Seguindo com nossa cota de giallo mensal, eu trago uma das raras obras que chegaram por aqui com uma dublagem e é um filme do mestre Lucio Fulci que aqui também atua rapidamente na trama.
O filme vai contar as desventuras da família de um professor em arqueologia de Manhattan que em férias no Egito acabam despertando uma dimensão demoníaca quando a filha mais velha recebe de uma velha cega um talismã misterioso de uma divindade das trevas.
Enquanto se busca descobrir a procedência de eventos sobrenaturais na residência a família depois de voltar para os Estados Unidos, o mal possui a detentora do talismã e ceifa a vida de inocentes que ameaçam os segredos ancestrais.
Tudo começa no meio do deserto do Egito com dois arqueólogos, o professor George Hacker e seu assistente que colhem uma espécie de escorpião para analise.
Em outro canto, junto às pirâmides e a esfinge, a menina Susie Hacker, filha de George é fotografada pela mãe, Emily até que do nada, um punhado de areia que a menina segura na mão fica revolta ao mesmo tempo que um buraco se move na areia do chão e Susie brevemente perde a conexão com a realidade.
Depois do evento, mãe e filha trocam de lugar nas fotografias e posteriormente, Emily deixa Susie sozinha no meio de um vilarejo para fotografar outros pontos turísticos próximos.
Susie acaba sendo acometida pela aparição de uma velha cega que parece influenciar a menina a paralisando e depois lhe dá sem dizer nada, um amuleto e desaparece num piscar de olhos.
Em uma escavação, George descobre uma pedra escondida no subterrâneo de uma pirâmide que pode segundo ele ser o segredo para encontrar uma tumba antiga com a fama de amaldiçoada.
George e seu assistente, descem pela entrada da pirâmide e descobrem que de onde a pedra saiu tem uma parede com uma inscrição em hieróglifos e uma espécie de chave em forma de uma cobra enrolada em si mesma que acionada dispara lanças e uma cobra como armadilha.
Logo mais a frente, os rapazes acabam acionando uma outra armadilha que abre um alçapão com um buraco cheio de espinhos por onde o assistente cai para a morte.
George por sua vez, encontra uma joia numa parede que emite um par de fachos de luz azuladas que são refletidas em seus olhos.
Enquanto isso, no vilarejo Emily dá Susie como perdida ao retornar ao ponto onde ela deixou a menina mas a encontra logo depois ao mesmo tempo que George sai da pirâmide exausto.
A cena corta para dias depois, já nos Estados Unidos com Emily levando George até um oftalmologista para ele fazer alguns exames por conta de uma cegueira que ele adquiriu quando foi acometido pelos fachos de luzes.
Em paralelo, Susie passeia com seu irmão caçula Tommy e sua babá Jamie Lee pela cidade.
Emily leva George para casa e fica à sal disposição para ajudar com suas anotações sobre sua descoberta arqueológica numa tentativa de sanar os nervos do marido.
Durante o passeio das crianças, Tommy descobre o talismã de Susie e ela se justifica para Jamie Lee dizendo ter trazido a joia do Egito durante as férias.
De volta à casa, Susie tem uma premonição de que uma tempestade se aproxima naquela mesma noite e ao chegar o momento ela simplesmente acerta e na hora de ir dormir, a menina tem uma visão com a velha cega.
Assustada, Susie vai até o quarto dos pais pedindo para dormir com eles, mas é vítima da resistência.
Ao fazer o caminho de volta para o seu quarto, Susie vê uma projeção do olho que está em seu talismã e isso a faz gritar e desmaiar sendo amparada pela mãe que a encontra logo depois.
Na manhã seguinte, Emily ajuda George a fazer uma gravação em k-7 de suas descobertas na última escavação uma vez que ele não pode transcrever num relatório.
Em paralelo, Susie entra numa espécie de transe e seus lindos olhos emitem o mesmo brilho azulado que cegou o pai.
George retrocede a fita que acabara de gravar para se ouvir e percebe que um grito foi captado ao fundo.
Susie tem uma visão com Tommy sendo abduzido por uma luz branca oriunda de uma porta com a mesma cor e grita para que o irmão dê meia volta chamando a atenção do pai que se guia pelo tato para chegar ao quarto das crianças que já não mais estão no local.
George sem perceber passa por um espelho onde está gravado uma mensagem de socorro até que do nada, um par de fachos de luz azulados atingem seus olhos.
Emily encontra George que ao retirar seus tampões percebe ter recuperado parcialmente as visão e descobrem que Susie e Tommy estão bem com Jamie Lee. O arqueólogo diz para a mulher que precisa voltar à escavação para descobrir o que viu antes de ser cegado.
Em outro momento, as crianças brincam de pique esconde com Jamie Lee enquanto George relata para um amigo chamado Willer sobre a pedra que viu na parede da escavação e o estudioso lhe diz que se trata de um antigo Deus egípcio chamado Habdumenor que em tempos ancestrais foi adorado porém esquecido com o tempo por conta de sua crueldade.
Enquanto isso, Jamie Lee procura pelas crianças no escuro guiada pelas risadas dos pequenos e acaba ficando presa no quarto na companhia de uma naja.
A babá liga para a segurança do hotel onde a família vive e é mandado um dos homens que acaba ficando preso na cabine do elevador que sofre um tremor.
Tommy prega um baita susto em Jamie Lee com uma máscara de monstro enquanto o segurança arrebenta os dedos ao se esforçar barra abrir as portas da cabine do elevador até que o chão se solta o tragando para a morte.
Emily recebe uma ligação de Jamie Lee e pede para seu louco companheiro de trabalho Luke a ajudar a socorre a babá que está presa, mas ao chegarem à residência tudo voltou a normalidade.
Luke vai até o quarto onde a porta está emperrada para tentar abri-la e acaba sendo abduzido pela luz branca.
Jamie Lee ouve o grito de Luke e vai até o quarto onde encontra o chão repleto de areia do deserto e venta como se fosse o mesmo. Um escorpião negro emerge da areia, mas tudo acaba desaparecendo quando Tommy chega.
Emily por sua vez, tem uma visão de uma pedra com escritas antigas na pirâmide e brevemente vemos Luke desmaiado no meio do deserto o que indica que ele foi teletransportado.
Horas depois, George volta para casa e descobre pela esposa que Luke desapareceu, mas cético sabendo que o amigo é um brincalhão inveterado desacredita na história.
Enquanto isso, Susie dorme e sua mão emite uma fumaça escaldante que faz uma marca de queimado no lençol.
Na manhã seguinte, Emily diz para George que ninguém no escritório onde ela trabalha viu Luke, mas irredutível, o marido ainda acredita se tratar de alguma brincadeira.
Enquanto isso no parque, Jamie Lee tira uma Polaroide das crianças que não se revela e acaba sendo descartada. Porém, segundos depois, a imagem se revela e mostra uma projeção do talismã e a foto é resgatado por uma mulher misteriosa e suspeita.
Em paralelo, um homem chamado Adrian Marcato recebe um telefonema dizendo que algo foi encontrado e assim que o homem que é dono de um antiquário folheia um livro antigo, descobre-se uma gravura do talismã que agora sabemos que se chama O olho do mal.
Coincidentemente, Emily passa na frente do antiquário e recebe da mulher misteriosa um envelope com algo que ela diz ser dos filhos da mulher de George que ela encontrou no parque.
A mulher desaparece e Emily leva o envelope até George descobrindo conter a Polaroide das crianças e na borda está escrito o nome de Marcato.
Do nada, o casal ouve o grito de Tommy e ao subir para verificar descobrem brinquedos espalhados pelo caminho entre os degraus da escada. Quando chegam no quarto encontram as crianças sãs e salvas e o caçula diz que Jamie Lee viajou.
À noite, durante a hora de dormir, Tommy questiona Susie sobre a culpa que eles tiveram pelo que de fato aconteceu com Jamie Lee.
Em paralelo, Willer, o amigo de George examina a Polaroide com o amuleto do olho do mal até que uma naja aparece e lhe crava as presas no pescoço do estudioso que pode ser vista por Susie através de uma projeção e isso a faz acordar aos gritos.
A menina tem uma crise de gritos incessantes precisando ser contida pelos pais que descobrem a Polaroide queimada na mão da menina.
Tommy diz que Susie sempre grita quando vai viajar como parte de um jogo que ela inventou e depois mostra uma escultura de Anúbis que o menino diz ter encontrado no rio durante a última viagem da família, mas George duvida.
Depois, George e Emily vão até o antiquário de Marcato que diz ter previsto a chegada de ambos. O homem examina a Polaroide e fala sobre parapsicologia e que o amuleto foi encontrado há milhares de anos e ainda crava que Susie está possuída pelo olho do mal e que ela corre perigo.
Marcato assegura aos Hacker que não poderá ajuda-los quando for tarde demais e eles o tomarem como charlatão e os aconselha a procurarem pelo amuleto.
Um tempo depois, já em casa, George recebe uma ligação da universidade anunciando que Willer morreu picado por uma cobra e a ligação é interrompida por um grito de socorro de Susie.
George e Emily sobem rapidamente e veem a luz branca sendo emanada do quarto das crianças e Susie aparece envolta à luz e emitindo uma aura energética azulada que a faz sumonar um escorpião negro em sua mão fazendo com que a menina desmaie no processo.
Marcato é chamado e ele toma conta de Susie enquanto os pais esperam e divergem entre a ciência e o sobrenatural.
O casal ouve Susie chama-los e George sobe até o quarto encontrando a filha inconsciente enquanto sua voz é emitida de dentro de Marcato que tem uma convulsão e sangramento.
Depois de se recuperar do colapso, Marcato diz para George que Susie é prisioneira do amuleto e que a joia tem o poder de abrir um portal para o inferno.
Marcato pede para que George segure sua mão para que eles possam fazer uma viagem astral para a terra de origem do amuleto mas quando a projeção ia começar, Emily interrompe dizendo que Susie acordou.
A menina é levada ao hospital onde é ligada à eletrodos para examinar suas ondas cerebrais.
Marcato por sua vez, volta ao antiquário com o amuleto e é acometido por uma alucinação causada por Tommy que está dominado pelas forças do mal e o menino fala sobre um castigo enquanto que em outro plano vemos um pedaço do braço de Jamie Lee preso e em decomposição sobre uma parede manchada de sangue.
Enquanto isso, um raio-x do tórax de Susie mostra a figura da naja dentro dela e sua ondas cerebrais começam a emitir um som estranho.
Marcato segue preso à visão até que Susie acorda com a agitação de suas ondas cerebrais e volta a ficar desacordada expelindo sangue pela boca. A menina volta a acordar logo depois desta vez completamente livre do domínio do mal ao lado da mãe.
George procura por Marcato que diz que Susie está fora de perigo pois ele arrumou um substituto para prisioneiro do olho do mal e aconselha o homem a jogar o amuleto no lugar mais escuro.
Depois que George se vai, Marcato examina uma ave empalhada de sua coleção que do nada cria vida e o ataca com bicadas no rosto. A ave trás outras duas semelhantes que armam um novo ataque ao antiquário o matando e depois voltam para seus respectivos poleiros voltando a serem inanimados.
Na manhã seguinte, George atira o amuleto no rio da cidade.
A cena corta para o Egito onde uma outra linda menina recebe o amuleto da mulher cega dando início ao ciclo do mal novamente...
O filme foi uma coprodução entre os Unidos, Itália e Egito o que explica sua chegada por estas bandas de forma oficial e ainda por cima dublada, diferente de outras obras giallo que no máximo chegaram em alguma locadora isolada e como de praxe apenas legendado como todo filme de terror na época.
O único rosto conhecido, pelo menos para mim foi o do menino Giovanni Frezza que no mesmo ano repetiu a parceria com Fulci em A casa do cemitério e entre 1985 e 1986 participou de Demons 1 e 2 de Dario Argento. No filme em questão ele deu vida à Tommy, do qual alias, o final foi muito mal concluído mas que se dá a entender que depois de Susie ter sido liberta do amuleto ele é quem foi aprisionado e como Marcato disse, ele arranjou um substituto sendo ele mesmo, se sacrificando para que o amuleto perdesse a força.
Como o filme teve uma distribuição mais ampla, obvio que os veículos de censura da época devem ter exigido um conteúdo mais suavizado pois convenhamos, a violência da obra foi bem mais branda do que em outras obras de Fulci das que tenham se limitado à uma distribuição local.
Mas o filme mesmo sendo um dos mais leves da carreira de Fulci ainda é muito bom pois trás uma cultura pouco explorada em filmes de terror sobretudo italianos: a egípcia. E a produção não fez feio não, a cenografia é rica, os efeitos especiais estão bacanas para a época e ainda dão um bom caldo, as atuações estão bem ok, nada muito genial e o roteiro é muito bem escrito mantendo o mistério e o medo durante a trama.
Trailer:

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