Preenchendo a nossa cota de filmes asiáticos, hoje eu vos trago mais um daqueles raros sul coreanos que nos brinda com uma adaptação de uma lenda asiática difundida em cada território de seu jeito.
Aqui, a entidade da vez é um espírito que tem o dom de imitar a voz humana e usa deste artifício para enganar as pessoas.
A trama gira em torno de uma dona de casa que se muda com a família com o marido, proprietário de um pequeno canil de volta à terra natal da sogra para ajuda-la a melhorar de um problema que compromete a sua memória e que poderá ajuda-la a encontrar seu filho mais velho que desapareceu em Seoul há alguns anos.
A protagonista, ao tentar ajudar duas crianças a resgatar um cachorro perdido, acaba encontrando uma menina muito pequena perdida na floresta e a acolhe sem saber que ela esconde um segredo ligado à caverna onde repousa a entidade que emula a voz humana.
Começa a partir dai começa uma verdadeira batalha entre o sobrenatural e o mundo real com muita tortura psicológica e decisões que podem dar um rumo não esperado à história.
Tudo começa à noite na entrada do Monte Jang para onde se dirige um casal agitado até que do nada, um cachorro se choca com o vidro dianteiro do carro onde os dois estão.
O marido para o veículo bruscamente e sai para verificar o animalzinho. Ao dar meia volta para pegar uma pá no porta malas, percebemos que há uma mulher ferida e amarrada dentro do bagageiro do veiculo.
Um tempo depois, chegando finalmente ao seu destino, o marido começa a romper uma parede podre de proteção de uma caverna adjacente até conseguir abrir um buraco onde deixa a prisioneira aparentemente morta.
Depois de dar uma boa olhada no que há dentro da caverna, o rapaz volta a tapar o buraco com os próprios tijolos da parede e ao dar meia volta para entrar no carro, ele ouve a voz da prisioneira que segundo ele deveria estar morta.
O rapaz retira um dos tijolos da parede e ouve uma voz grossa junto aos gritos desesperados da vítima.
Depois da introdução, somos levados até um asilo onde Hee-Yeon resolve levar sua sogra mentalmente perturbada Kim Mu-Nyeo de mudança com ela e a família para uma casa próximo ao Monte Jang na cidade natal da velha para ajuda-la a melhorar de sua condição junto de seu marido Min-ho e sua filha pequena Joon-hee.
Com a mudança feita depois de uma longa viagem, chega a noite e todos descansam e Hee-Yeon tem um sonho com seu filho em uma época passada recente.
Ao amanhecer, Joon-hee faz companhia para sua avó do lado de fora da casa tentando conforta-la sobre a perda de seu irmão mais velho e a velha ouve vozes estranhas vindo de algum lugar longínquo fazendo com que ela se agite.
Na rua, Hee-Yeon se agita ao ver um menino maltrapilho vagando pela cidade e acredita ser seu filho desaparecido em Seoul, Jung-suh.
Sem sucesso na busca, Hee-Yeon volta para casa e conta para o marido que viu o filho na cidade e insiste em voltar a procura-lo depois de cinco longos anos, mas Min-ho a desaconselha e a recrimina por ter deixado Joon-hee sozinha com a avó doente.
Um pouco mais tarde, Hee-Yeon recebe um casal de pequenos irmãos que estão procurando seu cachorro desaparecido Totti e eles fazem uma busca no canil de Min-ho sem sucesso.
Na volta para a busca, as crianças ouvem o latido de um cachorro que eles julgam ser Totti vindo da floresta junto ao Monte Jang e se embrenham até encontrarem a caverna aberta e o carro do casal de psicopatas abandonado.
A menina se enfia dentro do buraco em busca de seu pet e algo surge da escuridão a tragando para a escuridão, porém ela consegue se desvencilhar e volta para a luz assustada e ela foge com o irmão.
Um tempo depois de avisar para Hee-Yeon, ela e as crianças vão até a caverna com Min-ho para verificar e não encontram nada fora do normal.
Hee-Yeon ouve um ruído próximo e se embrenha na floresta chegando até um barraco onde encontra um velho espelho. Através do reflexo, ela vê uma linda menininha perdida aparentando ter uns cinco anos a observando.
Nin-ho alcança a mulher que diz que a pequena pode estar perdida. Repentinamente, ouve-se os gritos de socorro das crianças.
Ao voltar para a caverna, Min-ho atravessa o buraco e encontra uma porta que dá em uma câmara escura e de lá de dentro sai a vítima do casal homicida aparentando estar possuída e ela morre do nada.
A polícia é mobilizada dando uma investigação que fica a cargo do detetive Park que encontra uma foto da menininha perdida de mãos dadas com um homem misterioso.
Hee-Yeon pergunta pela menina que ela deixou onde encontrou e Park diz não ter encontrado nenhuma criança pelo caminho e então a mulher resolve procurar por conta própria.
Chegando a noite, a menina bate a porta da casa de Hee-Yeon que convida para entrar trazendo maus ventos consigo.
Enquanto Park investiga a foto da menina, Hee-Yeon prepara um banho para a pequena reparando que ela tem marcas de queimaduras nas costas.
Joon-hee faz a mãe se ausentar um pouco do banho para procurar roupas limpas e um cobertor e nisso os ventos sopram novamente.
Com tudo calmo, Joon-hee tenta se comunicar com a menina que só repete o que ela diz e repete ter o mesmo nome que ela.
Geral vai dormir horas depois e Hee-Yeon volta a sonhar com Jun-suh e acorda ouvindo a voz dele.
Na manhã seguinte, a família acorda com a presença de uma xamã cega em seu quintal que diz poder ouvir as vozes vindas da caverna do Monte Jang e alerta Hee-Yeon a ir embora com sua família imediatamente.
Ao acordar horas depois, a menina observa Joon-hee brincar e rir com o pai e a imita em tudo.
Pouco depois, Min-ho ouve a voz de Jun-suh e ao seguir o ruído chega ao canil onde a menina brinca com os cachorros.
Chegando a noite, Hee-Yeon põe Joon-hee para dormir e depois encontra a menina dormindo no sofá. Ao cobri-la, a mulher ouve a pequena pedindo por ajuda, mas julga que ela esta tendo apenas um pesadelo.
Na manhã seguinte, Min-ho pede para Hee-Yeon levar a menina perdida para a polícia.
Em seu quarto, Kim Mu-nyeo ove vozes trazidas pelo vento.
Hee-Yeon encontra a menina escondida dentro do guarda-roupa e ao tira-la de dentro, do nada Kim Mu-nyeo aparece portando uma faca tentando matar a pequena.
Contendo a velha, Hee-Yeon ordena à menina que fuja e quando consegue neutralizar a sogra ela corre e se esconde no canil.
Lá, ela encontra a menina assustada em uma das jaulas se protegendo com uma lasca de espelho. A menina morde a mão de Hee-Yeon que a acaricia para ganhar sua confiança e a pequena chora a chamando de mamãe. As duas se abraçam depois de uma reconciliação comovente.
Com tudo acalmado, Min-ho diz para a esposa que sua mãe jogou seus remédios fora e resolve que ela será levada de volta ao asilo, mas Hee-Yeon e nega.
Mais tarde quando põe a menina para dormir, Hee-Yeon a ouve dizer que a ouviu falar sobre seu filho desaparecido. A mãe diz que Jung-suh desapareceu há anos em Seoul e a avó é a única que sabe onde ele está porém devido ao trauma sua memória está comprometida.
Min-ho volta a pedir para que a mãe seja levada para o asilo mas Hee-Yeon é enfática em continuar procurando o filho e grita que quer voltar para Seoul.
O casal acaba brigando e Min-ho tenta fazer a mulher realizar que Jung-su está morto e que ela deve deixa-lo ir.
Kim Mu-nyeo volta ouvir vozes e desta vez vindas de um espelho e estas pedem que a velha venha até elas. A velha foge de casa no meio da noite e ao amanhecer sua ausência é finalmente notada.
Min-ho aciona a polícia que passa a procurar o dia inteiro e a noite toda. No final das buscas, o detetive Park pede à Nin-ho para falar com a menina perdida e revela que não há nada no banco de dados da delegacia sobre o desaparecimento de nenhuma criança com os traços da pequena.
Park mostra a foto que ele encontrou da menina na floresta e Hee-Yeon reconhece sua protegida, mas o detetive diz que aquela criança sumiu na década de 1980 naquela região.
Hee-Yeon sai para procurar pela menina e encontra a xamã cega que fala sobre uma entidade chamada Jangsanbeom que tem a forma de um tigre, vive no Monte Jang e tem o poder de imitar vozes humanas.
Ela conta sobre um xamã local que viveu nesta época e foi possuído pelo espírito de Jangsanbeom e que ele tinha uma filha pequena, a menina protegida de Hee-Yeon eu sofria inúmeras agressões físicas.
Jangsanbeom não satisfeito com a vida do xamã resolveu sacrificar a filha do mesmo e ela foi posta dentro de uma urna mortuária junto com a oferenda de um porco descarnado em um ritual.
Pai e filha foram dados como desaparecidos desde então e de acordo com as lendas locais eles foram considerados servos da entidade e por isso herdaram o dom da imitação perfeita. Desde então, pessoas próximas do Monte Jang passaram a desaparecer misteriosamente.
A xamã cega diz para Hee-Yeon não confiar na menina pois ela é parte da entidade e a mesma a usará para confundi-la até sugar seus olhos.
Enquanto isso, Joon-hee acorda de sua soneca e ouve a voz da mãe mas ao verificar vê o espírito do xamã emulando a voz de Hee-Yeon tentando sair de dentro de um espelho.
Joon-hee foge e se esconde no canil e a menina emulando a voz de Hee-Yeon diz que a irmãzinha pode confiar nela e estende sua mão para leva-la de lá.
Hee-Yeon chega neste momento ao lar e ao procurar pelas meninas as encontram escondidas no guarda-roupas.
Com tudo calmo, Hee-Yeon pede para a menina dizer seu verdadeiro nome e que conte onde Min-ho e a avó estão. Depois, ela instrui Joon-hee a não confiar na voz dela se ela ouvir algo suspeito e lacra a casa com um talismã dado pela xamã cega.
Depois, Hee-Yeon ai até o Monte Jang com a menina e elas adentram à câmara escura da caverna que dá em uma escadaria para o subsolo. Ao chegar ao fundo, as vozes misturadas de Min-ho, Joon-hee e Kim Mu-nyeo tentam confundir Hee-Yeon que e desespera.
A entidade incorporada no fantasma do xamã aparece e corre fazendo Hee-Yeon e a menina correrem até entrarem em um buraco apertado por onde o mal não passa.
O buraco dá numa câmara onde estão vários espelhos por onde se ecoam várias vozes, as vozes aprisionadas das pessoas desaparecidas da região.
Os braços da entidade se locomovem por um dos espelhos e agarram Hee-Yeon emulando a voz de Min-ho, mas o verdadeiro aparece, a salva e parte o espelho causando uma reação em cadeia com os outros.
Min-ho pede para a esposa que fuja e peça ajuda pois ele não consegue enxergar, a entidade roubou sua visão como a xamã advertiu que aconteceria.
Do lado de fora da caverna aparece o detetive Park enquanto Hee-Yeon escala um buraco ao mesmo tempo que ela recebe uma chamada do detetive pelo celular.
A entidade a engana emulando a voz do detetive e a faz cair de volta na câmara dos espelhos. Hee-Yeon tenta sair pelo buraco onde entrou antes mas mais uma vez ela é encurralada.
A menina fica para trás e Min-ho diz para a esposa não confiar nela e nisso, a visão dela fica turva.
Min-ho se locomove deixando a menina em prantos com a entidade e os espelhos se partem.
O casal encontra a saída e lá, Hee-Yeon ouve a voz de Jung-suh mas o marido a leva tentando faze-la reagir aos apelos da entidade.
Hee-Yeon solta a mão do marido e diz que precisa ir dando meia volta. Quase cega, ela enxerga na menina o vulto de seu filho e as duas se abraçam.
Min-ho chega até a entrada da caverna sendo encontrado por Park enquanto a mulher desaparece na escuridão.
A entrada da caverna é bloqueada. Com a chegada do inverno e da neve ainda pode se ouvir as vozes de Hee-Yeon e Jung-suh agora felizes ecoando pela caverna...
Sendo bem sincero o filme é bem médio artisticamente falando tendo efeitos práticos simples, mas ganha muito na história e na atmosfera sinistra cheia de mistério e imprevisibilidade.
O ritmo do filme até que é bem ok se tratando de um enredo bastante focado em diálogos e com pouca ação e é bem light em relação a violência dando para assistir com um público mais jovem.
A figura misteriosa da menina filha do xamã apesar de ser uma das vilãs ela consegue roubar a cena se tornando parte da torcida de quem assiste nos ganhando pela sua fofura sem limites.
O final acabou sendo deveras previsível visto que a força motriz da protagonista é a mesma de sempre, um trauma pela perda de um ente querido que no final a obriga a abrir mão de tudo para poder ter paz.
O filme carece um pouco de personagens e uma melhor montagem dos mesmos. Tipo a avó que não teve um desfecho muito satisfatório e apesar de deixar nas entrelinhas que Jung-suh teria sido morto por um descuido da velha que já não deveria estar muito bem da cabeça antes dos eventos ainda deixou esta lacuna sem uma confirmação e o quão ela conhece da lenda do xamã possuído pela entidade do Monte Jang; eu esperava que ela fosse voltar à realidade e fazer uma grande revelação mas o roteiro simplesmente se livra da velha e não sabemos mais dela, apenas que fica implícito que ela se tornou uma das prisioneiras da caverna dos espelhos.
No mais, o filme vale pela curiosidade, afinal cinema asiático sempre merece a nossa atenção já que tudo que vem do outro lado do planeta sempre é imprevisível e surpreendente, nos livrando por um tempo da mesmice do terror clássico de Hollywood.
Trailer:

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