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sábado, 13 de junho de 2026

O Estripador de Nova York / The New York Ripper / Lo Squartatore di New York (1982)

 

E chegado o costumeiro giallo mensal, hoje eu trago mais uma obra do mestre Lucio Fulci que abraça uma trama criminal de serial killer com muita sacanagem envolvida além de muita brutalidade, marca registrada de Fulci.

A história gira em torno de um tenente da polícia que investiga casos conectados de assassinatos de belas jovens a partir do momento que uma mão decepada e putrefata de uma das vítimas de um assassino serial é encontrada no córrego próximo a um porto em Nova York.

O desafio se torna intenso conforme o assassino faz ligações provocando o policial enquanto aumenta o número de vítimas sempre seguindo o mesmo modus operandi e exige da ajuda de um psicanalista para ajudar a traçar um perfil que leve à localização do maníaco local.

Tudo começa próximo à um córrego na área portuária de Nova York onde um senhorzinho leva sua cadela de estimação para passear e ao jogar uma bola para o animal buscar, o homem fica boquiaberto quando a pet retorna detrás de um arbusto com um a mão decepada e pútrida na boca.

A intro foca na mão numa cena estática por pouco mais de um minuto até cortar para a delegacia de polícia onde o tenente Fred Williams pega o depoimento de uma senhora chamada Weissburger acerca da dona da mão decepada cujo corpo estava junto ao arbusto e pertencia a uma jovem bonita que foi brutalizada.

Weissburger que mora perto do córrego menciona ter ouvido o suspeito de ter assassinado a moça na noite do crime e surpreende ao dizer que o criminoso tinha uma voz de pato e que ele grasnava.

O filme corta para próximo do porto onde uma jovem pedala até o interior de um estaleiro onde seu carro está estacionado e adentra nele.

Do nada, alguém que não vemos mas ouvimos com um tom de voz fino e grasnados de pato, ou seja o assassino do porto, aborda a jovem dentro do veículo e desfere um golpe fatal de faca em sua barriga.

Não muito mais tarde, os funcionários do estaleiro encontram o corpo da jovem enquanto fazem a transferência dos veículos do compartimento para dentro de uma grande embarcação.

O corpo vai parar nas mãos do médico legista, o doutor Barry Jones que depõe para o tenente Williams confirmando os elementos de um assassinato.

Ao voltar para a delegacia depois de levar um esporro de seu superior, Williams descobre que um estranho com voz de pato deixou um recado oriundo de um telefonema dizendo que mais tarde retornará a ligação.

Depois, Williams procura pelo psicanalista o doutor Paul Davis para conseguir um panorama psiquiátrico completo do assassino de Nova York mediante ao seu modus operandi para conseguir localizar o mesmo.

Na cena seguinte, somos levados para um tipo de teatro erótico onde ocorre uma demonstração explícita de sexo entre um casal de atores e entre os espectadores está a jovem Jane Forrester Lodge que se toca excitada com o espetáculo enquanto esconde um gravador de fita K-7 onde registra os gemidos da atriz e um pouco próximo à ela está um homem chamado Mickey Scellenda que a observa discretamente.

Depois do espetáculo, a atriz troca de lugar com uma colega que inicia outra transa ao vivo. A atriz que acabou de finalizar o trabalho vai até um depósito de figurinos onde acaba ficando sem luz pois o interruptor não funciona.

Repentinamente, o assassino com voz de pato surge de trás de uma cortina e esfaqueia a artista na barriga a matando rapidamente.

Na mesma noite, Williams que dorme com uma prostituta chamada Kitty é acordado por uma ligação do assassino com voz de pato que revela ter matado outra mulher e o provoca.

Williams questiona sua garota da noite se ela passou o número de seu telefone para alguém, mas depois se lembra que o assassino mencionou saber que ele estava se divertindo e com isso fica claro que o psicopata segue os passos do tenente.

Em paralelo, Jane compartilha com seu marido a gravação do K-7 com os gemidos e este parece aceitar tranquilamente o conteúdo como se fosse um presente para excita-lo.

Na manhã seguinte, Williams recebe o doutor Davis na delegacia e o terapeuta diz ter traçado o perfil do assassino revelando que o suspeito é um ego maníaco e que mesmo nas sombras ele gosta de se exibir o que faz dele dotado de uma inteligência superior.

Em paralelo, Jane vai até um bar de baixa reputação e começa a provocar uma dupla da quebrada roçando seu pé nas partes íntimas de um deles que se identifica como Morales que corresponde roçando os dedos de seus pés diretamente na vagina da mulher que mesmo se sentindo ameaçada pelo perigo que a dupla representa se sente excitada.

Cansado da brincadeira, Morales saca um revólver para a fogosa que corre desesperada.

Na cena seguinte, somos levados à um metrô decadente onde uma jovem chamada Fay Majors é abordada pelo tal Mickey Scellenda que aparenta conhece-la pois a chama pelo nome e temendo suas intenções, a loura salta do veículo e corre estação afora chegando às ruas noturnas de Nova York.

No meio do breu, o pato assassino aparece e a cerca a atacando com sua inseparável faca. Mesmo ferida, a jovem corre e se esconde dentro do teatro onde segue sendo perseguida e torturada psicologicamente até receber outro golpe. Fay acorda gritando no leito de um hospital confusa.

Peter Bunch, o namorado de Fay a visita no hospital ao tomar conhecimento do ataque e tenta acalma-la, mas a jovem em sua confusão mental diz ter sonhado que foi assassinada e que seu algoz parecia com ele, o namorado mas que estranhamente o mesmo tinha dois dedos da mão direita decepados.

Coincidentemente, Williams comenta com Davis uma pista do assassino de Nova York que pode facilmente identifica-lo: a falta de dois dedos na mão direita.

Neste meio tempo, Jane realiza um fetiche com Mickey Scendella em um motel onde ela fica algemada à cama apenas de lingerie e antes de iniciar, o homem ergue o volume de seu aparelho de som e faz uma ligação para alguém denunciando o que ele irá fazer com a fogosa.

Um tempo depois do ocorrido, Jane acorda ouvindo um radialista local mencionar em plantão urgente que o assassino em série de Nova York tem como marca registrada a falta de dois dedos na mão direita, coisa que Mickey tem e logo a jovem fogosa percebe ter entrado numa presepada e prepara uma fuga silenciosa ao se desfazer das algemas.

A porta de acesso à recepção do motel no entanto está trancada e Jane acaba sendo pega pelo assassino que a esfaqueia mortalmente.

Poucos dias depois do corpo de Jane ter sido encontrado, Williams interroga o doutor Lodge, marido dela que admite o excesso de libido da mulher e sua vida sem limites como agravante e seu triste final e o que a fez buscar consolo nos braços de um homem sexualmente são.

Seguindo uma pista contundente, Williams faz uma busca pelo barraco decadente da mulher de Mickey que agora é um suspeito em potencial e encontra muito material pornográfico e de fetiche.

Do outro lado, Peter leva Fay para casa após ela receber alta e o doutor Davis a visita para saber se o maníaco que a atacou não teria ligação com Mickey Scellenda, o que ela nega nervosamente.

Davis reporta à Williams tudo o que conseguiu tirar de Fay e menciona que ela foi evasiva e deixou brechas enquanto o tenente diz que seu suspeito atual, Mickey tem o perfil do assassino que eles procuram, mas que ainda é cedo para prende-lo pois precisam de provas contundentes para detê-lo.

Enquanto isso, Fay vai até seu quarto para descansar sem perceber que no piso principal, o assassino quebra o vidro de uma das janelas para romper a trava de proteção e invade a residência cortando a luz.

Ao pressentir a entrada do algoz, Fay se esconde debaixo da cama mas ao sair é agarrada.

Peter chega na casa no mesmo instante e ao ouvir os gritos da namorada sobre rapidamente até o quarto. O assassino se atraca com Peter no meio do caminho e foge sem fazer mal à Fay.

Na cena seguinte, Peter presta depoimento para Williams que imediatamente faz uma roda pela cidade mas sem sucesso.

Na manhã seguinte, Williams recebe uma ligação do pato assassino que é rastreada por especialistas e o malfeitor diz ter raptado Kitty, a prostituta de estimação do tenente. A ligação acaba levando a policia até uma cabine no píer onde só encontra um gravador onde o assassino deixou um K-7 com uma gravação que narra a tortura física que Kitty sofre na mão do maníaco onde ela tem sua barriga cortada por um gilete.

Williams se dirige até um prédio indicado pelo assassino e encontra Kitty morta numa cama com um corte profundo da barriga até a vagina.

Quatro dias depois, o corpo de Mickey é misteriosamente encontrado no córrego em estado de decomposição e com uma das mãos decepadas e o cadáver é analisado pelo doutor Barry Jones sobre a presença de Williams que se põe cético.

Reunindo-se com Davis, Williams se atualiza sobre suas analises acerca do pato assassino e o psicanalista diz que Mickey era apenas um pau mandado do assassino que é um frustrado por algum motivo desconhecido e que através das mortes das jovens bonitas e louras ele visava algum conforto.

Depois que a situação acerca do assassino começou a ficar delicada, o mesmo contratou os serviços de Mickey como assassino de aluguel apenas como pretexto de jogar para cima dele as suspeitas de todos os assassinatos e como ele perdeu a utilidade foi descartado como lixo.

Enquanto isso, Fay vai até a ala infantil de um hospital onde visita de longe uma linda menina lourinha acometida pela amputação de um braço oriundo de algum tipo de acidente ou abuso (pelo menos para mim o filme não deixou 100% explícito a causa) cujo aspecto hepático a transfigura como uma paciente grave e esta é cuidada por uma enfermeira que conta-lhe uma linda história sobre um pato que faz Fay se lembrar do assassino.

Logo depois, Fay se dirige até a casa de Peter para ajuda-lo a preparar o jantar.

Williams interroga a enfermeira da menina amputada que diz que o ocorrido com ela esgotou completamente seu sistema linfático e que por isso ela tem pouco tempo de vida. A profissional ainda menciona que a mãe da menina está fora do pais viajando Á trabalho enquanto o pai tem pago as mensalidades da internação em dia mas que há vários meses do ocorrido ninguém visita a pobre.

Tendo Peter como novo suspeito de ser o assassino, Davis pede à Williams que vigie o namorado de Fay.

Na cozinha, enquanto procura algo para mexer uma sopa, Fay encontra um jogo de facas cuja uma delas é similar à que o pato assassino usou no dia que ela foi perseguida e atacada.

Enquanto Williams e Davis se dirigem á casa de Peter, ele recebe uma ligação do assassino que ameaça se vingar dele e ao mesmo tempo Fay ouve a conversa pela extensão.

Peter vai até a cozinha e nota que Fay desapareceu assim como uma das facas do jogo e ao dar meia volta para procura-la é surpreendido pela namorada que o esfaqueia o fazendo rolar pelas escadas do porão.

Ao descer para averiguar, Fay é a surpreendida da vez, pois Peter não só se levanta como começa a falar com voz de pato revelando-se o verdadeiro assassino de Nova York. Peter toma a faca e ao tentar atacar Fay, inesperadamente ele é baleado certeiramente na cabeça morrendo na hora com um baita rombo feito pelo disparo.

A menina internada que agora sabemos se chamar Susie tem uma leve melhora em seu quadro encorajada por um patinho de brinquedo que é a sua adoração.

À caminho da delegacia, Fay revela ter juntado os pontos entre a faca do crime, a perseguição fora do metrô e uma ligação que ela ouviu em segredo onde era planejado seu assassinato e por fim o vínculo entre ela e a menina amputada que agora sabemos se chamar Susie: a menina é filha de Peter e o maníaco se refugiou na figura de um pato de uma história de conto de fadas para tentar se eximir da culpa de seus crimes e que a principal motivação que o fez matar justamente jovens louras e bonitas foi a frustração por vê-las todas desperdiçando suas vidas de forma mundana sem nunca pagar por seus próprios "crimes" enquanto sua filha que é inocente sofreu um grande golpe em sua vida e agora jamais poderá se tornar uma mulher.

Na casa de Peter, o telefone toca e é Susie que implora para que o pai atenda para falar com ele e pela falta de retorno e como se previsse que o pior aconteceu, a pequena se põe inconsolável chorando focada pela câmera enquanto os créditos entram ao som de uma música alegre tipicamente oitentista...

De longe, The New York ripper é um dos filmes mais viscerais de Fulci além do mais explicito sexualmente falando não poupando o espectador de cenas picantes, um verdadeiro pornô espaguete.

A direção de Fulci e os efeitos práticos estão do jeito que um bom fã de giallo gosta; as cenas das mortes apesar de levemente suavizadas (ou pelo menos eu percebi assim) não interferem na experiência por que o resultado final ainda sim é satisfatório.

A identidade do assassino em série é uma verdadeira trollagem com o público hora jogando as suspeitas em um, depois em outro até o grande desfecho quando ai sim descobrimos o "quem" e o "por que" das coisas de forma chocante. Aliás a tal motivação do assassino é palpável e casa perfeitamente bem com os acontecimentos, ponto para o roteiro.

O único ponto que a trama falha comigo é ao jogar à esmo personagens aqui e ali para só depois armar um elo entre vítimas e investigador. Nesse quesito, o filme exige a paciência do espectador e que ele simplesmente desligue a mente e desfrute do filme sem se preocupar demais com detalhes.

No mais, o filme tem um ritmo bacana, não fica parado e tem mortes a cada momento para sustentar o tempo da trama sem precisar se refugiar com enchimento de linguiça.


Trailer:


 

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