Talvez esta seja a última boa surpresa do ano no cinema de terror e é uma obra que inicialmente eu não dei nada e acabei recebendo tudo que eu não esperava e mais um pouco.
Decepcionado pela recepção fraca de Os observadores, eu me neguei a crer que o novo filme com Dakota Fanning, um terror sobrenatural diferentão fosse vingar, mas vingou.
Em suma, o filme nos leva até uma jovem com uma vida inicialmente cheia de lacunas que num dado momento de sua vida recebe aleatoriamente a visita de uma senhora assustada que dá para ela uma caixa de madeira dizendo que a garota irá morrer naquela mesma noite a menos que resolva um enigma depositando no compartimento três objetos específicos que representam muito em sua vida sem perda alguma de tempo.
O que se passa a seguir é uma sessão de torturas psicológicas e físicas trazendo à tona feridas antigas de uma vida cheia de tristezas e dificuldades que serão postas à prova.
Tudo começa com a jovem Polly chegando as mensagens da secretária eletrônica de seu celular enquanto guarda as compras em sua solitária e inóspita casa.
Depois, ela se serve de vinho e tem um monólogo consigo mesma bem breve até receber a inesperada visita de uma mulher aparentando estar desorientada que toca sua campainha e é convidada a entrar.
A senhorinha diz pensar conhecer uma pessoa que morava naquela mesma casa e enquanto aguarda Polly lhe trazer um copo d'água, ela vislumbra alguns retratos na parede do que parece ser a família da dona da casa.
Quando retorna com a água, Polly facilmente acaba contando um pouco de sua vida mencionando a irmã mais velha, seu marido e uma sobrinha pequena que foi quem alugaram a casa onde ela vive desde que ela começou a passar por algumas dificuldades.
Sabendo o suficiente sobre a jovem, a mulher dá à ela uma caixa preta de madeira com uma ampulheta dentro revelando que Polly está predestinada a morre naquela noite e reitera que conhece quem morou na casa antes da jovem.
Polly assustada anuncia que irá chamar a polícia e quando a senhora a desaconselha é posta para fora com caixa e tudo e diz saber o nome da jovem e revela saber que Polly viveu um pesadelo do qual ela se recusou a acordar e vai embora deixando a caixa no meio da rua.
Ainda chocada, Polly liga para sua irmã Lainie para reportar o que acabou de acontecer e resgata a caixa.
Depois disso, Polly toma um banho para esfriar a cabeça e ouve música para relaxar enquanto se produz para tirar algumas fotos pelo celular.
Enquanto Polly vislumbra as fotos, vê-se um vulto passando pelo espelho e este se materializa na forma de uma mulher atrás da jovem chamando sua atenção e desaparecendo em seguida.
Assustada, Polly acende um cigarro e liga para a irmã para contar o que acabou de acontecer e ao voltar para o seu quarto, procura pela invasora sentindo sua presença vindo de dentro da caixa.
Polly abre a caixa e retira a ampulheta cuja areia estranhamente não cai.
Ao voltar para o celular com sua irmã, Polly descobre que aquela não é Lainie mas sim uma projeção da senhorinha que lhe presenteou com a caixa reiterando que a jovem vai morrer a menor que cumpra alguns requisitos.
As portas batem pela casa e a voz da Lainie volta ao normal e expõe os problemas emocionais de Polly que a levaram a ser uma pessoa retraída e insegura.
A voz da senhorinha volta a se projetar e ela pede para Polly olhar o interior da caixa dizendo que a jovem deve depositar três coisas dentro do compartimento para pode se salvar e estas são: uma coisa que ela odeia, uma coisa que ela precisa e uma coisa que ela odeia e quando ela decifrar o que são estas coisas e oferece-las para a caixa irá acabar com o ritual que levará a sua vida.
Depois que a voz desliga, Polly abre a caixa e se põe a pensar no que podem ser as três oferendas.
A areia da ampulheta começa a cair e Polly se sente sufocada se arrastando até vomitar uma chave dourada.
Em pânico, Polly vai até a casa de uma vizinha para pedir seu celular emprestado alegando que o dispositivo dela parou de funcionar.
A senhora a convida para entrar mas passa o tempo a ignorando agarrada ao telefone e do nada diz que a polícia ligou para a jovem. A vizinha é possuída pela senhorinha da caixa e esta esfaqueia o rosto da hospedeira dizendo para Polly que ela está em todo lugar e que ninguém irá ajuda-la. A entidade termina por matar a vizinha esfaqueada.
Polly volta para casa em pânico e um porta-retratos do nada cai e trinca enquanto o celular começa a tocar sozinho uma música natalina muito alta incessantemente.
Ao atender o celular, Polly ouve a voz de um homem que ela conhece e que está morto e por isso desconfia que seja a velha da caixa a torturando psicologicamente outra vez. A voz pergunta à ela o que a jovem odeia, algo ou alguém que ela perdeu e que ela esconde.
Polly entra no armário e vasculha algumas fotos antigos de um homem de sua infância que parece ser seu pai e que em um determinado momento de sua vida ele contraiu câncer e lutou até a sua morte.
Do nada, o armário fica emperrado e uma mão carcomida toca Polly nas costas e desaparece rapidamente.
Uma projeção putrefata do homem com câncer aparece frente a Polly, a agarra a fazendo cair sobre a porta do armário que se abre, a arrasta e depois some.
Tentando se acalmar, Polly pega um crucifixo e o deposita na caixa representando algo que ela odeia.
Depois, Polly ouve uma voz abafada que a chama e quando ela se vira descobre que é o seu reflexo que tem vida própria e sorri para ela. O reflexo bate contra o vidro usando um alicate e depois bate com a própria cabeça causando uma trincada no vidro.
O reflexo se projeta atrás de Polly, a toca e depois some.
Polly recebe uma ligação de Lainie dizendo que faz algumas horas que ela está tentando ligar para a irmã caçula preocupada com aquelas ligações sobre ela estar predestinada a morte. Lainie diz estar vendo o carro da irmã estacionado na frente de sua casa. Em pânico, Polly pede que a irmã "não a deixe entrar" mas é inútil.
Sem alternativa, Polly tenta sair da casa mas a porta está trancada. Depois, a jovem tenta sair quebrando a janela com um banquinho porém a mesma não recebe um arranhão se quer.
Ansiosa, Polly tenta pensar em qual pode ser a segunda oferenda que ela tem que fazer para a caixa e do nada a tevê se liga sozinha projetando uma gravação caseira de Lainie com sua filha pequena Aly brincando de "porquinhos" com os dedos dos pés da menina. Estranhamente, a menina tem sua face tomada por um sangramento gradualmente e ela pede ajuda para a tia quebrando a quarta parede.
Polly tira a tevê da tomada porém ela continua ligada e a torturando com as imagens.
Em pânico, Polly pega um alicate de unha e decepa o mindinho de um dos pés e o deposita dentro da caixa como sendo o objeto que ela precisa.
Enquanto enfaixa o pé, Polly vê uma projeção de sua irmã completamente sangrenta a mandando parar para pensar. Nisso, o celular começa a enviar uma mensagem de erro escrita repetidas vezes e Polly entende que a oferenda estava errada.
A televisão volta a projetar a gravação caseira e Polly se questiona aonde ela errou e sem pensar duas vezes decepa um dedo da mão e o deposita na caixa.
A lareira se acende sozinha deixando Polly com muito calor, mas ela foca na caixa que desta vez aceitou a oferenda.
Polly consegue sair da casa e vai até a de Lainie onde só se ouve ruídos distantes de risada, seguindo da voz da jovem dizendo para a recém chegada que ela e a filha estão no piso superior.
Ao chegar ao quarto de Lainie, Polly a encontra morta e depois de ir até o de Aly a encontra na mesma entrando em prantos.
A música natalina alta do celular volta a tocar na vitrola até ficar distorcida e parar completamente.
Do nada, os telefones da casa tocam ao mesmo tempo e quando Polly atende um deles quem fala é Aly que diz que a tia é má, que ela conseguiu o que queria e que por isso precisa sofrer até completar o último desafio.
Polly vai novamente até o quarto de Aly e corta uma mecha de seu cabelo a depositando na caixa como algo que ela ama.
A ligação se encerra e Polly abre a caixa descobrindo que a oferenda foi aceita.
Nisso, Lainie desce até a sala de estar vivinha da silva e Polly corre até o quarto da sobrinha que também está viva porém a menina é possuída pela senhorinha da caixa revelando que o jogo ainda não acabou.
A menina possuída agarra Polly dizendo querer brincar e a esfaqueia, mas a jovem acorda na frente da caixa se dando conta de que ainda falta alguma coisa a ser feita para terminar o ritual.
Em desespero, Polly começa a depositar seus pertences e até mesmo sangue dentro da caixa sem sucesso e do nada, uma mão tenta puxá-la para dentro do compartimento mas a solta.
Depois de se recompor, Polly sai pela rua gritando por ajuda mas ninguém responde.
Polly toca a campainha de uma adolescente creditada como Tara que diz que está sozinha em casa mas que os pais logo irão chegar e a convida para entrar vendo que a jovem está aparentando desorientação e pedindo para usar o telefone.
Tara vai até a cozinha para preparar um chá e Polly tira a caixa com a ampulheta de uma sacola. A adolescente volta com o chá e se choca ao saber que a estranha conhece o seu nome. Polly brevemente desabafa sobre seus pesadelos e deixa claro que quer passar a caixa para a adolescente tendo compreendido que o passo final para salvar a sua vida é amaldiçoando outra vida em uma corrente sem fim.
A cena corta e Polly está em casa sozinha e do nada, a mulher da caixa aparece sabendo que a caixa foi transferida dando inicio a um embate de armas cortantes. Polly leva a melhor conseguindo desferir vários golpes com seu alicate e questiona a senhora sobre o por que ela foi escolhida. A mesma diz que ela também recebeu uma pessoa em sua casa com a caixa e que ambas são escolhidas pelo destino por que suas vidas estão "quebradas" e a caixa é uma forma de consertar as coisas ou simplesmente desistir de tudo. A senhora revela que ela fez de tudo mas nada resolveu o enigma da caixa e tão pouco ela conseguiu resolver seus problemas relacionados à depressão e a solidão e então ela perdeu tudo o que tinha restando jogar suas frustrações nas costas dos outros e perpetuar a maldição.
A senhora revela que a areia da caixa se alimenta do medo da morte e diz que Polly não deve ter este medo a aconselhando apenas a esperar o jogo acabar. Por fim, ela morre agradecendo a jovem.
Polly vê seu reflexo falando com o da senhora no espelho e começa a ouvir as vozes de seus entes queridos em sua cabeça enquanto a areia da ampulheta se esvai.
A cena corta para um amanhecer frio onde a vizinhança segue sua vida normalmente como se nada tivesse acontecido.
Polly sai de casa e presencia tudo normal na rua e vai até a casa da irmã onde Aly a recebe feliz com um abraço e a jovem diz que mais tarde voltará para ver a mãe da menina.
Um instante depois, Polly vai até a casa de Tara para pedir-lhe a caixa de volta mas a adolescente diz não conhece-la pois se mudou recentemente com os pais.
Confusa, Polly fuma um cigarro para clarear as ideias até que seu celular vibra, mas ela nervosa não atende.
Enquanto isso com Tara, ela volta para dentro de sua casa e nisso vemos uma mensagem escrita com sangue na parede dizendo "não confie em ninguém". Depois, a câmera abre e vemos a mão da jovem enfaixada indicando que ela deu uma mão em oferenda para a caixa e ao abrir mais ainda, vemos os corpos dos pais dela jogados na sala enquanto o celular vibra...
O filme acertou em cheio na atmosfera de suspense contínuo com muito jumpscare que dá certo, um verdadeiro teste de sanidade que vai levar o espectador ao limite.
A trama consegue te prender apesar do início um pouco devagar, mas é coisa que passa voando e quando você parar para ver já vai estar consumindo os créditos finais do filme que te deixa com gostinho de quero mais, muito se devendo ao fato das última cena deixar em aberto a possibilidade de uma continuação onde a caixa poderia ser passada para outra pessoa desajustada.
Até por que fica entendido que a caixa escolhe as pessoas e apenas as quebradas, que ela é uma espécie de depósito de sentimentos negativos e que a escolha de Polly no final de transferir a caixa não fez com que ela superasse seus traumas como ela pensou que aconteceria e sim ela que espalhou a maldição e ferrou com a vida da jovem Tara que não estava dentro dos padrões da caixa, não foi escolhida pela mesma, mas assim mesmo ela acabou ficando presa ao jogo tendo matado os pais em sinal de obediência à entidade.
E quanto a Polly, a ligação que ela recebeu no final mas não atendeu foi justamente o estopim para estragar tudo, pois muito possivelmente era a voz da caixa tentando avisar que ela fez merda e por isso deveria recuperar a caixa e passar para a pessoa certa. Mas a jovem apenas escolheu viver e recomeçar do zero.
Agora partindo de um lado mais técnico, o filme trolla por fazer o espectador acreditar que o mal da protagonista é sobrenatural quando na verdade é psicológico e isso se vê durante o desenrolar da trama: Polly tem uma vida toda quebrada, cheia de pendências e apegada a um passado doloroso.
A caixa como eu disse é um depósito de sentimentos que metaforicamente representa o desapego, afinal a salvação que o amaldiçoado alcança ao vencer o jogo não é o de sua vida física mas sim de sua alma; a caixa escolhe quem tem apego à depressão, ansiedade, a saudade e etc como uma forma de tratar as feridas da alma e se o detentor conseguir se desapegar de tudo aquilo que lhe faz sofrer ele ganha uma chance de superar, mas se não houver mais tempo vai acontecer o mesmo que com a senhorinha, a pessoa vai ficar desesperada e jogar seus problemas nas costas dos outros para não sofrer sozinho.
E como vimos, Polly tem apego à família, sobretudo sua sobrinha que é o que ela mais ama agora e a saudade do pai que a deixou muito cedo e por conta disso ela não soube como redirecionar sua dor que só foi se acumulando como uma bola de neve e quando ela cresceu ela acabou se tornando esta jovem adulta retraída dependente do cigarro como um tipo de anti depressivo.
Em suma, Polly tentou enganar a caixa para acabar com seu desespero se desapegando de coisas que trariam um falso alivio e só no final ela realmente entendeu que o caminho para se salvar era... superar seus medos, como a senhora a aconselhou em seu leito de morte.
Vicious tem criticas bem negativas mesmo tendo aberto a semana de lançamento equilibrada e eu mesmo gostei bastante até mais que muito filme mais gabaritado que deu a cara por este ano de 2025 e como eu sempre ignoro a crítica especializada e sigo o meu faro, esta vez não será diferente.
Trailer:

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