um filme da Blumhouse, berço de franquias grandes como Atividade paranormal e Sobrenatural, sendo os mais recentes Maldição da Múmia de Lee Cronin e Obsessão de Curry Barker que são obras grandes.
A pequena Shree Crooks que deu vida à protagonista infelizmente não tem um currículo vistoso e se quer se manteve por muito tempo atuando tendo parado já em 2020 numa participação em uma série chamada Ray Donovan. No entanto, Crooks atuou muito bem sobretudo no primeiro arco do filme quando teve que atuar totalmente sozinha convencendo o espectador de sua inocência e doçura conseguindo esconder a faceta dominada por uma infecção misteriosa que infelizmente não foi muito bem desenvolvida, aliás eu nem entendi direito se a pandemia era de alguma doença ou de um surto de possessões demoníacas, então fica aí aberto à interpretação.
O filme até conseguiu por algum tempo esconder o que estava de fato acontecendo, mas os sinais eram muito evidentes então qualquer um poderia decifrar que Stephanie era o monstro o tempo todo, mas para isso a suspensão da descrença teria que ser enorme ou o espectador teria que simplesmente ter sangue frio com crianças.
O caso é que a tensão e a expectativa para muito foi quebrada depois da revelação e como eu disse o fato da epidemia não ter sido 100% explicadas deixou um furo que jamais será sanado por que não só o filme não fez sucesso mas o mundo no final do filme já estava praticamente destruído, então não teria como acontecer uma sequencia, quando muito uma prequela.
No mais, o filme é bem médio mas diverte pelo menos no início apresentando bem até demais a protagonista até a história de fato se desenrolar e faz a gente ficar dividido entre a inocência da menina e o sofrimento dos pais que tentaram de tudo para conter o monstro dentro da filha chegando até a tentar lobotomiza-la e mata-la, dando um lado humano aos personagens de apoio que se quer tem nomes.
Trailer:

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